| Em 03/09/2025

Paraná sedia workshop da FGV sobre parcerias internacionais equitativas em pesquisa

Série de eventos conta com financiamento da British Academy e apoio do CONFAP. (Foto: Julia Felix/ FGV)

Pesquisadores, gestores de pesquisa, representantes da indústria e de agências de fomento se reuniram em Curitiba (PR), no dia 3 de setembro, para discutir caminhos para fortalecer parcerias internacionais equitativas para o desenvolvimento de pesquisas e inovação. O encontro, realizado na sede da Fundação Araucária, integra a série de workshops regionais promovidos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com financiamento da British Academy e apoio do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e da Associação Brasileira de Gestores de Pesquisa (Brama).

Além das palestras, o evento promoveu discussões guiadas em grupos, seguidas de apresentações e debates interativos com foco em aprimorar a compreensão dos participantes sobre colaborações internacionais equitativas. Segundo a diretora para Cooperação Internacional do CONFAP e top manager da Fundação Araucária, Maria Zaira Turchi, o conceito discutido no workshop enfatiza o benefício mútuo, a governança compartilhada, a distribuição justa de recursos e o respeito pelos contextos locais.

“Queremos levar os participantes a refletir sobre suas próprias experiências internacionais e orientar instituições sobre como podemos estar mais alinhados com as expectativas dos parceiros internacionais”, declarou Maria Zaira Turchi.

Ela explicou que a escolha de Curitiba para sediar o evento se deve ao protagonismo da Fundação Araucária na cooperação internacional, foco central da série de workshops.

“O Paraná possui um sistema de CT&I robusto, com universidades consolidadas, pesquisadores altamente qualificados e forte inserção internacional. Precisávamos ouvir o que essa comunidade tem a contribuir para pensarmos melhor sobre as parcerias internacionais equitativas e como o Brasil pode se tornar mais competitivo”, destacou.

Os insumos e reflexões levantados ao longo dos encontros serão sistematizados em um relatório para a British Academy, instituição de fomento à pesquisa no Reino Unido com foco nas áreas de humanidades e ciências sociais.

Para a diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, Goret Pereira Paulo, outro objetivo do workshop é ressaltar o importante papel dos Escritórios de Gestão de Pesquisa em facilitar e viabilizar parcerias internacionais para o desenvolvimento de pesquisas que gerem impacto social e contribuam para enfrentar desafios globais.

“Pesquisas se desenvolvem em redes, e essas redes precisam ser globais”, afirmou. Ela destacou a importância dos Research Development Offices (RDOs) — ou Escritórios de Desenvolvimento de Pesquisas — como estruturas fundamentais para apoiar a estruturação destas redes. 

“O pesquisador domina o estado da arte do conhecimento, mas transformar esse saber em inovação exige apoio. Por isso, estamos introduzindo o conceito dos Escritórios de Pesquisa e Inovação, unidades que conectam pesquisadores à indústria, ao setor público e aos potenciais beneficiários das pesquisas, permitindo assim que os pesquisadores se concentrem na geração de conhecimento”, explicou Goret, que moderou o painel: “Mitigação dos Desafios e Melhoria das Capacidades: O Papel dos RDOs em Facilitar Parcerias de Pesquisa Equitativas”.

O presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, também participou do evento e destacou a evolução do Paraná em cooperação internacional. Segundo ele, o estado passou de 5 mil doutores no início dos anos 2000 para cerca de 25 mil atualmente.

“Precisamos criar espaços de trabalho para esses doutores além das universidades, posicionando-os também em empresas e instituições públicas. Para isso, é essencial aproximar cada vez mais a academia do setor produtivo e dos territórios”, afirmou.

(Foto: Julia Felix/ FGV)

Oportunidades e desafios nas colaborações internacionais

Durante o painel “O que os financiadores e parceiros internacionais buscam? Oportunidades, Forças e Desafios para as Instituições Brasileiras na Colaboração Global”, a diretora do 4Science UK, Silke Blohm apresentou um panorama sobre os avanços e desafios das parcerias internacionais em pesquisa.

“É necessário repensar coletivamente os objetivos e abordagens dos projetos, promovendo uma verdadeira co-criação e garantindo que políticas e boas práticas sejam adotadas de forma ampla e consistente entre financiadores, instituições de pesquisa e países”, afirmou.

Na sequência, o diretor científico da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa e o top manager da instituição, Evaldo Vilela, apresentaram dados sobre o sistema de CT&I do Paraná e reflexões sobre a internacionalização equitativa.

Spinosa ressaltou que a internacionalização é uma prioridade da Fundação Araucária e que, quando feita de forma equitativa, promove a diplomacia científica. Ele defendeu o fortalecimento da pós-graduação por meio de um sistema interiorizado e multicampi, destacando a importância da relação entre pesquisa e desenvolvimento territorial para o avanço da ciência, tecnologia e inovação no estado.

A terceira edição do workshop, intitulada “Fortalecendo Parcerias Equitativas de Longo Prazo para Ampliar Cooperações Internacionais”, será realizada em 1º de dezembro, em Salvador (BA). A cobertura da primeira edição, realizada em São Paulo, está disponível aqui.

Fonte: Rede de Pesquisa da FGV (Por: José Victor Sales de Carvalho/ Rede de Pesquisa e Inovação da FGV)

Leia também

Em 02/11/2026

CONFAP e pesquisas apoiadas pelas FAPs são destaque no programa Conexão, do Canal Futura

A participação do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e de pesquisadores com projetos apoiados pelas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) foi destaque na edição de sexta-feira, 30 de outubro, do programa Conexão, do Canal Futura. Com o tema “Ciência em todo lugar”, o episódio apresentou iniciativas científicas e […]

Em 02/11/2026

Com apoio da Fapt, pesquisa investiga se protocolos internacionais de agrotóxicos protegem espécies brasileiras

O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado no Tocantins, o INCT em Ecotoxicologia Terrestre (INCT TerrEcotox), apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), desenvolve pesquisas para verificar se os protocolos internacionais de agrotóxicos são capazes de proteger espécies brasileiras que vivem no solo […]

Em 30/10/2026

Idosos mais ativos têm volume cerebral preservado em áreas de memória e raciocínio, mostra estudo

Idosos que praticam mais atividade física têm maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória, cognição e raciocínio, conclui revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity. Ao reunir dados de quase 2.700 pessoas com 60 anos ou mais, o estudo mostra uma associação consistente entre níveis mais elevados de movimento no […]

Em 28/10/2026

Roupas inteligentes: Inovação na costura transforma tecidos em solução para a incontinência urinária

A tecnologia nem sempre está em circuitos, sensores ou dispositivos eletrônicos. Ela também pode surgir de uma nova maneira de fazer algo que já conhecemos. Na costura, a escolha dos materiais e as técnicas de confecção podem transformar uma peça de vestuário em uma solução para necessidades específicas do cotidiano. Foi uma situação vivida dentro […]