| Em 08/05/2026

Pará é o maior produtor de dendê do Brasil, com um crescimento histórico do setor

Pesquisa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) aponta a dendeicultura como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio (Foto: Divulgação)

O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas. No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor. 

A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024. Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.

O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na Região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas. O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.

Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.
 
O conjunto dos dados revela uma cadeia robusta, altamente concentrada e economicamente relevante. O Pará não apenas lidera, mas praticamente define o desempenho nacional do dendê. A dendeicultura brasileira entra, assim, em uma nova fase: menos de expansão acelerada e mais de consolidação estratégica.

Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal. Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.

(Foto: Divulgação)

Emprego e renda – A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.

“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.

Dendeicultura também contribui para preservação ambiental

No campo ambiental, a dendeicultura paraense tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário dessa cultura também observa-se trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024. 

A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.

De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos. Em síntese, trata-se de uma cadeia consolidada, estratégica e altamente concentrada no Pará, com desafios relacionados ao aumento da produtividade, melhoria do financiamento, diversificação de mercados e sustentabilidade ambiental.

Assim, os dados da nota “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026” também mostram que no Pará o percentual da área total reflorestada com a espécie dendê em relação ao total de áreas de lavouras permanentes apresentou tendência geral de crescimento entre 2000 e 2024.

“Ademais também se apresenta como um vetor de reflorestamento, com seus cerca de 200 mil hectares de floresta cultivada e a captura de  13 milhões de toneladas de CO2 em 2024, e daí pode-se observar o tripé da produção, emprego, renda e reflorestamento com captura de carbono que o dendê paraense representa para o Brasil”, reitera a Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural da Fapespa.

Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, “O dendê é uma cultura que exige uma condição edafoclimática muito específica, e o estado do Pará está nessa faixa de zonas propícias ao cultivo dessa importante cultura para a indústria alimentícia, e também, atualmente, é importante para a área de produção de energia. Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”. 

“O estudo da Fapespa traz essa realidade e vai ajudar certamente na tomada de decisão do setor público e do setor privado, através de decisões estratégicas para aumentar ainda a importância dessa cultura para a geração de emprego e renda na nossa região”, reforçou.

Serviço:

Para mais informações e detalhes sobre o estudo, confira o material completo no site da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), acesse aqui.

Fonte: FAPESPA (Texto: Alice Vilar, estagiária, sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira da Ascom Fapespa)

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]