| Em 12/04/2018

Obra “Tambor dos Pretos” será lançada pelo antropólogo amazonense João Siqueira

Narrar e refletir sobre a história dos quilombos no Brasil não é algo comum, principalmente, em se tratando das comunidades instaladas na Amazônia, mesmo com toda a sua representatividade sociocultural, étnica e econômica para o País. Porém, novas publicações estão surgindo com o intuito de dar vez e voz à história dessas comunidades. Uma delas é o livro “Tambor dos pretos: processos sociais e diferenciação étnica no rio Jaú, Amazonas”. A obra é de autoria do antropólogo amazonense João Siqueira e será lançada no próximo dia 19 de abril, no Rio de Janeiro. A publicação é da editora da Universidade Federal Fluminense.

Resultado da pesquisa de Doutorado do autor, defendida em 2012, o livro apresenta uma ampla re­flexão sobre a formação de unidades sociopolíticas identificadas com o quilombo do Tambor e ainda, sobre o caso da Associação Quilombola de São Raimundo do Pirativa, no Amapá. Nesse cenário, a obra traz a trajetória dos principais responsáveis pelo estabelecimento do Quilombo do Tambor: José Maria dos Santos e sua esposa, Otília Maurícia dos Santos. Foram eles os desbravadores do lugar, que se tornou mais tarde locus de organização e de resistência de seus descendentes.

“Consta que, após a chegada da família, esse lugar se tornou um ponto de referência para os moradores do rio Jaú. Em decorrência do desenvolvimento do grupo doméstico, foi escolhido um novo lugar, oito quilômetros rio abaixo do Tambor Velho, também à margem esquerda, para construir a atual comunidade do Tambor”, explica Siqueira.

Em meio à narrativa da trajetória desse povo quilombola, o autor chama a atenção para os mecanismos de vigilância e de repressão adotados pelo Poder Público com o objetivo de expulsar os moradores do Quilombo do Tambor de suas áreas tradicionais de ocupação. Essas tentativas se deram num contexto da exploração extrativista e do funcionamento de empreendimentos seringalistas na região do Jaú.

O livro também aborda sobre a percepção do domínio exercido por essas famílias na localidade ao ponto das pessoas de fora da comunidade passarem a designar o local, com base num viés racial, indicativo também de uma classi­ficação social, utilizando termos como “rio dos pretos”, “rio da pretalhada”, “pretos do Paunini” e “Tambor dos pretos”.

Esta é a terceira obra de João Siqueira. Ele já publicou, em 2016, o livro “Uma doença, diversos olhares: representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus” e também uma obra acerca dos trabalhadores rurais no Tarumã-Mirim em parceria com outros autores. O autor destaca o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) na etapa de elaboração da pesquisa. “Quero  fazer o devido agradecimento à Fapeam pelo apoio recebido. Vale destacar que, por meio de seus programas e bolsas, esta Instituição tem apoiado os pesquisadores e contribuído  ativamente para o desenvolvimento da pesquisa no Estado do Amazonas”, disse o antropólogo.

Sobre o autor – Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), João Siqueira possui mestrado interinstitucional em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia – programa resultante de parceria entre a Ufam, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e é doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense-UFF.

Ele trabalhou como professor na UFAM no período de 2000 a 2002, em seguida, atuou como pesquisador da área de Antropologia na Fundação Estadual de Política Indigenista (Fepi-AM). A partir de 2004, Siqueira passou a integrar o corpo docente na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde permaneceu até meados de 2011. Em 2006, o autor ingressou no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e atualmente, está vinculado à Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário do Amazonas (DFDA), atuando como antropólogo e analista em desenvolvimento e reforma agrária.

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon da Fapeam.

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