| Em 09/04/2025

Novo CEPID pretende orquestrar ações de diferentes setores para solucionar grandes desafios globais

Centro foi constituído com o propósito de transformar desafios globais em oportunidades para a chamada inovação radical (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Foi lançado na segunda-feira (31/03) o primeiro Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) sediado na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Denominado CEPID Bridge: Gestão de Ecossistemas para Transições Sustentáveis, seu objetivo será desenvolver metodologias e tecnologias inovadoras para o enfrentamento de desafios globais, como a urgência climática, a desigualdade e a desindustrialização, a partir da gestão dos ecossistemas.

“Desafios complexos exigem uma multiplicidade de conhecimento e envolvem diferentes atores, como governo, organizações privadas, ONGs e academia. Geralmente, essa interação é pouco eficaz, seja para a formulação de políticas públicas, seja para o desenvolvimento de soluções inovadoras, pois falta um trabalho coordenado para integrar os diferentes stakeholders. Nosso objetivo é justamente criar pontes entre esses diferentes atores. Queremos atuar orquestrando suas ações, no intuito de criar mecanismos e ferramentas que possam levar conhecimento para a sociedade e estimular o surgimento de startups e inovações”, contou José Afonso Mazzon, professor da FEA-USP e coordenador do centro.

O grupo de pesquisa Bridge (acrônimo para Building Radical Innovation and Disruption for Global Ecosystems) surgiu em 2019 vinculado ao Centro de Pesquisa e Inovação Inova USP. Foi fundado pelos professores da FEA Leonardo Augusto de Vasconcelos Gomes e Felipe Mendes Borini. A iniciativa visava a formação de um consórcio para desenvolver uma nova geração de metodologias e ferramentas para a gestão da inovação e empreendedorismo no contexto de ecossistemas – palavra emprestada da biologia e utilizada no campo da administração para se referir a ambientes que promovem articulações entre diferentes atores em prol da inovação.

Aprovado no edital da FAPESP, o Bridge ganhou o status de CEPID, constituído com o propósito de transformar desafios globais em oportunidades para a chamada inovação radical. “Assim como os ecossistemas naturais, que dependem de equilíbrio, o desenvolvimento de soluções globais nos diferentes ecossistemas empresariais também envolve um esforço coletivo. Vamos aplicar esse conceito de ecossistemas de forma profunda, buscando não apenas soluções tecnológicas, mas também de governança para uma sociedade mais sustentável e inclusiva”, afirmou Mazzon durante a cerimônia de lançamento.

Vale destacar que, além de o novo CEPID ter como objetivo estimular a difusão do conhecimento e da inovação, ele também é inovador por si só, pois se utiliza de abordagens e metodologias novas para a gestão de ecossistemas. Dessa forma, busca identificar carências nos ecossistemas, como a falta de dados sobre um evento climático ou dificuldades de articulação entre diferentes atores, para então gerar tecnologias e inovações.

“Trata-se de uma iniciativa inovadora, que procura mudar o panorama da ciência e da sociedade em geral. A importância deste CEPID está no uso da ciência, da tecnologia e da inovação para o enfrentamento dos grandes desafios globais”, afirmou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

O Bridge é um dos 25 CEPIDs em atividade no momento. O programa, que já completou 25 anos, financia centros de pesquisa multidisciplinares, que cobrem um amplo espectro de conhecimento. “O Bridge se agrupa com outros quatro CEPIDs na área de humanidades, que, com outros dois CEPIDs da área de ciência da vida, fazem parte das estratégias da FAPESP para financiar pesquisas que tenham como foco a formulação de políticas públicas”, ressaltou Zago.

Carlos Gilberto Carlotti Jr., reitor da USP, revelou que o novo centro de pesquisa desenvolverá manuais, softwares e plataformas de aprendizado, além de programas de aceleração de startups e transferências de conhecimento.

“O Bridge integra uma rede de colaboração que inclui instituições como Unicamp [Universidade Estadual de Campinas], FEI [Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros] e FGV [Fundação Getúlio Vargas], além de parcerias internacionais com as universidades Oxford, Cambridge, Sussex [as três no Reino Unido] e Texas [Estados Unidos]. A expectativa é que o centro contribua para o papel das universidades, especialmente da USP, ao conectar diferentes atores da sociedade, entre eles a academia e o governo, para promover soluções aos grandes desafios sociais, ambientais e de inovação na atualidade”, disse Carlotti Jr., em um vídeo gravado especialmente para a cerimônia de lançamento.

Fonte: FAPESP (Por: Maria Fernanda Ziegler/ Agência FAPESP)

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