| Em 04/06/2025

Livro sobre plantas medicinais em comunidades quilombolas do Tocantins é resultado de projeto financiado pela FAPT e SES-TO

Obra reúne os conhecimentos compartilhados por importantes lideranças comunitárias, em especial pelas mulheres mais velhas, verdadeiras guardiãs da tradição botânica local. (Imagem: Divulgação/ FAPT)

O Governo do Estado do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins (FAPT) e em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), financiou o projeto “Etnofarmacologia, Etnobotânica e Fitoterapia em Comunidades Tradicionais do Tocantins”, coordenado pelo pesquisador Raphael Sanzio Pimenta. A iniciativa resultou na publicação de um livro que valoriza os saberes tradicionais e destaca a profunda relação cultural e terapêutica entre as comunidades quilombolas e o uso de plantas medicinais.

Intitulada “Saberes Ancestrais e Ciência: Plantas Medicinais dos Quilombos Mumbuca e Prata”, a obra reúne os conhecimentos compartilhados por importantes lideranças comunitárias, em especial pelas mulheres mais velhas, verdadeiras guardiãs da tradição botânica local. O livro é assinado por Raphael Sanzio Pimenta, Mônica Silva Ribeiro, Antoninho Alves de Sousa, Diomar Ribeiro Silva Gomes, Domingas Ribeiro de Sousa, Laurita Batista Barbosa, Lení Francisca de Sousa, Maria Francisca da Silva, Noeci Ribeiro de Sousa, Noemi Ribeiro da Silva, Rosirene Ribeiro Rocha e Juliana Fonseca Moreira da Silva.

A publicação evidencia o papel essencial das plantas medicinais nas práticas de cura dos quilombolas, além de promover um diálogo entre o conhecimento científico e os saberes ancestrais. Ao valorizar o conhecimento tradicional, o estudo contribui para a preservação da identidade cultural e para o fortalecimento de práticas sustentáveis de cuidado com a saúde, profundamente enraizadas na vivência com o meio ambiente.

De acordo com Raphael, durante o projeto também foi realizada uma expedição ao Jalapão, que dará origem a um documentário. Além disso, ocorreram atendimentos de saúde nos dois quilombos, com emissão de laudos e receitas médicas, bem como um trabalho de campo que resultará artigos científicos. O pesquisador destaca a importância do apoio da FAPT durante todo o processo.

“Só conseguimos realizar esse trabalho nos quilombos Mumbuca e Prata graças ao apoio e financiamento da FAPT. O projeto foi aprovado por meio de edital e, com ele, pudemos desenvolver diversas ações relevantes nas comunidades. Entre elas, destaco a parceria com uma estudante quilombola do curso de Biologia da UFT, Mônica Silva Ribeiro, que resultou na publicação desse livro com tiragem de 2 mil exemplares. Toda a renda obtida com as vendas será integralmente revertida para o benefício dos próprios quilombolas. Um aspecto muito especial é que todos os participantes do projeto, que compartilharam suas histórias e conhecimentos sobre plantas medicinais, também assinam como coautores da obra. Esse livro representa uma forma de preservar saberes ancestrais que corriam o risco de se perder, agora materializados por escrito.”

O projeto foi contemplado pelo Edital Saúde FAPT/SES-TO nº 01/2023, voltado ao apoio financeiro de pesquisas que contribuam para a qualificação da atenção à saúde no Tocantins. A iniciativa representa um passo importante no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (CT&IS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com os seguintes objetivos específicos:

  • Propor instrumentos de gestão para a política pública de pesquisa em saúde;
  • Identificar problemas de saúde que demandem soluções baseadas em conhecimento científico e tecnológico;
  • Direcionar os investimentos em CT&IS para qualificar os serviços de saúde;
  • Fortalecer o sistema de saúde e o ecossistema de CT&IS no Tocantins, por meio de ações intersetoriais.

A obra é uma leitura essencial para pesquisadores, profissionais da saúde e todos aqueles interessados em compreender a riqueza dos saberes tradicionais e seu impacto na saúde coletiva e na valorização da cultura quilombola e pode ser acessado aqui.

Fonte: FAPT (Por: Raquel Oliveira/ Governo do Tocantins)

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