| Em 12/08/2019

Insumo retirado da casca do cupuaçu oferece alternativa sustentável para indústria Amazonas

Foto: Rannier Marques.

Polímeros são materiais orgânicos, macromoléculas formadas pela união de unidades estruturais menores (chamados de monômeros). Conhecido, popularmente, como plásticos, os polímeros também podem ser representados pelas borrachas e outros tipos de polímeros que são encontrados na natureza, como, por exemplo, amido, celulose, lipídios e proteínas.

Uma pesquisa científica, com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida pelo doutor em Ciência e Engenharia de Materiais, Rannier Mendonça, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), teve como objetivo identificar compostos orgânicos presentes na casca do cupuaçu (Theobroma grandiforum), fruto típico da região, para efeito de retardamento de cura do poliéster, para futuramente serem utilizados comercialmente como retardantes “verdes”.

Segundo o pesquisador, o poliéster é muito utilizado na indústria automobilística e naval para a confecção de peças e cascos de embarcações. Alguns desses produtos possuem dimensões ou geometrias que necessitam de um tempo maior de manuseio da resina (polímero no estado líquido antes do processo de endurecimento), sendo necessário adicionar um insumo químico chamado de retardante de cura, conforme explica Rannier.

A ideia da pesquisa foi entender como a casca do cupuaçu reage quimicamente com a resina poliéster insaturada, retardando esse endurecimento. “Ao adicionar a casca de cupuaçu na resina poliéster insaturada, a mesma demorou a finalizar o processo de cura, o que nos levou a investigar o motivo. A cura do polímero trata-se dos processos reacionais entre os componentes poliméricos (chamados de monômeros), que, depois de seu total consumo e formação de novas ligações químicas, possibilita que esse polímero permaneça no estado físico sólido,” contou.

Alternativa sustentável – Conforme o pesquisador, os principais retardantes utilizados hoje são materiais tóxicos e gerados de fontes não renováveis, além de serem muito caros. Com o projeto, além de oferecer uma nova alternativa para a indústria com o insumo mais barato, sem riscos ao operador e de fontes renováveis também garante a geração de emprego e renda para as comunidades produtoras de cupuaçu, que desperdiçam a casca do fruto.

“Normalmente, a casca é jogada em aterros sanitários, poluindo o meio ambiente, ou transformada em adubo. Ou seja, não existe valor econômico algum. Com a comprovação desse trabalho, foi possível incorporar valores tecnológicos que permitem que um produto descartado possa ser revertido como algo de valor, portanto gerando renda aos produtores”, conta o pesquisador.

O retardante de cura é um tipo de inibidor que prolonga o tempo de trabalho do polímero antes de entrar no estado de gel. Na resina poliéster, o retardante tem a propriedade de doar um átomo de hidrogênio para a reação, diminuindo a concentração de radicais livres gerados pelo catalisador. Portanto, desacelerando, inicialmente, as uniões entre os meros.

Universal Amazonas – O estudo recebeu apoio por meio do Programa Apoio à Pesquisa (Universal), que tem como objetivo conceder aporte financeiro para atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.

Fonte: Comunicação Fapeam.

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