| Em 29/04/2015

Hipertensão é tema de pesquisas para o SUS em Alagoas

Em 2013, a porcentagem de alagoanos afetados pela hipertensão já era de 19%, contribuindo para o total de 31 milhões entre os brasileiros (21% da população do país), de acordo com dados da Pesquisa Nacional em Saúde (PSN), do IBGE. Para disseminar mais informações a respeito desse mal crônico e estimular as pessoas a procurar tratamento, foi instituído o 26 de abril como Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.
No Brasil, 70% dos hipertensos dependem da rede pública de saúde. Em Alagoas, uma das ações que vem contribuindo para que o Estado apresente uma incidência dois pontos percentuais abaixo da média nacional é o Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em Saúde (PPSUS), uma parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com recursos das duas instituições e do Governo Federal.
O PPSUS iniciou suas pesquisas em Alagoas em 2001, e a partir de 2003 foram financiados cinco projetos na área, cada um com duração de dois anos. Atualmente, dois ainda estão em execução. Um deles, coordenado pela farmacêutica e doutora em Nutrição Sabrina Felizardo Neves, ligada à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é voltado para a saúde familiar na cidade de Maceió e deve ser concluído até o final deste ano.
O outro trata do consumo e práticas alimentares dos hipertensos, pois esses são fatores de riscos passíveis de modificação. A líder da pesquisa, a nutricionista e doutora em Biotecnologia Sandra Mary Vasconcelos, trabalha com hipertensos por meio do Programa há pelo menos 12 anos, já tendo realizado três pesquisas voltadas a aspectos diversos da convivência dos pacientes com a doença, como alimentação, prevenção e estilo de vida.
Resultados
Em 2009, um desses estudos teve seus resultados incorporados às práticas da rede de saúde pública no Estado. Voltado para risco cardiovascular e fatores dietéticos de proteção e atividades de promoção à prática alimentar saudável em mulheres a partir dos 60 anos de idade, o estudo ofereceu subsídios importantes para a reestruturação da atenção à saúde de idosos e pessoas com hipertensão arterial e diabetes na Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, especialmente na área de Promoção da Saúde.
Focadas na atenção básica, as pesquisas do PPSUS costumam dar um cuidado especial aos aspectos preventivos. E para disseminar ainda mais essas descobertas e orientações, as pesquisas da nutricionista Sandra Vasconcelos e seus alunos bolsistas da Fapeal já renderam dois livros de conteúdo lúdico, “…3,4 feijão com arroz no prato” (2011) e “…Pra Fazer Farofa-fá!” (2013). Os livros foram lançados pela Edufal e há mais um no prelo.
Além dos livros e resultados disponibilizados para os gestores das secretarias municipais e estadual da Saúde, as pesquisas do PPSUS também geram artigos científicos, dissertações de mestrado e trabalhos de conclusão de curso.
Em Alagoas
Apesar de termos menos hipertensos relativamente, ainda de acordo com o IBGE (2014), 13% dos alagoanos referem consumo elevado de sal, o índice mais alto entre os estados do Nordeste, cuja média é de 10%. Sandra Vasconcelos explica que o grande vilão desta história é mesmo o sal, mas a população ainda não tem orientação suficiente a respeito do principal fator responsável pela pressão alta: a alimentação.
É comum, por exemplo, o consumo do “sal oculto”, aquele sódio que é componente de outra substância, utilizada em produtos processados, como o ciclamato de sódio presente em alguns adoçantes, e muitas vezes a população nem desconfia.
A cultura alimentar é responsável ainda por outros comportamentos nocivos. “Muitos hipertensos estão abandonando as raízes por bolachas diet e light, com base em conceitos errados”, alerta a pesquisadora. “Inhame, macaxeira e batata doce são muito mais relevantes para a nutrição e fazem parte da nossa história”, conclui Sandra Vasconcelos.
Fonte: Naísia Xavier  – Ascom Fapeal

Leia também

Em 16/10/2026

Fapesc, CNPq e CAPES lançam chamada pública voltada à fixação de doutores em Santa Catarina

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) lançou, em 23 de setembro, o Edital de Chamada Pública 55/2026, que destinará até R$ 39,3 milhões ao apoio de projetos de pesquisa voltados à atração e à permanência de pesquisadores doutores em instituições de ensino superior de Santa Catarina. Realizado […]

Em 15/10/2026

Pesquisa estuda como a genética pode influenciar o tratamento da leucemia infantil

Uma pesquisa desenvolvida no Paraná busca entender como as características genéticas de crianças e adolescentes com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) podem influenciar a resposta à quimioterapia. O estudo pretende identificar variações no DNA associadas tanto à eficácia do tratamento quanto ao desenvolvimento de efeitos colaterais graves, contribuindo para tratamentos mais seguros e personalizados.  Coordenado pela […]

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]