Uma verdadeira aula sobre o atual cenário legal e político da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil. Assim pode ser resumida a palestra proferida nesta segunda-feira (21/03), pela presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, na aula inaugural do ano letivo 2016 da Fiocruz Pernambuco. Tendo como tema “O novo marco legal da CT&I: expectativas e perspectivas da comunidade científica”, Nader traçou um breve panorama sobre como se encontra a Ciência e a Inovação do País em rankings internacionais. (Você pode acessar os slides sobre a produção científica utilizados na sua apresentação clicando no link no final da matéria).
Contextualizando a produção, a inovação, o financiamento, o Marco Legal, os vetos feitos ao projeto de lei e a sua regulamentação, a dirigente da SBPC deixou claro o quão importante é este momento para a modernização e incremento da CT&I brasileira. Para começar, Nader mostrou a sua indignação com alguns setores da mídia e também da comunidade científica, que costumam desmerecer a ciência produzida no País. Ela também expôs dados sobre a produção científica indexada, que foram divulgados no Journal of Citation Reports (JCR), uma publicação que congrega vários periódicos com enfoque mais restrito. De acordo com o JCR, o Brasil, em 2013, produziu 2,7% da produção cientifica mundial (em 1995 produzíamos 0,35%). Desde 2014, o País ocupa o 13º lugar tanto em produção quanto em citação. Evidenciando uma série de informações, ela afirma que “já não dá mais para a ciência brasileira aceitar o “complexo cachorro vira-lata”, uma vez que os dados dizem o contrário.
Entre alguns aspectos ressaltados na sua apresentação, chamou a atenção para o crescimento das publicações em todas as áreas do conhecimento. Outra questão colocada foi o grande número de trabalhos publicados por cientistas mulheres, mas com a ressalva de que poucas citam outras mulheres. “Creio que temos que refletir sobre o porquê dessas cientistas darem mais importância ao que falam os homens”, provocou.
Para a presidente da SBPC, mesmo num cenário de crise econômica como o que se encontra o Brasil na atualidade, cortar recursos da educação e da ciência é “dar um tiro no pé”. “A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências são frontalmente contra retirar qualquer recurso dos Periódicos Capes; se tem alguma coisa tão valiosa quanto o Programa Bolsa Família, e eu diria com o impacto ainda maior de igualar o Brasil de norte a sul, é o Periódicos Capes”, afirmou com veemência.
Por fim, conclamou o público a se posicionar e cobrar medidas como o acesso mais fácil ao Periódicos Capes – que agora só pode ser acessado via portal – e enfatizou a todos que pressionassem seus deputados federais e senadores para que os mesmos votem na derrubada dos vetos atribuídos ao marco regulatório.
Slides apresentação Helena Nader
Fonte:Fiocruz PE