| Em 10/11/2014

Há 80 anos o mundo perdia Carlos Chagas

Em 8 de novembro de 1934, Carlos Chagas encerrava sua contribuição como sanitarista, bacteriologista e pesquisador, mas seus estudos ainda contribuem para o bem-estar de milhares de pessoas. Especializado em doenças tropicais, como a malária, Carlos Chagas trabalhou com outro grande sanitarista, Oswaldo Cruz.

O processo de descoberta da Doença de Chagas foi anunciado em 1909, mas começou em 1907, quando Carlos Chagas chegou a Lassance, norte de Minas Gerais, com a missão de combater a malária entre os trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil. A descoberta foi considerada inédita porque contemplou todos os ciclos da doença: o agente etiológico Trypanosoma cruzi e seu ciclo evolutivo; o inseto vetor, o barbeiro, e seus hábitos de vida; os reservatórios domésticos, compostos por gatos; e a patologia – a Doença de Chagas.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, estima-se que existam entre dois e três milhões de indivíduos infectados no país. No entanto, nos últimos anos, a ocorrência de Doença de Chagas aguda tem sido observada em diferentes estados, em especial na região da Amazônia Legal, principalmente, em decorrência da transmissão oral.

Pesquisadores de hoje

Ao contrário dos grandes vultos da ciência, os pesquisadores contemporâneos lutam para ter reconhecido o objeto e suas áreas de estudos. É o caso da bióloga especializada em parasitologia, Ângela Pinto Dias, que trabalha desde 2004 da regional nordeste da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Ela se dedica à pesquisa do molusco Achatina fulica, também conhecido como caramujo gigante ou africano. O molusco é vetor de parasitoses que foram descobertas a pouco tempo, a Angiostrongiliase abdominal, que pode causar perfuração intestinal e até peritonite, e a Angiostrongiliase meningoenceálica – causadora da meningite eosinofílica. De acordo com Ângela, a classe médica e a população em geral ainda sabe muito pouco sobre esse molusco. “Fazemos uma coleta mensal dos moluscos da minha regional e mantemos um certo controle sobre eles. Como sou a única bióloga em BH que desenvolve esse tipo de pesquisa, muitas vezes falta incentivo e apoio de colegas, embora as chefias me apoiem muito”, desabafa.

A bióloga acredita que ainda falta muito incentivo ao trabalho dos pesquisadores em Minas e no Brasil e defende a divulgação como parte desse trabalho. “Muitas vezes passamos anos pesquisando um tema que pode ser desconhecido para a sociedade, mas que ao final da pesquisa trará grande benefício a todos. Precisamos fazer com que a sociedade conheça este processo”, defende.

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