O Grand Challenges Explorations é uma iniciativa que visa estimular soluções inovadoras e não convencionais em saúde global e desenvolvimento. Nesta 14ª rodada, a única brasileira selecionada foi a Dra. Zilma Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto pretende criar um aparelho portátil, simples e de baixo custo que utilizará luz de LED para medir a espessura da epiderme e a concentração de queratina na pele do recém-nascido “Com esse processo não-invasivo, esperamos detectar a idade do bebê de maneira mais precisa que os métodos convencionais”, afirma Zilma.
Atualmente, são utilizadas duas formas de medir a idade gestacional: via ultrassom ou por meio de um teste clínico ao nascimento. Segundo Zilma, além do ultrassom ser um exame que pode não ser acessível a todas as mães durante o pré-natal, ele ainda possui um erro de até 3 semanas que pode ser prejudicial para a saúde do bebê “A correta datação da gestação no nascimento é o principal marcador de prognóstico para saúde e sobrevida do recém-nascido”, comenta a pesquisadora. Ao final de um ano e meio, a cientista terá um protótipo produzido em impressora 3D para testar os benefícios do novo aparelho e compará-lo com as técnicas já existentes.
Desde sua primeira edição, em 2008, o Grand Challenges Explorations já selecionou 4 projetos mineiros. O primeiro foi o engenheiro mecânico da UFMG, Antônio Ávila. Em 2009, ele criou uma fossa biodegradável que se transforma em fertilizante para o solo quando está cheia. Em 2013, o também engenheiro mecânico Ricardo Capúcio, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), usou os 100 mil dólares para produzir uma máquina leve, fácil de usar e específica para mulheres agricultoras que é capaz de plantar até duas culturas ao mesmo tempo. Em 2014, o geógrafo e educador Bernardo Oliveira, também da UFMG, foi um dos 12 financiados pelo primeiro Grand Challenges criado especificamente para cientistas brasileiros. Lançado em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), o Grandes Desafios Brasil: Prevenção e Manejo de Partos Prematuros buscou soluções inovadoras para entender as causas dos nascimentos prematuros e tratar suas consequências. Oliveira planejou e lançou em abril deste ano uma exposição itinerante e interativa para valorizar o parto normal e reduzir o número de cesáreas desnecessárias.
Nesta 14ª foram cerca de 1.800 inscritos e deste, um total de 52 projetos aprovados de 19 países vão receber 100 mil dólares, e outros 5 foram escolhidos para receber os recursos extras. O investimento na pesquisa da Dra. Zilma terá contrapartida da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). A próxima rodada do programa deve ser aberta em setembro. Os candidatos aos desafios podem ter qualquer nível de experiência, em qualquer área do conhecimento e ser de qualquer organização, incluindo instituições de ensino e pesquisa, universidades, laboratórios do governo, ONGs e companhias que visem ao lucro. No Brasil, o programa é implementado em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 17 estados, inclusive da FAPEMIG. Elas oferecem financiamento adicional para transformar ideias inovadoras em soluções para graves problemas mundiais.
Fonte: Assessoria da FAPEMIG