| Em 01/07/2015

Games para autistas: conectando mundos

A tecnologia encurta distâncias. Não apenas as distâncias físicas e territoriais. A tecnologia também é capaz de reunir diferentes realidades. Um exemplo disso é a pesquisa coordenada por Alberto Raposo, professor do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Junto a um grupo de estudantes de mestrado e doutorado, Raposo vem desenvolvendo games para que crianças e jovens autistas, conhecidos por se fecharem em universos particulares, passem a se fixar mais na realidade, estimulando sua capacidade de interação com outras pessoas e desenvolvendo a comunicação e outras habilidades, como fala e leitura. Os subsídios recebidos do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologias Assistivas, da FAPERJ, têm auxiliado a equipe a aprimorar um jogo já desenvolvido anteriormente e, a partir daí, com a assessoria dos funcionários do Instituto de Pesquisa Ann Sullivan (www.institutoannsullivan.org.br) – voltado para o atendimento, capacitação e pesquisa em inclusão social de pessoas portadoras de autismo – criar um game inteiramente novo.

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O jogo, ainda em desenvolvimento, poderá ser jogado em tablets ecelulares e dará ao profissional que trabalha com crianças e jovens autistas diversas opções de brincadeiras. O propósito do game é que o terapeuta, o professor ou até mesmo os pais dos autistas escolham as opções que mais se encaixem às necessidades e às preferências de cada um. Por exemplo, se o objetivo for desenvolver ou avaliar o raciocínio lógico, pode-se escolher um quebra-cabeças. Se, por sua vez, o intuito for o de explorar a habilidade de sequenciamento, poderá ser escolhida uma história em que a criança precise concluir com a opção mais adequada. “Além das possibilidades de jogos, também pensamos em colocar diferentes imagens, para despertar um maior interesse do autista. Podem ser selecionados gatos, cachorros, leões, entre outras diversas opções”, conta o professor.

Um outro game, ainda em fase de aprimoramento, utiliza uma mesa touchscreen e visa estimular principalmente a capacidade de comunicação entre autistas. No aplicativo, duas crianças ou jovens precisam vestir um jogador de futebol com o uniforme do time (camisa, calção, chuteiras e meião), mas só conseguem cumprir a tarefa se ambos colaborarem entre si e, por meio de comunicação, mantiverem o timing. Um deles fica responsável por escolher as peças do uniforme e colocá-las em um cesto para que, do lado oposto, o outro as recolha e posicione para vestir o personagem. Se houver desencontro entre os dois participantes, não se passa à fase seguinte. “Essa necessidade de sincronismo faz com que os jogadores tenham que se comunicar entre si e, mais do que isso, colaborar um com o outro, comportamento que os autistas não costumam ter. A prática pode contribuir para que eles desenvolvam mais a fala, as capacidades cognitivas e a interação social”, explica Raposo. Para aprimorar o game, os desenvolvedores colocaram uma voz ao fundo, que descreve o que está acontecendo e incentiva os participantes.  

Segundo Raposo, a previsão é de que até o final de 2015 esses games já estejam prontos para teste e avaliação. “Depois de prontos, os jogos passarão pela análise de profissionais do Ann Sullivan, assim como de mães e pais com filhos autistas, para avaliarmos e procedermos a possíveis pequenas alterações”, entusiasma-se Raposo. E acrescenta: “Tenho certeza de que todos eles serão uma ótima contribuição ao desenvolvimento e interação dessas crianças.”

 

Fonte: Assessoria da FAPERJ

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