| Em 14/03/2018

Fundo de Ciência e Tecnologia da Amazônia é defendido em aula inaugural da Pós-graduação em Medicina Tropical da FMT

A criação do Fundo de Ciência e Tecnologia (C&T) da Amazônia foi defendida pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Val, durante aula inaugural do curso de Pós-graduação em Medicina Tropical, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). O evento ocorreu na manhã desta segunda-feira (12), no auditório da FM-HVDT e contou com a participação do diretor-técnico científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Dércio Reis.

Atualmente, a Amazônia contribui com 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em contrapartida, a região recebe apenas 3% de investimento em Ciência, Tecnologia e Educação. Atrelado a isso, os investimentos em C&T, nos últimos anos, sofreram queda considerável. No ano passado, os números chegaram a patamares inferiores aos do início dos anos 2000.

Num cenário mais amplo, todos os países compreendidos pelo bioma são afetados pelo desmatamento, o que amplia a preocupação em relação ao futuro da região.  Portanto, o pesquisador defende que a responsabilidade sobre a região precisa ser compartilhada e nesse contexto, a criação do Fundo de Ciência e Tecnologia (C&T) da Amazônia seria um importante caminho. “É preciso conjugar capacitação de alto nível com financiamento de pesquisa de longo prazo e, portanto, o Fundo contribuiria neste processo de criação de fontes de financiamento”, ressaltou Adalberto Val.

Segundo ele, há iniciativas importantes, nesse sentido, como as ações desenvolvidas pela Fapeam, contudo, é necessário ampliar o leque. “O papel da Fapeam é extremamente importante em apoiar as pesquisas científicas que estão envolvidas nesse processo e vem a realizar a capacitação desse imenso contingente de pessoas. Para nós é um esforço grande, mas para as dimensões da Amazônia é uma sementinha e precisamos ampliar isso de forma radical”, frisou o pesquisador, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Adaptações da Biota Aquática na Amazônia (INCT Adapta /MCTIC/Inpa).

Em sua explanação, Adalberto Val destacou ainda a necessidade de criação de um Data Center da Amazônia. A finalidade seria subsidiar políticas públicas e novas pesquisas que respondam aos anseios da população e resultem  no desenvolvimento de novas tecnologias de maneira a contribuir com a inclusão social e a geração de emprego e renda. “O futuro da Ciência está nas mãos de pessoas como os mestrandos e doutorandos da Pós-graduação em Medicina Tropical”. Para ele, “é preciso colocar a Ciência a serviço da humanidade, o que significa: pensar localmente e agir universalmente”.

Contribuição da FMT em C&T
O diretor da Fundação de Medicina Tropical, Dr. Marcus Guerra, destacou o trabalho desempenhado pela FMT no sentido de desenvolver expertise que possa garantir melhor qualidade de vida para a população da região. Ele fez questão de frisar o avanço da Fundação no desenvolvimento de pesquisas em áreas Malária, Hepatite e mais recentemente, a formação de grupo voltada à investigação do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). No entanto, lamentou iniciativas tomadas para a construção de empreendimentos que não levam em consideração os conhecimentos gerados e por isso, produzem sérios danos à população e ao meio ambiente.

Na opinião do coordenador da Pós-graduação em Medicina Tropical, Dr.  Wuelton Monteiro, é inquestionável a contribuição do  curso, desde sua criação em 2002, para a evolução da pesquisas na área de saúde do Estado. O aumento considerável do número de doutores, que ingressaram em instituições de ensino e pesquisa, e a criação de novos grupos com diferentes linhas de investigação são apontados como resultados positivos.

Para ele, o fato do curso funcionar em uma instituição que agrega assistência e ensino&pesquisa será de suma relevância para os 21 novos alunos do Mestrado e os 10 do Doutorado em Medicina Tropical, uma vez que essa condição serve para nortear as decisões sobre as pesquisas.   O coordenador tem expectativas positivas em relação aos novos pós-graduandos, sobretudo, por se tratarem de profissionais já com experiência em suas áreas específicas e que, segundo ele, têm muito a contribuir.

Monteiro ressaltou ainda, o papel da Fapeam no financiamento de pesquisas e concessão de bolsas de mestrado e doutorado para alunos do curso. “A Fapeam tem sido uma grande parceira neste caminho”, frisou. A mesma opinião sobre o papel da Fundação de Amparo à Pesquisa  é compartilhada pela mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Camila Fabri, que está iniciando o terceiro ano no Doutorado. “Parte do Doutorado fiz no Instituto Pasteur, na França, por meio de financiamento com a Fapeam”, comenta a doutoranda, que destaca a relevância dessa oportunidade concedida pela Fapeam para o desenvolvimento de sua pesquisa.

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon da Fapeam.

Leia também

Em 20/04/2026

Governador do Tocantins nomeia Gilberto Ferreira como presidente da Fapt

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, nomeou Gilberto Ferreira dos Santos como novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins (Fapt). Ele assume o cargo após atuar como vice-presidente executivo da instituição, reforçando a continuidade das ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Estado. Servidor efetivo […]

Em 20/04/2026

Valdir Cechinel Filho é o novo presidente da Fapesc

O professor Valdir Cechinel Filho, atual vice-diretor presidente da Fundação Univali e vice-reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), foi indicado pelo governador Jorginho Mello como novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Ele substitui Fábio Wagner Pinto, que assumiu a Secretaria de Ciência, Tecnologia […]

Em 20/04/2026

Governo de Minas investe em pesquisas para a prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

Gerar conhecimento e oferecer tratamentos e aconselhamento à população é o trabalho do Centro Multiusuário de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) do Centro-Oeste, no campus Divinópolis da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).  Ao todo, mais de R$ 5,4 milhões já foram destinados às atividades do Centro pelo Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à […]

Em 17/04/2026

Startup desenvolve kit teste rápido para identificar picada de cobra

No Brasil, existem quatro gêneros de serpentes peçonhentas. São elas as responsáveis pelos quase 30 mil acidentes ofídicos que ocorrem, em média, a cada ano no País, especialmente na região amazônica, ocasionados, na maioria dos casos, por jararacas. Os quatro gêneros – Bothrops (jararacas, urutus), Crotalus (cascavéis), Lachesis (surucucus) e Micrurus (corais-verdadeiras) – podem causar […]