| Em 17/07/2025

FAPERN apoia pesquisa inovadora sobre fitocanabinoides no ICe/UFRN

A coordenadora da CAAP/FAPERN, Michelle Varela, realizou visita de acompanhamento ao laboratório do ICE e dialogou com Claudio Queiroz, responsável pela pesquisa, Sérgio Ruschi, técnico em Química, e a vice-diretora do Instituto do Cérebro, Bernadete Souza. (Foto: Ellen Moraes)

O projeto “Ampliação da farmacopeia baseada na cannabis: um estudo pré-clínico do potencial terapêutico de fitocanabinoides ‘menores’ em distúrbios neurológicos”, coordenado pelo professor Claudio Queiroz, foi um dos quatro selecionados no Edital nº 16/2022 da Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (FAPERN). A iniciativa visa fortalecer o desenvolvimento científico, tecnológico e inovador relacionado à utilização da Cannabis sativa para fins terapêuticos e industriais no estado.

A pesquisa possibilitou resultados significativos e imprescindíveis para o estudo com fitocanabinoides, além de ter papel fundamental na criação do LACCA – Laboratório de Cultivo de Cannabis do Instituto do Cérebro (ICE/UFRN), o primeiro do RN voltado à produção e desenvolvimento de fitocanabinoides para uso científico. O foco central do trabalho é padronizar o cultivo da planta e aprimorar a extração do canabidiol (CBD), a fim de garantir eficácia terapêutica e segurança nos compostos derivados.

Segundo o professor Claudio Queiroz, o estudo nasceu a partir da constatação preocupante de que amostras de medicamentos à base de cannabis usados por pacientes no Brasil apresentavam ausência total do princípio ativo que deveria produzir efeitos. Ou seja, pacientes estavam recebendo placebo.

“Queremos criar um padrão para cultivar e desenvolver a maconha de forma segura, garantindo a qualidade da extração do canabidiol, para que ele atue de fato nos neuroreceptores. A FAPERN foi fundamental para o início da pesquisa, porque o financiamento de R$ 65 mil permitiu a aquisição dos padrões analíticos necessários para os estudos, além dos equipamentos que serão essenciais para a continuidade do projeto no Instituto do Cérebro”, explica o coordenador.

Com base no investimento da FAPERN, a equipe está desenvolvendo métodos para isolar e investigar fitocanabinoides “menores”, compostos menos conhecidos da planta, mas com grande potencial terapêutico para tratar distúrbios neurológicos como epilepsia refratária, Parkinson, Alzheimer, dores crônicas, distúrbios do sono e quadros de ansiedade. O projeto está inserido em um campo de pesquisa inovador e estratégico para o Brasil, contribuindo para a construção de uma farmacopeia nacional baseada em evidências científicas, que possa, futuramente, oferecer suporte à produção pública de medicamentos mais seguros.

Para o diretor-presidente da FAPERN, Gilton Sampaio, o investimento no projeto tem importância estratégica para a sociedade. “Esse projeto mostra o compromisso da FAPERN com o desenvolvimento científico que gera impacto direto na vida das pessoas. Investir em pesquisas sobre fitocanabinoides é apostar em soluções baseadas em evidências, que podem transformar a realidade de milhares de pacientes no nosso estado e no país”, ressalta.

A vice-diretora do Instituto do Cérebro e ex-presidenta da FAPERN, professora Bernadete Souza, destaca o significado da parceria: “Esse projeto é um dos que vínhamos desenvolvendo internamente e, como a ciência se constrói com base em parcerias, nesse contexto a FAPERN é muito bem-vinda e vem contribuindo enormemente com o estudo. Tenho certeza de que essa colaboração será um ganho enorme para o Instituto do Cérebro, para a FAPERN e, principalmente, para o estado do Rio Grande do Norte”, enfatiza.

Investimento público em pesquisas com Cannabis

O Edital nº 16/2022, que contemplou quatro propostas de pesquisa na área, foi o primeiro do tipo lançado no estado e contou também com recursos de emenda parlamentar da deputada Isolda Dantas. Ele representa um marco na atuação da FAPERN ao incentivar estudos de base científica e tecnológica sobre a cannabis.

O processo seletivo foi voltado a projetos em áreas prioritárias como Saúde, Agricultura, Alimentação, Biotecnologia, Ciências Humanas, Engenharia Química, entre outras, com foco na sustentabilidade, inovação e nas políticas públicas relacionadas ao uso medicinal e industrial da planta.

Para a coordenadora de Avaliação e Acompanhamento de Projetos da FAPERN, Michelle Varela, o apoio a pesquisas como essa demonstra a maturidade da FAPERN na condução de editais que integram ciência, inovação e responsabilidade social. “Nosso papel é garantir que os recursos públicos gerem conhecimento qualificado e contribuam efetivamente para políticas públicas sustentáveis e inclusivas”, completa.

Além do apoio direto à pesquisa, o edital também previu bolsas para estudantes de graduação e ensino médio, incentivando a formação de novos talentos científicos no RN. O financiamento, oriundo da própria FAPERN, de emendas parlamentares e do Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNDET), totalizou R$ 2.938.870,00.

A atuação da FAPERN no fomento a pesquisas como essa reforça seu papel no fortalecimento da ciência potiguar, ao investir em áreas emergentes que dialogam com demandas reais da sociedade. A criação do LACCA e os resultados da pesquisa coordenada por Claudio Queiroz já representam um salto qualitativo para o Instituto do Cérebro e colocam o RN na vanguarda dos estudos sobre cannabis medicinal no Brasil.

Com perspectivas futuras de parcerias com o SUS, a indústria farmacêutica e novos editais de fomento, o projeto se insere num movimento nacional e internacional de valorização da ciência como instrumento de transformação social. Nesse cenário, a continuidade da cooperação entre instituições como a UFRN e a FAPERN será essencial para consolidar o conhecimento produzido localmente e ampliar seus impactos para toda a população.

Fonte: FAPERN (Por: Ana Beatriz Vilar – Ascom/ FAPERN)

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