| Em 18/09/2014

FAPEAM recebe homenagem pelos serviços prestados à comunidade científica

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) foi uma das instituições homenageadas durante as comemorações dos 20 anos do Instituto de Pesquisas Leônidas e Maria Deane (ILMD). A programação contou com uma palestra intitulada ’20 anos de Fiocruz na Amazônia’, ministrada por ex-dirigentes da instituição. Na ocasião, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti/AM) também foi homenageada. O evento foi realizado na última terça-feira (16/09) e contou com a presença de políticos, militares, pesquisadores, estudantes, gestores e ex-dirigentes do Instituto.

Durante a homenagem, a diretora-presidenta da FAPEAM, Maria Olívia Simão, falou sobre a importância institucional da parceria com o ILMD ao citar o Programa Ciência na Escola (PCE), que ajudou a levar a pesquisa científica à educação básica. Maria Olívia também citou a especialização em Divulgação e Jornalismo Científico, realizada em parceria com o Instituto.

“Temos formado grandes comunicadores, que têm levado a ciência à sociedade e a comunicar de forma distinta a área de ciência, tecnologia e inovação. O ILMD sempre esteve disposto a nos ajudar e espero que essa casa tenha vida longa e possa contribuir para o desenvolvimento sustentável do Estado”, salientou Maria Olívia.

Vinte anos de Fiocruz/Amazônia

Sobre a palestra, em um clima informal e descontraído, os ex-dirigentes do ILMD falaram sobre suas percepções e as ações que contribuíram para a criação do Instituto em Manaus (AM) e não em outro estado do Norte, bem como os desafios que tiveram que superar. A agrônoma e pesquisadora da Fiocruz, Muriel Saragoussi, foi a primeira a palestrar sobre as perspectivas históricas que envolveram a criação da Instituição, bem como as discussões ambientais que estavam ocorrendo em âmbito regional, nacional e internacional sobre as mudanças climáticas globais

“Na época, estávamos discutindo a Eco 92, convenção da diversidade biológica. Isto faz parte da nossa história. Atualmente, as mudanças climáticas são uma realidade. ILMD nasce no centro das mudanças do imaginário brasileiro sobre os impactos das mudanças climáticas na vida das pessoas, na saúde. Em 1989, na Amazônia, um encontro indígena discutia os impactos da instalação das hidrelétricas na região, ocorreu o assassinato de Chico Mendes e o crescimento da organização popular. Esse foi o cenário do Brasil e da Amazônia que alimentou os debates sobre a criação do ILMD”, ponderou.

Para Marcos Barros, a síntese de Saragoussi ajuda entender o ponto de partida em que se encontravam os pesquisadores naquela época. Contudo, apesar dos 20 anos da Fiocruz/Amazônia, Barros lembrou que a Instituição está na Amazônia há mais de 100 anos por meio de seus pesquisadores, que visitavam a região para tentar resolver problemas sanitários pontuais por conta da realização de obras de infraestrutura.

“Não havia política científica para a Amazônia. A vinda era de forma pontual. Os pesquisadores chegavam à região para dar retorno às agressões dos grandes projetos, por exemplo, a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, em que a malária dizimou várias vidas. Era um verdadeiro controle policialesco da doença em Porto Velho (RO). Percebia-se a necessidade de descentralizar as atividades da Fiocruz Rio de Janeiro, mas respeitando as particularidades dos caboclos da região. Os trabalhos iniciaram com um escritório. O objetivo era se organizar e pensar coletivamente a instituição. Trouxemos a direção da Fiocruz nacional para cá para um seminário, em que se discutiram todos esses pontos”, afirmou.

Segundo o pesquisador e diretor da Fiocruz/Amazônia, Roberto Sena Rocha, nos últimos oito anos ele não passou por tantos problemas quanto os dirigentes anteriores. “O caminho já estava ponto”, ponderou. Ele contou que chegou à diretoria em 2005, cheio de expectativas, com o objetivo de estabilizar o ensino e a pesquisa na instituição, principalmente na implantação de cursos de mestrado e doutorado. “Contribuímos com a formação de pelo menos 30 doutores em saúde coletiva para a Amazônia, com a ajuda da Secti/AM e da FAPEAM, que financiou, por meio de bolsas, a segunda turma”, ressaltou.

De acordo com Rocha, durante sua gestão foi possível realizar o planejamento estratégico para identificar possibilidades de avanço e ampliação da capacidade científica e tecnológica local, além de contribuir com a capacitação dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), tanto a nível estadual quanto municipal, e ser referência nas doenças infecciosas e parasitárias. “Queremos contribuir com a estratégia de fomentar políticas públicas para o SUS. O número de servidores foi dobrado de 23 para 51, cujo objetivo é gerar conhecimento às áreas prioritárias da Fiocruz/Amazônia”, analisou.

O seminário também contou com a participação do ex-diretor da Fiocruz/Amazônia,

Luciano Medeiro de Toledo, e do diretor da Casa de Oswaldo Cruz, Paulo Roberto dos Santos.

 

Luís Mansuêto – Agência FAPEAM

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