| Em 27/02/2019

Fapeam apoia pesquisa de fitocosméticos com atividades antimicrobiana, antioxidante e fotoprotetora

Foto: Bárbara brito.

Uma pesquisa científica investiga o potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor de duas plantas nativas da região Amazônica, o guaraná (Paullinia cupana) e o pau-rosa (Aniba rosaeodora). O estudo deve avaliar se o extrato e o óleo essencial, respectivamente, dessas espécies vegetais são detentores de efeitos benéficos para serem utilizados na produção de fitocosméticos.

Em andamento, a pesquisa é desenvolvida nos laboratórios do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia, da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 002/2018.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Melchionna Albuquerque, a primeira etapa da pesquisa teve início em outubro de 2018 com a coleta de galhos e folhas de pau-rosa para o processo de extração do óleo essencial, além da obtenção das sementes de guaraná em Maués (AM) para a produção do extrato vegetal.

Patrícia informou  que já  foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa, e que no momento o grupo de pesquisadores está preparando o extrato de guaraná e suas partições para verificar as demais atividades biológicas e, em seguida, iniciar as formulações fitocosméticas.

“Os fitocosméticos serão avaliados quanto às suas propriedades físico-químicas e quanto à sua estabilidade. Determinaremos as atividades biológicas de interesse nas emulsões e sabonetes líquidos que se mostrarem estáveis. Além disso, determinaremos a concentração de linalol nos óleos essenciais de pau-rosa e de cafeína nos extratos de guaraná, a fim de padronizar a matéria-prima utilizada na elaboração dos fitocosméticos”, informou.

Com base no resultado do estudo, a pesquisadora afirma que será possível formular emulsões cosméticas com atividade antioxidante e fotoprotetora, assim como sabonetes líquidos, com atividade antimicrobiana, a partir desses compostos naturais.

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso, mas ainda é pouco explorado. Por isso, a descoberta de substâncias biologicamente ativas a partir da diversidade biológica (plantas, animais e microrganismos) pode auxiliar de forma significativa no desenvolvimento de bioprodutos, como é o caso dos fitocosméticos.  “Os fitocosméticos são definidos como cosméticos que contém ativo natural,seja um extrato, óleo fixo ou óleo essencial, cuja ação define a atividade do produto”, explicou.

De acordo com a coordenadora, o estudo pretende estimular ainda o uso dessas espécies para a obtenção de bioprodutos (fitocosméticos) com alto valor de mercado, e que consequentemente beneficiem o setor produtivo do município de Maués e de todo o estado do Amazonas.  A produção de fitocosméticos deve ser considerada estratégica para a economia local, uma vez que estes bioprodutos podem agregar valor aos produtos amazônicos.

Antimicrobiana
Atividade antimicrobiana é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em inibir o crescimento de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus ou protozoários, (ação microbiostática), ou de matar estes microrganismos (ação microbicida).

Antioxidante
Atividade antioxidante é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em retardar as reações de degradação oxidativa, ou seja, em reduzir a velocidade da oxidação por um ou mais mecanismos, como inibição de radicais livres e complexação de metais.

Fotoprotetora
Atividade fotoprotetora é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em absorver, refletir e dispersar a radiação que incide sobre a pele. Estas substâncias são utilizadas em protetores solares, bloqueadores e cosméticos destinados à prevenção do foto envelhecimento cutâneo precoce.

Fonte: Departamento de Comunicação e Difusão do Conhecimento – Decon Fapeam (texto: Helen de Melo).

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