| Em 09/02/2026

Fapeal impulsiona jovens pesquisadoras a novos espaços na ciência

Pesquisadora Clarice Caetano (Foto: Divulgação)

A iniciação científica desenvolvida ainda na educação básica tem produzido resultados concretos em Alagoas. Um relato recente é a trajetória da estudante Clarice Caetano, bolsista do Programa de Iniciação Científica Júnior do Governo de Alagoas, que foi selecionada para o programa ‘Futuras Cientistas’, iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).

A estudante integra o projeto ‘Neurobiologia, ritmos biológicos, sono e aprendizagem: impactos no rendimento escolar’, desenvolvido na Escola Estadual Alfredo Gaspar de Mendonça e coordenado pela professora Mayara Rodrigues.

A partir de sua vivência no Pibic Jr, a aluna passou a ter um contato próximo com o estudo científico e, mais recentemente, iniciou o estágio acadêmico, relativo ao ‘Futuras Cientistas’, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sob a orientação da professora Fabiane Caxico, no Instituto de Química e Biotecnologia (IQB).

Da iniciação científica ao Futuras Cientistas

A seleção da estudante para o programa do CNPq/Cetene está diretamente relacionada à experiência adquirida na iniciação científica, contexto no qual ela teve o primeiro contato com a pesquisa ainda na escola pública. Para Caetano, a participação no programa representou um divisor de águas em sua formação. “Foi através dele que meus olhos se abriram para novos aprendizados, outras possibilidades e, principalmente, para a ciência como um espaço vivo, curioso e cheio de descobertas”, relatou ela.

A jovem também destacou o papel do coletivo construído no projeto e da presença feminina na coordenação e orientação científica. “Sou imensamente grata aos meus colegas e às minhas coordenadoras, Laís Melo, Mayara Rodrigues e Daniela Raposo, que fizeram desse estudo um ambiente acolhedor, inspirador e transformador, para além de um projeto, uma família”, afirmou a aluna.

Ela destacou que atuar num grupo comandado por mulheres foi essencial para que ela enxergasse além do que acreditava ser capaz. E foi justamente a experiência adquirida no Pibic Jr que deu impulso para que a estudante se inscrevesse no programa ‘Futuras Cientistas’, iniciativa nacional voltada à formação de meninas na ciência:

“Graças a essa vivência, criei coragem para me inscrever no programa, algo que eu jamais imaginei conseguir. Minha equipe acreditou em mim mais do que eu mesma, e essa confiança fez toda a diferença”, relatou a aluna. “Hoje me sinto profundamente grata e feliz por trabalhar ao lado de meninas incríveis, em uma área que eu nunca pensei que fosse amar tanto”, afirmou Clarice Caetano.

Ciência produzida na escola pública

Professora da rede estadual e doutora em Ciências da Saúde, Mayara Rodrigues (Foto: Divulgação)

Narrando o contexto de quem inspirou essa jornada, está a bióloga, professora da rede estadual e doutora em Ciências da Saúde, Mayara Rodrigues. A docente ressalta o projeto executado no Pibic Jr e destaca a escola pública como espaço legítimo de produção científica.

“Atualmente, desenvolvemos pesquisas científicas no âmbito da educação básica, consolidando que a escola pública também é espaço de produção de ciência, inovação e formação de jovens pesquisadores”, afirmou.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, a professora foi bolsista do CNPq, da Capes e da própria Fapeal, experiência que, segundo a pesquisadora, foi fundamental para sua formação científica. Agora, enquanto orientadora de iniciação científica júnior, Mayara Rodrigues aborda o compromisso de devolver à sociedade o investimento feito por meio da educação pública e do financiamento à pesquisa.

“Como professora da rede pública e orientadora do Pibic Jr, poder devolver ao Estado, em especial a Alagoas, minha terra, o investimento recebido por meio da educação pública e do financiamento em pesquisa é motivo de profunda responsabilidade e realização”, destacou a bióloga.

No projeto desenvolvido na escola estadual, os estudantes investigaram a relação entre ritmos biológicos, sono, aprendizagem e rendimento escolar, articulando conceitos da neurociência ao cotidiano dos alunos.

Em sua atuação, a docente acompanhou de perto o impacto dessas trajetórias e destaca que Clarice não é um caso isolado. No ano anterior, outra estudante orientada no âmbito do Pibic Jr também foi aprovada no programa Futuras Cientistas, atestando a qualidade do trabalho desenvolvido.

“Ver Clarice avançar da iniciação científica júnior para a aprovação no programa Futuras Cientistas e, hoje, vivenciar um estágio na universidade confirma a potência da ciência quando ela é feita com acolhimento, rigor e compromisso social”, afirmou a pesquisadora.

Para a professora, investir em jovens talentos desde cedo, especialmente meninas, é uma estratégia essencial para reduzir desigualdades históricas no acesso à aprendizagem. A estudiosa também relaciona essas conquistas à sua própria trajetória. “Sou mulher, cientista, professora da educação pública, de origem na agricultura familiar, nascida no sertão. Sei, por vivência própria, o quanto os caminhos da ciência nem sempre parecem possíveis para meninas como nós. Quando uma menina se reconhece como cientista, toda a sociedade avança”, concluiu ela.

Saiba mais

O Pibic Jr. integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro” do Governo de Alagoas, executado por meio de ações conjuntas da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal).

Fonte: FAPEAL (Por: Tárcila Cabral/ Ascom Fapeal)

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