| Em 14/03/2018

Fapeal financia reinauguração do Laboratório de Aquicultura da Ufal

Foto: Tárcila Cabral.

Integrando as discussões do cenário nacional para a renovação de recursos para a ciência, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) acompanha as demandas dos centros de estudos locais. Neste contexto, esteve presente no evento de reinauguração do Laboratório de Aquicultura (Laqua) do Centro de Ciências (Ceca) Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), promovido na manhã desta segunda, 12.

O espaço contou com uma série de auxílios fornecidos pela Fundação ao longo de sua jornada científica, interagindo inclusive com demandas de políticas públicas. O doutor em biotecnologia e professor do Centro, Emerson Soares, explica que colaborou com estas pesquisas no laboratório, acompanhando estudos em uma iniciativa do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), três versões do Programa Primeiros Projetos (PPP) e uma chamada para estruturação do espaço.

A proposta do PPSUS, que é a mais recente, busca compreender os efeitos de poluentes, agrotóxicos ou pesticidas na comunidade aquática e os reflexos disto no organismo humano. O laboratório investigou os reais danos destas substâncias, utilizando dois larvicidas com funções de extermínio ao mosquito da dengue, mas que geravam incertezas quanto ao seu potencial de contaminação. O estudo procurava identificar como este produto se acumulava na água, utilizando-se de sua presença nos peixes como um indicador eficiente.

Os resultados iniciais apontaram que o larvicida causava danos ao tecido hepático e cerebral do organismo aquático, demonstrando sua pertinência prática em relação à saúde da comunidade local. A parceria com o PPSUS direcionou R$ 40 mil reais à iniciativa e proporcionou estudar como as substâncias podem afetar os tecidos, além da observação de enzimas de estresse e efeitos fisiológicos no animal, além de gerar dois artigos científicos e duas dissertações de mestrado em andamento.

 Neste contexto, o pesquisador Emerson Soares explica que algumas informações obtidas foram encaminhadas ao Ministério da Saúde, pois o órgão trabalha com o material. O propósito volta-se concomitantemente à obtenção de cuidados no manuseio e também a garantir a prevenção das comunidades, no caso de possíveis danos pelo consumo da água. Atualmente, a pesquisa já está sendo finalizada, pois o docente explicou que o projeto já está 80% concluído.

O diretor-presidente e o diretor executivo de CT&I da Fapeal, Fábio Guedes e João Vicente Lima, respectivamente, estiveram presentes na solenidade, argumentando o escopo de apoios da Fundação. O presidente frisou que, somente no último triênio, a instituição ofertou 40 editais, onde a participação dos pesquisadores do Laqua foi relevante para a contribuição das pesquisas locais, mas que deve ser dada continuidade ao trabalho em todos os âmbitos.

“A pesquisa prova a sua eficiência e demonstra à sociedade a relevância de produzir conteúdos críticos, que interagem diretamente com o cidadão, com linhas que atinjam complexos da cultura alagoana”, alega o doutor em administração pública.

A relação da Fapeal com o Ceca e com a área de agronomia se estende na história, estando sempre em colaboração. Em 2016, o Centro aprovou 13 projetos no edital de Apoio à Pesquisa dos Programas de Pós-Graduação (PPG). Uma destas iniciativas foi o estudo do professor Emerson Soares, onde o acadêmico recorda que obteve o aporte de R$22 mil para investigar o desenvolvimento embrionário de peixes e sua correlação de impactos dos agrotóxicos e pesticidas na má formação destes embriões.

Já no momento atual, o professor relata que está produzindo um novo projeto organizando uma expedição à região do baixo São Francisco, com a duração de uma semana. A viagem agregará cerca de 15 a 20 pesquisadores brasileiros e portugueses, de áreas diversas, com o intuito de catalogação e produção de um documentário científico dos acontecimentos deste local, que é o mais afetado com os impactos das hidrelétricas e da transposição. Serão apontados problemas enfrentados na comunidade aquática, ribeirinha, a questão ecológica e ambiental, custeados com o apoio da Fapeal e  do Comitê de Bacias Hidrográficas do São Francisco (CBHSF).

Os estudos consistirão na análise de água, de poluição, espécies, da cadeia alimentar e da relação socioeconômica e socioecológica da população ribeirinha.

Fonte: Comunicação Fapeal (texto: Tárcila Cabral).

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