| Em 07/05/2016

Estudo com plantas amazônicas auxiliará elaboração de fármacos contra infecções bacterianas

Para desenvolver novos fármacos de tratamento contra infecções bacterianas, o doutor em Biotecnologia Diego de Moura Rabelo está isolando os constituintes químicos de espécies de plantas da família Annonaceae para identificar os compostos bioativos para combater bactérias multirresistentes. O estudo deve ser concluído até 2018.

A pesquisa está sendo desenvolvida com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Fixação de Doutores (Fixam).

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Foto: Érico Xavier – Ag. FAPEAM

“O conhecimento dos mecanismos de resistência no fenótipo bacteriano é de extrema importância para traçar estratégias de tratamento mais eficientes e medidas adequadas ao controle de infecções”, disse Diego Rabelo.

De acordo com o pesquisador, o estudo será benéfico à saúde pública, uma vez que o mecanismo em desenvolvimento poderá combater infecções multigeneralizadas.

“A septicemia, uma infecção multigeneralizada decorrente do estado frágil e delicado de pacientes hospitalares como recém-nascidos, pacientes em pós-operatório, pode causar pneumonia, tuberculose, inflamação nos ossos, infecções intestinais, dependendo da bactéria responsável pela infecção. Essas infecções podem ocorrer através de alimentos e água, por isso a dificuldade de tratamento com antibióticos. Essas bactérias possuem resistência aos medicamentos, contribuindo para a demora na recuperação do paciente”, disse Diego Moura.

Análise

De acordo com o pesquisador, a metodologia de identificação dos mecanismos de ação antibacterianos está em fase de desenvolvimento pelo Instituto de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) sob a orientação da pesquisadora Patrícia Puccinelli Orlandi Nogueira.

Diego Moura explicou que os mecanismos que conferem resistência às bactérias podem ser divididos em três: produção de enzimas capazes de inativar a atividade dos antimicrobianos; perda de proteínas de membrana externa que tornam a bactéria “impermeável” e o aumento da expressão de sistemas de efluxo, que é capaz de expulsar os antimicrobianos do meio intracelular.

Atualmente, os extratos botânicos foram preparados e estão em processo de isolamento e identificação dos constituintes químicos. O próximo passo será a determinação dos mecanismos de ação antibacterianos dos compostos bioativos na Fiocruz do Rio de Janeiro.

“A Fapeam desempenha um papel importantíssimo na comunidade científica, sua iniciativa, pelo fomento das pesquisas no Estado, tem alavancado novas descobertas. O desenvolvimento da nossa pesquisa se tornou possível devido aos recursos disponibilizados pela Fundação e o maior beneficiário é a população”, disse Diego Rabelo.

Fonte: Agência Fapeam

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