| Em 03/07/2016

Estudo avalia impacto de barragens do Rio Madeira sobre estoque de peixes

Para avaliar os impactos das barragens Jirau e Santo Antônio nos estoques pesqueiros do curimatã (Prochilodus nigricans), o doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Michel Catarino está desenvolvendo um estudo que pretende propor um modelo mais econômico para a gestão dos recursos pesqueiros do Amazonas.

A pesquisa conta com aporte financeiro do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Fixação de Doutores (Fixam) e deve ser concluída em 2018.

Segundo o pesquisador, além dos estoques de curimatã, os impactos das barragens do Rio Madeira sobre os estoques de outras espécies importantes comercialmente, como os grandes bagres, também serão avaliados.

[cml_media_alt id='9637']Hidrelétrica de Jirau (Foto: Agência Brasil)[/cml_media_alt]

Hidrelétrica de Jirau (Foto: Agência Brasil)

“É um modelo de avaliação que requer menor investimento financeiro e tempo para ir se configurando como uma alternativa para a gestão de recursos pesqueiros na bacia amazônica. Nesse estudo, pretendemos aplicá-lo para avaliar os impactos das barragens sobre os estoques de importantes espécies comerciais, mas também divulgá-lo como ferramenta de gestão, principalmente às instituições diretamente ligadas à pesca”, disse Catarino.

De acordo com ele, as avaliações serão realizadas por meio do programa Participatory Fisheries Stock Assessment (PARFISH). O programa utiliza a estatística bayesiana para estimar o valor de Rendimento Máximo Sustentável (RMS) em termos de probabilidade, associado às incertezas, permitindo fazer inferências sobre a situação dos estoques.

“A base de informação é o conhecimento empírico dos pescadores sobre os recursos explorados, mas também é possível incorporar dados de desembarque pesqueiro nas análises, diminuindo a incerteza dos resultados obtidos”, explicou.

Até o momento, a coleta de dados biométricos e empíricos está restrita à cidade de Manaus e é direcionada aos pescadores que atuam no Rio Madeira. Segundo ele, a escala do estudo será mais ampla e novos dados devem ser coletados em vários municípios situados tanto acima quanto abaixo das barragens, como Humaitá, Nova Olinda, Manicoré, Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Porto Velho.

Até o momento, foi possível coletar informações apenas em Manaus. Esperamos realizar ainda cerca de 200 a 300 entrevistas ao longo do Rio Madeira, nos próximos dois anos. O envolvimento dos pescadores é fundamental para a pesquisa, pois são eles que fornecem as informações necessárias para rodar o modelo”, disse o pesquisador.

Ciência a favor da pesca

Michel Catarino informou que um dos principais benefícios da pesquisa será a divulgação de uma ferramenta rápida e relativamente barata para avaliação de estoques pesqueiros na Amazônia, que poderá aumentar significativamente o conhecimento sobre a situação das espécies comerciais na bacia.

“O conhecimento sobre a situação dos estoques possibilitará que uma base de informações seja criada mais rapidamente e que medidas de manejo possam ser adotadas baseadas em elementos técnicos, com impactos diretos nas populações humanas que usufruem dos recursos pesqueiros do Rio Madeira”, disse Catarino.

Fonte: Agência Fapeam

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