Para avaliar os impactos das barragens Jirau e Santo Antônio nos estoques pesqueiros do curimatã (Prochilodus nigricans), o doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Michel Catarino está desenvolvendo um estudo que pretende propor um modelo mais econômico para a gestão dos recursos pesqueiros do Amazonas.
A pesquisa conta com aporte financeiro do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Fixação de Doutores (Fixam) e deve ser concluída em 2018.
Segundo o pesquisador, além dos estoques de curimatã, os impactos das barragens do Rio Madeira sobre os estoques de outras espécies importantes comercialmente, como os grandes bagres, também serão avaliados.
![[cml_media_alt id='9637']Hidrelétrica de Jirau (Foto: Agência Brasil)[/cml_media_alt]](http://confap.org.br/news/wp-content/uploads/2016/07/hidrelétrica-de-jirau-Foto-Agência-Brasil1.jpg)
Hidrelétrica de Jirau (Foto: Agência Brasil)
De acordo com ele, as avaliações serão realizadas por meio do programa Participatory Fisheries Stock Assessment (PARFISH). O programa utiliza a estatística bayesiana para estimar o valor de Rendimento Máximo Sustentável (RMS) em termos de probabilidade, associado às incertezas, permitindo fazer inferências sobre a situação dos estoques.
“A base de informação é o conhecimento empírico dos pescadores sobre os recursos explorados, mas também é possível incorporar dados de desembarque pesqueiro nas análises, diminuindo a incerteza dos resultados obtidos”, explicou.
Até o momento, a coleta de dados biométricos e empíricos está restrita à cidade de Manaus e é direcionada aos pescadores que atuam no Rio Madeira. Segundo ele, a escala do estudo será mais ampla e novos dados devem ser coletados em vários municípios situados tanto acima quanto abaixo das barragens, como Humaitá, Nova Olinda, Manicoré, Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Porto Velho.
Até o momento, foi possível coletar informações apenas em Manaus. Esperamos realizar ainda cerca de 200 a 300 entrevistas ao longo do Rio Madeira, nos próximos dois anos. O envolvimento dos pescadores é fundamental para a pesquisa, pois são eles que fornecem as informações necessárias para rodar o modelo”, disse o pesquisador.
Ciência a favor da pesca
Michel Catarino informou que um dos principais benefícios da pesquisa será a divulgação de uma ferramenta rápida e relativamente barata para avaliação de estoques pesqueiros na Amazônia, que poderá aumentar significativamente o conhecimento sobre a situação das espécies comerciais na bacia.
“O conhecimento sobre a situação dos estoques possibilitará que uma base de informações seja criada mais rapidamente e que medidas de manejo possam ser adotadas baseadas em elementos técnicos, com impactos diretos nas populações humanas que usufruem dos recursos pesqueiros do Rio Madeira”, disse Catarino.
Fonte: Agência Fapeam