Pesquisadores de áreas interdisciplinares do conhecimento com atuação no Brasil, Reino Unido, México, Chile e Colômbia reuniram-se no UK Latam Future Cities Joint Research Workshop, realizado pelo UK Science & Innovation Network, órgão do governo britânico, em parceria com a FAPESP e o USP Cidades, núcleo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.
O objetivo do encontro foi debater, por meio das experiências de diferentes centros urbanos, soluções para desafios em transporte, recursos hídricos, uso de energia, urbanismo e comunidades, entre outros temas. As discussões seguiram com abordagens sobre urbanismo, transporte e sustentabilidade e uso da água, com apresentações de representantes do Imperial College London, no Reino Unido, das instituições colombianas Universid National, Universidad Antonio Nariño e Universidad del Norte, das chilenas Universidad de Concepcion e Pontificia Universidad Catolica de Chile e das brasileiras USP e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Sabemos o quanto as metrópoles e suas questões são importantes não só localmente, mas globalmente, e esperamos que este workshop ofereça oportunidades de intercâmbio entre pesquisadores de cidades tão relevantes para a América Latina e o mundo”, disse Richard Turner, cônsul geral britânico, à Agência FAPESP.
Para Celso Lafer, presidente da FAPESP, as cidades representadas no workshop realizado no auditório da Fundação contam com exemplos de enfrentamento dessas questões e possuem desafios com origens comuns.
Para Robert Rogerson, vice-diretor do Institute for Future Cities da University of Strathclyde, da Escócia, um dos maiores desafios das cidades é adotar medidas que as tornem competitivas sem prejuízo à qualidade de vida das suas populações.
Veio da Cidade do México um dos exemplos bem-sucedidos de aproveitamento dos espaços públicos para melhorar a qualidade de vida da população. Luis Zamorano, diretor de Desenvolvimento Urbano e Acessibilidade da organização não governamental mexicana Embarq, apresentou resultados de um programa federal de resgate de espaços públicos promovido em 350 municípios mexicanos, beneficiando 66,5 milhões de pessoas.
Oportunidades
Além do intercâmbio de experiências científicas, o workshop apresentou oportunidades de financiamento de pesquisas conjuntas nas áreas, como o Newton Fund, do governo britânico, lançado no Brasil em abril e destinado ao fomento à pesquisa e à inovação em países emergentes.
Diego Arruda, gerente de Projetos do Consulado Geral Britânico em São Paulo, apresentou algumas das possibilidades abertas. “O Newton Fund tem grande importância na política do governo britânico para os países emergentes. No caso da América Latina, trata-se de uma oportunidade de aproveitamento do potencial científico de países de relevância crescente no cenário mundial”, disse.
Serão investidos £ 375 milhões, cerca de R$ 1,4 bilhão, em 15 países. Ao Brasil serão destinados £ 9 milhões anuais, mais de R$ 33 milhões, durante três anos. O valor tem contrapartida brasileira, com aporte financeiro de instituições nacionais, e chamadas já foram lançadas em diversas modalidades de apoio com a participação da FAPESP.
Em setembro, a FAPESP, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), as fundações de amparo à pesquisa estaduais (FAPs), a Academy of Medical Sciences, a British Academy, a Royal Academy of Engineering e a Royal Society anunciaram chamada de propostas com financiamento em conjunto com o Newton Fund.
O objetivo da chamada é estimular o intercâmbio internacional em pesquisa, e o prazo para submissão de propostas vai até 22 de outubro (leia mais em agencia.fapesp.br/19841).
Ainda em setembro a FAPESP e o British Council anunciaram o resultado da chamada de propostas lançada em abril para apoiar a realização de workshops de pesquisa com recursos do Newton Fund. Foram aprovadas 16 propostas, que receberão apoio financeiro para a realização de encontros entre jovens cientistas do Reino Unido e do Estado de São Paulo para o estabelecimento de futuras colaborações em pesquisa (leia mais em agencia.fapesp.br/19771).
Antes, em agosto, os Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK) haviam lançado seu primeiro edital para o Newton Fund, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). O prazo para a submissão de propostas se encerra em 17 de outubro (mais informações em agencia.fapesp.br/19685).
As Academias Nacionais do Reino Unido – Royal Society, British Academy, Academy of Medical Sciences e Royal Academy of Engineering –, em colaboração com o Confap e as FAPs, também oferecem auxílios no âmbito do Newton Fund (leia mais em agencia.fapesp.br/19897).
Além do Brasil e dos demais países latino-americanos representados no workshop – México, Chile e Colômbia –, recebem aportes do Newton Fund China, Índia, Turquia, África do Sul, Egito, Cazaquistão, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Malásia.
Fonte: Agência FAPESP