A parceria mais estreita entre indústrias e universidades é fundamental para o desenvolvimento social e econômico do País. A avaliação é do pesquisador e presidente da empresa de semicondutores HT Micron, Ricardo Felizzola. Para ele, o fortalecimento do empreendedorismo, do estímulo à inovação e da competitividade são algumas das vantagens trazidas por essa união.
Na visão do especialista, que foi professor do curso de Ciências da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) por 10 anos e saiu para abrir o próprio negócio, as universidades podem transmitir valores educacionais às empresas. “A partir daí, também aprendem a captar recursos ao negociar as invenções para que se tornem inovações. Um exemplo nesse sentido é o Google, que foi criado no ambiente universitário e virou um negócio muito lucrativo”, afirmou.
Segundo Felizzola, em um ambiente inovador as universidades focam em criar novidades e as empresas em produzir os novos produtos em série e mais baratos para o consumidor. “Além disso, as universidades podem incentivar o surgimento de startups”, ressaltou. De acordo com ele, a empresa grande, em geral, aperfeiçoa produtos, enquanto a indústria nova é que é inovadora e vem para desafiar os grandes negócios.
Ao estimular a inovação, aperfeiçoar a gestão de empresas e academia e melhorar a formação da mão-de-obra, a interação da indústria com universidades pode potencializar a geração de ativos econômicos ricos em conhecimento e promover o crescimento da competitividade de um segmento produtivo, região e país. “Ocorre nesses locais um efeito multiplicador e a geração de um ciclo virtuoso de inovação: currículos acadêmicos com conteúdo mais inovador e formação de profissionais que geram produtos inovadores e são mais empreendedores.”
Para o pesquisador, essa premissa poderá contribuir também para a reformulação da gestão das universidades, sobretudo as públicas, tornando-as mais eficientes e integradas ao sistema econômico. Além disso, o empreendedorismo, que promove o surgimento e crescimento de novas empresas, tem a chance de ser estimulado no ambiente acadêmico.
“No Brasil, o enfoque está mais em administração do que em negócios e, muitas vezes, os professores não são incentivados a conciliar a vida acadêmica com o dia-a-dia nas indústrias. Estas escolas voltadas a ensinar administração focam em projetos e na sua execução, mas esquecem de algo importante muito valorizado em escolas de negócios: verificar os resultados”, destacou Felizzola.
Fonte: Agência Gestão CT&I, com informações da Agência CNI