| Em 06/12/2019

Consórcio busca criar novos medicamentos contra Chagas, leishmaniose e malária

Um consórcio internacional foi criado para apoiar a busca por novos medicamentos contra doença de Chagas, leishmaniose visceral e malária. A iniciativa, liderada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), será financiada pela FAPESP e pelas organizações sem fins lucrativos Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) e Medicines for Malaria Venture (MMV), no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

A iniciativa terá duração de cinco anos e receberá, nesse período, investimentos de R$ 43,5 milhões. A Fundação fará um aporte de R$ 7,8 milhões. Outros R$ 12,8 milhões serão investidos por DNDi e MMV. A Unicamp e a USP contribuirão com R$ 22,9 milhões em infraestrutura de pesquisa e custos de pessoal.

“O projeto tem o objetivo de descobrir novos candidatos a medicamentos para o tratamento de doenças tropicais parasitárias. Na FAPESP, valorizamos fortemente esse tipo de esforço colaborativo que envolve pesquisa básica, aplicada e também as pessoas que vão aplicar os resultados na prática”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) dão conta de que, em 2017, houve 219 milhões de casos de malária – 2 milhões a mais do que no ano anterior. A doença foi responsável por 435 mil mortes no mundo todo, 93% delas na África. Ainda segundo a OMS, 8 milhões de pessoas são infectadas anualmente pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, a maior parte na América Latina. A organização estima ainda em cerca de 2 milhões de novos casos ao ano das diferentes formas de leishmaniose.

“Malária, doença de Chagas e leishmaniose estão associadas a uma considerável morbidade e mortalidade. São doenças epidêmicas, sobretudo em países de baixa renda, com um grande peso clínico e econômico e importantes consequências tanto para os pacientes individualmente – em muitos casos, crianças e mulheres grávidas – quanto para a saúde pública em geral”, disse Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química (IQ) da Unicamp e coordenador do projeto.

O laboratório comandado por Dias vai desenvolver estudos na área de química para desenvolver e aprimorar novas moléculas. Já os pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP vão realizar os diferentes testes biológicos, como farmacocinética e toxicicidade. Em São Carlos, os testes serão comandados pelos professores Adriano Andricopulo e Rafael Victorio Carvalho Guido.

Os pesquisadores são associados ao Centro de Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e coordenado por Glaucius Oliva, também professor do IFSC-USP.

Consórcio

DNDi e MMV são duas organizações sem fins lucrativos que contam com parceiros para financiar pesquisas em doenças negligenciadas e em malária, respectivamente. Ambas contam com times de especialistas que colaboram nas pesquisas desenvolvidas, sempre com o objetivo de gerar novos medicamentos com ação efetiva e baixo custo.

“Estamos realmente empolgados em lançar esse projeto, que vai unir cientistas do Brasil, da MMV e da DNDi na busca de novos candidatos para tratar doenças tropicais parasitárias. A parceria vai usar o conhecimento dos cientistas brasileiros em biologia e em química sintética em sinergia com o de especialistas associados às organizações ao redor do mundo, em centros de excelência. Eles poderão realizar testes adicionais e trazer novos conhecimentos. Estamos focados no Brasil, mas a parceria é para beneficiar pessoas do mundo todo”, disse Paul Willis, diretor sênior na MMV.

“As organizações envolvidas nesse projeto compartilham uma visão: ajudar pacientes que sofrem de malária e doenças negligenciadas. Tivemos a oportunidade de unir excelentes cientistas e, por isso, construímos esse consórcio com a Unicamp, a USP em São Carlos e outros parceiros”, disse Charles Mowbray, da DNDi.

O objetivo é que os novos candidatos a fármacos sejam efetivos com apenas uma dose. Alguns medicamentos presentes no mercado possuem efeito contra as doenças, mas as várias doses necessárias não só dificultam o tratamento como geram variedades de parasitas resistentes.

“O paciente melhora depois da primeira dose e para de tomar o medicamento. A doença não só volta como se torna mais agressiva. Para ser realmente efetivo é preciso que o medicamento mate totalmente o parasita com uma dose única”, disse Dias.

Após os cinco anos do projeto, os pesquisadores esperam contar com moléculas prontas para testes clínicos. A ideia, a partir desse ponto, é realizar novas parcerias para financiar testes clínicos e comercializar os medicamentos, que devem ser necessariamente de baixo custo.

O evento de assinatura do acordo teve ainda a presença de Sylvio Canuto, pró-reitor de Pesquisa da USP, e Daniel Martins de Souza, professor do Instituto de Biologia e assessor da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp.

Fonte: Agência FAPESP. Texto: André Julião

 

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]

Em 30/09/2026

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias

Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige […]