A comunidade científica do Amapá está mobilizando instituições de todo o país para que o governador Waldez Góes (PDT) volte atrás e não feche a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap).
“Fomos pegos de surpresa e estamos nos mobilizando, via Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa), na tentativa de sensibilizar o governador do Estado sobre a importância socioeconômica da Fapeap”, declarou a diretora-presidente da instituição, Mary de Fátima Guedes dos Santos.
A presidente da SBPC, Helena Nader, já se manifestou e afirma que repudia o decreto que extingue a instituição amapaense.
Segundo Fátima Santos, um documento para subsidiar o argumento do Confap está sendo finalizado em conjunto com instituições como SBPC, ABC (Academia Brasileira de Ciências), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O manifesto busca um diálogo mais próximo e melhor fundamentado com o governador. Conforme informou a diretora-presidente da Fundação, não houve até o momento uma comunicação direta com Waldez Góes, somente com o secretário de Ciência e Tecnologia. “Acreditamos que o governo precisa ter mais informação para avaliar o impacto socioeconômico da Fapeap no Estado”, ressaltou.
O gerente do Núcleo de Apoio à Formação e Divulgação da instituição, Lailson Lemos, disse que diversas instituições e pesquisadores da região também iniciaram um movimento para elaborar outro manifesto exigindo que o governador revogue a decisão. “Ficamos sabendo da notícia na terça-feira, mas não temos muitas informações porque ainda não tivemos acesso ao documento do decreto”.
Fapeap
A Fapeap, ou Fundação Tumucumaque, criada pela Lei 1.438, de 30 de dezembro de 2009, vinculada à Secretaria de Ciência e Tecnologia (Setec) do Estado, foi criada oficialmente no dia 7 de janeiro de 2010. É a 24ª fundação estadual de amparo à pesquisa (FAP) no País. Na época, o governo amapaense destinou um crédito inicial de R$ 300 mil à nova instituição, que começou com um quadro de 16 funcionários. Hoje são 13 funcionários e um conselho diretor formado por pesquisadores e doutores do Estado.
Segundo o jornal Diário do Amapá, a Fapeap deverá ser incorporada à Setec e, como consequência, os 13 cargos da Fundação serão cortados, o que representaria uma economia de R$ 1 milhão.
Outros cortes
O governo também anunciou que, visando ao equilíbrio das contas públicas e uma economia de R$ 4 milhões, serão extintas as secretarias de Governo (Segov) e de Relações Institucionais (Serin), Agência de Pesca do Amapá (Pescap), Fundação Serra do Navio (FSN) e Centro de Apoio e Coordenação (CACS), vinculados às secretarias extraordinárias. A economia com a extinção das secretarias está dentro da redução de gastos de R$ 152 milhões anuais previstos com o pacote de ajustes.
Fonte: Daniela Klebis e Vivian Costa/Jornal da Ciência