| Em 23/05/2025

Cientista do NAPI Taxonline recebe o Prêmio Mundial da Alimentação, o ‘Nobel da Agricultura’

(Imagem: Divulgação/ Fundação Araucária)

A engenheira agrônoma e pesquisadora do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Taxonline, da Fundação Araucária, Mariangela Hungria, foi agraciada na terça-feira (12/5) com o Prêmio Mundial da Alimentação de 2025, o World Food Prize. Conhecido como o ‘Nobel da Agricultura’, o prêmio é uma valorização aos estudos da microbiologista no desenvolvimento de dezenas de tratamentos biológicos de sementes e de solos, que ajudam a planta a obter nutrientes por meio de bactérias do solo. Alternativas biológicas para os fertilizantes químicos.

“Eu estou muito emocionada em receber esse prêmio, porque eu jamais imaginaria, fazendo um trabalho ali no interior do Brasil, lutando com todas as dificuldades que a gente tem, achava muito improvável que isso acontecesse”, comentou a pesquisadora.

“Acho que a premiação foi devido à minha perseverança de 40 anos, jamais tendo desviado do caminho que eu sempre acreditei que era que a gente podia fazer uma agricultura mais sustentável, usando os biológicos em substituição parcial ou total dos insumos químicos”, ressaltou Mariangela Hungria.

Professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos cursos de pós-graduação em Microbiologia e Biotecnologia e na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) do curso de Bioinformática, a cientista tem desenvolvido importantes estudos no NAPI Taxonline. Iniciativa da Fundação Araucária, o arranjo de pesquisa conta com vários projetos envolvendo as coleções biológicas, base para qualquer estudo em biodiversidade e aplicação biotecnológica.

Além das pesquisas no Napi Taxonline, a cientista também coordena o projeto contemplado por meio do Programa de Apoio à Consolidação dos Institutos Nacionais de Ciência e T??nologia (INCT) no Paraná (Cooperação MCTI / CNPq/Capes /Fundação Araucária).

“Devo muito à Fundação Araucária. Sem ela, não teria certamente conseguido isso. Os últimos dez anos foram definitivos para a minha carreira. A Fundação Araucária apoiou o nosso Projeto Nacional de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e também dá um grande apoio naquilo que eu considero a minha maior riqueza de legado que estou deixando, que é a coleção de culturas, participando do NAPI e Taxonline. Então, certamente, uma boa parte desse prêmio se deve à Fundação Araucária”, afirmou Mariangela.

Para o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o anúncio do prêmio Mundial de Alimentação é um importante reconhecimento à excepcional trajetória da pesquisadora e uma conquista para o Paraná e para o Brasil. “Nós tivemos pouquíssimos brasileiros vencedores desse tão importante prêmio, que foi criado para premiar pessoas que trabalham, efetivamente, na melhoria da produção de alimentos. Mariangela Hungria está de parabéns, o Paraná está de parabéns, o Brasil está de parabéns. A ciência e a tecnologia do Paraná vivem um bom momento, o melhor de sua história.”, disse Wahrhaftig.

Natural de São Paulo, Mariangela Hungria tem uma trajetória de 43 anos na Embrapa. Lotada na Embrapa Soja desde 1991 vem atuando em Londrina. “Esse prêmio é muito importante para o Brasil e mais importante ainda para o Paraná. Porque foi aqui que eu desenvolvi esse trabalho, foi o trabalho que eu fiz aqui que ajudou a essa premiação”, conta a cientista.

“Levando essa imagem de sustentabilidade que a gente tem, contrapondo a tanta gente que aponta aspectos negativos da nossa agricultura. E o Paraná é o estado que eu escolhi para viver, que eu escolhi para fazer minha carreira, que eu tenho muito orgulho. Eu vim para cá porque era um estado agrícola e eu queria fazer agricultura e uma agricultura sustentável”, destacou Mariangela.

O anúncio do Prêmio Mundial de Alimentação foi feito nesta terça-feira (13) no estado de Iowa, Estados Unidos, na sede da Fundação World Food Prize, criada por Norman Bourlaug, pai da Revolução Verde e Prêmio Nobel da Paz em 1970.

Mariangela receberá o prêmio em 23 de outubro deste ano. É a terceira vez que ele é concedido a brasileiros. Em 2006, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli dividiram o prêmio com o colega estadunidense A. Colin McClung, pelo trabalho no desenvolvimento da agricultura na região do cerrado. Em 2011, dois ex-presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e John Kufuor, de Gana, foram os escolhidos por sua atuação no combate à fome como chefes de governo. 

Fonte: Fundação Araucária (Por: Ascom F.A)

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