| Em 22/02/2017

Centro de Piscicultura incrementará economia regional em R$ 4 milhões ao ano

Um grande passo foi dado nesta segunda-feira (20), em Bragança, no nordeste do Estado, para que a região possa em breve deter e disseminar tecnologia que poderá representar a criação de 510 mil novos alevinos (filhotes) de surubim e piaus geneticamente melhorados com a ajuda de laboratórios, ao ano. O impacto imediato disso será um acréscimo de 150 toneladas na produção anual de surubins, além de outras 300 toneladas a mais na produção de piaus, em toda a região bragantina – o que significa uma previsão de R$ 4 milhões a mais injetados na economia da piscicultura e aquicultura da região a cada vez que esse ciclo produtivo possa ser repetido.

Esse é o resultado inicial estimado pela assinatura do convênio 3/2017, entre a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica do Pará (Sectet) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA).

O convênio, assinado no campus de Bragança do IFPA, garantirá apoio do Governo do Estado às atividades do Centro de Piscicultura do IFPA (Cepis), que fortalece o Polo Científico e Tecnológico de Bragança. O acordo é parte integrante do Protocolo de Intenções do Polo de Pesca e Aquicultura do Pará.

Os investimentos somam R$ 1,8 milhão para a implantação do Centro de Piscicultura do IFPA (Cepis) em Bragança. O centro favorecerá a geração de conhecimento e a transferência de tecnologia relacionados à aquicultura na região e também promoverá formação de profissionais na área.

Esse convênio complementa outro, já assinado em janeiro passado, com a Universidade Federal do Pará (UFPA), pelo programa Inova Pará. Nele, R$ 3,4 milhões foram destinados à implantação do Centro de Pesquisas em Aquicultura (Ceanpa) de Bragança, beneficiando também a formação de profissionais pelos cursos de Engenharia da Pesca e as pós-graduações em Biologia Ambiental e em Aquicultura e Pesca.

A aquicultura e a pesca estão entre as 12 cadeias produtivas consideradas estratégicas para o programa Pará 2030, que fomenta a verticalização da produção e a geração de renda no Estado. Em Bragança, são 17 os piscicultores e aquicultores cadastrados pelo município, além de outros 50 mapeados na região. “Serão quase R$ 7 milhões investidos na região do Caeté. Isso mudará a feição da pesquisa e inovação na região”, avaliou, durante a assinatura do convênio em Bragança, Eduardo Costa, presidente da Fapespa.

“Este é um projeto que impactará não apenas a região de Bragança, mas todo o Pará. Nosso desafio é vencer o paradoxo de nossa economia: bons indicadores, mas ainda com grande parte da população em vulnerabilidade social. Esse é o objetivo do Pará 2030. Verticalizar a economia e investir em ciência e tecnologia é crucial”, ressaltou Eduardo Costa, presidente da Fapespa, citando ainda a descentralização dos investimentos rumo ao interior priorizada nos últimos anos pela fundação – com aplicação de editais regionalizados e incentivos ao fortalecimento das redes de pesquisa nas regiões de integração. “Hoje é essa pesquisa que apoiamos: a que debate o desenvolvimento social de nossa população”.

“Esse convênio beneficiará na verdade todos os cursos ligados à cadeia produtiva em todo o Pará. Resultará em capacitação para alunos e produtores, tendo o Governo do Pará como grande parceiro”, afirmou Cassio Eduardo Flexa, coordenador do convênio, citando pesquisas em melhorias genéticas e a inclusão de novas espécies para o mercado regional como alguns dos desdobramentos.

Já Mauro André Damasceno de Melo, coordenador de pesquisa e pós-graduação do IFPA, explica o impacto dessa produção com material genético melhorado: “O uso de sequenciador para melhoria genética de espécies no Laboratório de Biologia Molecular é a atual fronteira tecnológica. Até sequenciamento de genomas será possível”, comemora. Com isso, identificação de genes de interesse permitirão que espécies sejam produzidas com maior controle de características, como o peso. “São trabalhos e mais trabalhos de dissertação possíveis. Isso tudo vai muito além do que se possa imaginar”, garante Melo.

Fonte: FAPESPA

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