O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) terá o sexto ministro em menos de seis anos de governo da presidente Dilma Rousseff. Celso Pansera, que comandou a pasta por pouco mais de seis meses, se licenciou do cargo na última quinta-feira (14) para retomar o mandato de deputado federal e votar contra a abertura do processo de impeachment, não vai voltar ao posto de ministro.
Apesar de não ter se pronunciado oficialmente sobre os motivos que o levaram a abandonar o governo, nesta terça-feira (19), em sua conta do Facebook, Pansera deixou claro que pretende exercer o mandato de deputado, projetando participações inclusive em grupos temáticos de debate. “Retomei os estudos para defender outra bandeira minha que é o fim da obrigatoriedade do serviço militar. Na próxima semana, pretendo retomar os trabalhos na Comissão que analisa a crise hídrica no Brasil”.
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Foto: Divulgação/ Jornal GNN
Até a noite desta segunda-feira (18), a informação era de que ele voltaria ao cargo no MCTI, assim como os colegas governistas Patrus Ananias, do PT, e Marcelo Castro , do PMDB, que reassumiriam os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Saúde (MS), respectivamente. Mas no Diário Oficial da União foram reconduzidos ao cargo somente os dois últimos.
Diferentemente das outras exonerações de ministros do MCTI, a escolha desta vez foi de Pansera. O Planalto esperava o retorno dele, já que foi um dos ministros que defenderam publicamente a presidente Dilma Rousseff e se mostrou um aliado na batalha contra o impeachment. Segundo informações, Pansera não se despediu da equipe de secretários e funcionários do gabinete.
A decisão do ex-ministro não teve motivação partidária. Quem explica é o próprio diretório do PMDB no Rio de Janeiro. Mesmo tendo posição favorável à abertura do impeachment, a legenda informou que não faria qualquer tipo de retaliação a quem votasse a favor do governo e àqueles que retornassem à Esplanada dos Ministérios. A posição contraria o que foi dito na segunda-feira (18) pelo deputado Carlos Marun (MS), que disse à imprensa que seriam expulsos da legenda quem regressasse aos cargos no governo.
Pode ter pesado na decisão de Pansera o clima e o resultado da votação da abertura do processo de impeachment do último domingo (17). Visivelmente abatido e aos gritos de traidor emitido por grupo de deputados oposicionistas, ele chegou a ser interrompido pelas vaias na hora de anunciar o voto. Até o fechamento desta reportagem a assessoria do agora deputado Celso Pansera não retornou nossas ligações.
Interina
O MCTI afirmou que não iria se pronunciar sobre tema, uma vez que Pansera não está no comando da pasta. Quem deve tomar as decisões, de forma provisória, é a secretária executiva Emília Ribeiro. Indicada pelo presidente do Senando, Renan Calheiros (AL), ela assumiu o cargo durante a gestão de Aldo Rebelo em 2015.
Ribeiro é quem comanda as negociações junto ao governo e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o empréstimo de R$ 1,4 bilhão. O montante é considerado emergencial para cumprir os compromissos do órgão, que recentemente teve retirado R$ 1 bilhão da suas contas.
Histórico
A escolha de Celso Pansera para comandar a pasta se deu em outubro do ano passado em uma tentativa da presidente Dilma Rousseff de se reaproximar com o PMDB da Câmara dos Deputados. O parlamentar foi indicação do líder da legenda, Leonardo Picciani (RJ), principal aliado do Planalto na batalha contra o impeachment.
Fonte: Leandro Duarte, da Agência Gestão CTI