| Em 10/05/2022

Baiana cria marca que utiliza pigmentos naturais para estampar tecidos

A planta barbatimão vai ser utilizada como um dos pigmentos naturais que vai trazer uma das cores da coleção. (Foto: divulgação)

As roupas coloridas são tendência em várias épocas do ano. Há dois mil anos a prática de tingir era feita com recursos naturais, mas, com o tempo, os pigmentos passaram a ser sintéticos. O grande problema é que esses corantes químicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Com o intuito de criar uma estamparia sem agredir o biossistema, Ludmila Singa, moradora de Salvador, elaborou um projeto que utiliza pigmentos naturais para estampar tecidos.

Ludmila revela que o sonho de abrir uma estamparia vem de longa data, mas ao descobrir que o processo era tóxico para o ecossistema, buscou desenvolver uma estamparia natural. “Eu identifiquei, por meio das minhas pesquisas, o quanto é poluente esse processo de coloração de estamparia na indústria têxtil. A partir disso, fiquei pensando que não queria fazer parte desse mercado dessa forma. Eu queria fazer estampas e lançar coleções de roupa com estampa autoral, mas sem fazer parte dessa cadeia produtiva”.

A partir dessa ideia, Ludmila começou a desenvolver sua estamparia. Além de pensar na natureza, a coleção também é agênero e é inspirada na sexualidade como um todo . “A Sagrada Vulva também tem como propósito trazer a reflexão e autocuidado sobre a sexualidade como um todo. Buscamos mostrar ilustrações sobre as formas femininas com objetivo de trazer à tona o debate sobre a presença do feminino na construção do indivíduo social. Outro diferencial é que trabalhamos com o modelo de roupas agênero, ou seja, qualquer pessoa vai se sentir confortável para usar as peças”, explica Ludmila Singa.

Segundo a CEO, que é formada em Bacharelado Interdisciplinar em Artes pela UFBA, a coleção será dividida em subcoleções e cada uma receberá o nome de uma planta que auxilia no tratamento de doenças no útero. “Cada subcoleção terá o nome de ervas e raízes de plantas que se usam no trato do útero. Por exemplo, o barbatimão, que é uma raiz super poderosa para várias questões de cicatrização, vaporização uterina e banho de acento, vai ser utilizada como um dos pigmentos naturais que vai trazer uma das cores da coleção”.

O projeto, que foi escolhido pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti/BA), vai iniciar a fase de testes e estruturação. “Vamos realizar testes de qualidade, de durabilidade e de fixação da cor. A partir disso, quando conseguirmos produzir as estampas, com a tintura que possa proporcionar uma durabilidade, uma qualidade e conforto, passaremos para o processo de produção”, diz Ludmila.

A empresa, que conta com a colaboração de Carolina Carvalho, Jamile Carvalho, Beatriz Almeida e Alberto Pita, quer colocar em evidência a moda sustentável. “Temos o pilar da sustentabilidade e do autocuidado dentro da moda. Estamos levando esse pensamento para a sociedade. Para além da roupa, que a Sagrada Vulva represente uma ideia, represente um estilo de vida, represente uma ação”, afirma.

 

Fonte: FAPESB (por Assessoria de Comunicação da Fapesb)

 

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