| Em 12/01/2015

Alimentos amazônicos podem auxiliar no tratamento de colesterol alto, diabetes e obesidade

O estudo testará em humanos o cubiu encapsulado. O objetivo é avaliar os efeitos fisiológicos, como a diminuição dos índices glicêmicos e as hiperlipidêmicas. (Foto: Divulgação)

Com uma das maiores biodiversidades do planeta, a região amazônica tem uma enorme variedade de frutos com características inigualáveis de aroma e sabor, além de potencial nutritivo e econômico. Por estes motivos, as frutas da região têm sido alvo de estudos científicos para se determinar as propriedades funcionais, ou seja, os benefícios que podem propiciar à saúde humana.

Pensado em utilizar todo o potencial biotecnológico dos frutos, a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Francisca Souza, desenvolve uma pesquisa em que analisa o valor nutricional e o uso dos mesmos contra doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, metabólicas (colesterol alto e diabetes) e obesidade.

A pesquisa intitulada ‘Frutos amazônicos para a produção de alimentos funcionais’, será desenvolvida com aporte financeiro do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). Souza foi contemplada no Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas –Edital 030/2013), o qual irá complementar as outras pesquisas que vêm sendo realizadas.

Dentre as espécies de frutos com potencial econômico, tecnológico, nutricional e funcional integrantes da pesquisa, destacam-se a pupunha (Bactris gasipaes Kunth), açaí (Euterpe oleracea Mart.), camu-camu (Myrciaria dubia (Kunth) Mac Vaugh) e o cubiu (Solanum sessiliflorum Dunal).

O projeto visa a prevenção dos distúrbios metabólicos, como hiperlipidemias e hiperglicemias, termos técnicos para designar o aumento anormal dos níveis de gordura no sangue, principalmente o aumento do colesterol e triglicerídeos, e o aumento dos índices glicêmicos no sangue, causadores do diabetes.

Segundo Souza, o estudo irá utilizar os frutos na forma de farinha, com novos subprodutos destinados à alimentação, a fim de aumentar a vida de prateleira e melhorar a utilização das substâncias. “Alguns produtos já foram desenvolvidos por alunos de mestrado, por exemplo, o camu-camu e o cubiu encapsulado, cereais, néctares, entre outros produtos enriquecidos com os frutos amazônicos”.

Doutora em Biotecnologia, Souza espera que dentro de três anos os produtos desenvolvidos possam ser comercializados. “Alguns produtos ainda necessitam de patentes, para que chegue à mesa do consumidor”, explicou. 

Cubiu e Camu-camu encapsulados

O estudo testará em humanos o camu-camu e o cubiu encapsulados. O objetivo é avaliar os efeitos fisiológicos, como a diminuição dos índices glicêmicos e as hiperlipidêmicas.

“Elevados níveis glicêmicos costumam aparecer ao longo prazo, gerando danos. Vasos sangüíneos e nervos são alvos primários, porém o organismo inteiro pode sentir os efeitos do diabetes. Os altos níveis de gorduras no sangue podem acarretar problemas ao organismo, aumentando o risco de arteriosclerose e problemas na artéria coronária e na carótida, por conseqüência, aumentando o risco de infarto do coração e de derrame cerebral”, alertou Souza.

A pesquisa está em fase de testes, como é o caso da aplicação do camu-camu. As primeiras análises foram feitas em pacientes sem nenhum tipo de doença, em que era dada uma dose diária de 10 ml de néctar do fruto durante 30 dias. Após o uso, eram analisadas as taxas de glicemia e colesterol.

“Os resultados mostraram eficiência em pacientes saudáveis. Agora, o camu-camu será testado em paciente que têm doenças crônicas não transmissíveis, com orientação médica, para verificar o efeito”, afirmou Souza.

Antioxidantes amazônicos

De acordo com a pesquisadora, alguns frutos amazônicos (açaí, camu-camu, cubiu e pupunha) são fonte de fibra alimentar, flavonóides e têm atividade antioxidante (moléculas capazes de retardar ou impedir o dano oxidativo, processo causado por substâncias chamadas radicais livres, que podem levar à disfunção das células e o aparecimento de problemas, como doenças cardíacas e diabetes).

Para Souza, é importante a avaliação da ação antioxidante destes frutos, pois parte da população amazônica não segue a dieta recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), rica em frutas (fonte de vitaminas, minerais e fibra) e alimentos funcionais.

Fonte: FAPEAM (Por: Adriana Pimentel – Agência FAPEAM)

Leia também

Em 15/04/2026

Pesquisadores desenvolvem cultivares de abacaxis com foco em resistência às doenças, melhor manejo e produtividade em MT

O desenvolvimento de novas cultivares de abacaxi adaptadas às condições de cultivo em Mato Grosso é resultado de mais de uma década de pesquisa conduzida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra, com fomento do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat). […]

Em 15/04/2026

Governo de Pernambuco lança edital Global.PE em parceria com o Reino Unido

O Governo de Pernambuco lançou, na terça-feira (7), a segunda edição do Global PE, programa voltado à internacionalização de startups do Estado. A iniciativa, realizada em parceria com o governo do Reino Unido, por meio da Embaixada e do Consulado Britânico no Recife e com recursos do Fundo Inovar-PE, tem como objetivo apoiar a imersão […]

Em 15/04/2026

Prime: Curativo inovador que identifica tipo sanguíneo em poucos minutos passa por testes finais

Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) propõe uma solução inovadora que pode transformar atendimentos de emergência: um curativo capaz de identificar o tipo sanguíneo em até dois minutos, diretamente no local, sem a necessidade de exames laboratoriais. Batizada de Blood-Aid, a tecnologia utiliza anticorpos impregnados em um material semelhante a […]

Em 15/04/2026

Fapern e Emparn lançam edital para selecionar pesquisadores no RN

A Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (FAPERN), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), lançou o Edital nº 07/2026 para seleção de pesquisadores bolsistas que atuarão em projetos voltados ao desenvolvimento da agropecuária potiguar. Ao todo, estão sendo ofertadas 4 vagas para profissionais com formação […]

Em 13/04/2026

Pesquisa da Uern, com fomento da Fapern, participa de simpósio dos BRICS na Índia

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foi representada no III Simpósio de Neurociência dos BRICS, entre os dias 13 e 15 de março, no Instituto Indiano de Tecnologia de Madras, em Chennai, na Índia. A participação da universidade no evento integra a inserção da pesquisa potiguar em redes internacionais de ciência […]