| Em 17/04/2017

Alimentação saudável se aprende na escola

[cml_media_alt id='13556']Estudantes com idades entre 10 a 18 anos provaram e aprovaram a aparência e o sabor dos alimentos.[/cml_media_alt]

Estudantes com idades entre 10 a 18 anos provaram
e aprovaram a aparência e o sabor dos alimentos. Foto: Faperj.

Comer saudável nunca esteve tão na moda quanto nos dias atuais. São diversos os blogs, sites, colunas e programas de televisão que abordam o tema. Mas como convencer crianças e jovens de 10 a 18 anos a abrirem mão dos atraentes fast-food em troca de mais saúde? Foi pensando em promover a boa alimentação, sem uma rejeição radical àquilo que esse público gosta, que a engenheira de alimentos e pesquisadora da Unidade Agroindústria de Alimentos, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Renata Torrezan tem trabalhado em um projeto que leva este tipo de informação para dentro das salas de aula.

Entre os ingredientes dessa deliciosa receita de popularização da ciência estão o suco de uva, a batata palito e o pão francês. Dentro deles, altas doses de açúcares, sódio e gordura que, se reduzidos, podem garantir o casamento perfeito entre prazer e saúde. O projeto, iniciado em 2014 com o suporte da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) através do programa Apoio à Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia no Estado do Rio de Janeiro, ainda está em desenvolvimento e tem mexido com o comportamento e mente dos alunos de duas escolas técnicas agrícolas – Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ, campus Pinheiral) e Colégio Técnico da Universidade Federal Rural (CTUR) – e a instituição de formação profissional, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RJ).

Por meio de testes sensoriais, que avaliam a percepção dos consumidores quanto à ingestão de alimentos, realizados na unidade da Embrapa Agroindústria de Alimentos, localizada no bairro de Guaratiba, na Zona Oeste, Renata e sua equipe encontraram a formulação adequada para preparar suco de uva, batata palito e pães com doses reduzidas de açúcares, gorduras e sódio, respectivamente. A pesquisadora explica que demonstrações práticas de processamento de alimentos e uso dos ingredientes em linguagem adequada foram apresentadas aos alunos e o resultado foi surpreendente, para os jovens.

“No teste sensorial os alunos descobriram que o mesmo suco de uva pode ser tão saboroso quanto àquele que ele bebe fora de casa, porém com menos açúcar. Já a batata inglesa, em vez de frita, pode ser assada ou cozida sob ar quente. Todo o processo garante um consumo com mais de 70% de redução de gordura, comparado ao mesmo alimento frito vendido em redes de fast-food”, conta Renata.

No caso do suco de uva, a equipe de pesquisadores coordenada pela engenheira de alimentos obteve uma redução de mais de 50% na quantidade de açúcar adicionado. Para obter esse resultado, foi utilizada apenas a diluição em água e açúcar até a medida adequada para que a bebida não gerasse rejeição.

Com a batata palito houve uma mudança apenas no processo de preparo. No lugar de fritadeira e óleo, uma assadeira ou forno com circulação de ar quente. Foram selecionadas as marcas de batatas pré-prontas congeladas com teor conhecido de gordura em sua composição. Em seguida, colocaram-nas no forno. “O trabalho foi realizado desde a seleção do produto ao modo de preparo. Foram analisadas quatro marcas de batatas comerciais para definirmos os teores de gordura já presentes e comparadas com outras quatro amostras de batatas fritas de redes de fast-food da cidade”, diz Renata.

Com o pão francês, os testes foram realizados dentro da sala do curso de formação de padeiros e confeiteiros do Senai. A engenheira de alimentos da Embrapa explica que foi preciso um trabalho mais minucioso para dosar o sódio de acordo com cada tipo de farinha. “Fizemos uma análise própria da qualidade de farinhas comerciais e conseguimos reduzir a adição de sódio sem afetar muito a qualidade do adorado pãozinho”, afirma a pesquisadora.

Além das demonstrações práticas de avaliação sensorial dos produtos em linguagem adequada para os alunos, os pais dos estudantes também tiveram a oportunidade de participar de cursos e palestras sobre como ter e manter uma alimentação saudável. Cartilhas sobre a temática serão distribuídas nas unidades escolares e um curta-metragem de animação, ainda em desenvolvimento, levará todo o conhecimento produzido para além das salas de aula.

“Os mesmos personagens que nos acompanharam em projetos anteriores, Chiquinho e Ana, serão os protagonistas de uma nova animação que vai falar sobre redução do uso de sódio na alimentação, açúcares e gordura de forma lúdica. Nossa intenção é contribuir com os esforços do Ministério da Saúde para a promoção de uma alimentação saudável e para a redução dos casos de obesidade, bem como dos riscos de doenças cardíacas”, completa Renata.

Na lista abaixo é possível conferir alguns vídeos da série com os personagens Chiquinho e Ana:

Boas práticas de fabricação de alimentos (BPF): www.youtube.com/watch?v=6Ss6hP7M038&feature=youtu.be

Produção de queijos: www.youtube.com/watch?v=SrEex6cvVuI

Polpa de frutas: www.youtube.com/watch?v=ReTfgMwgqEY

Processamento mínimo de vegetais: www.youtube.com/watch?v=HdsdiQGmeSg

Doces e geleias de frutas: www.youtube.com/watch?v=LP5z5XtBCw0

Desidratação de frutas: www.youtube.com/watch?v=H5He16jmN7w

Processamento de pescado: www.youtube.com/watch?v=mXLID0bCzGw

Produção de pães: www.youtube.com/watch?v=7wYBlVtxWDs

Fonte: Ascom Faperj (texto: Aline Salgado).

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