| Em 20/02/2018

Alexander Kellner toma posse como diretor do Museu Nacional

Alexander Kellner exibe uma de suas descobertas, uma espécie de dinossauro, no Museu Nacional. Foto: Danielle Kiffer.

O novo diretor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ), é o paleontólogo Alexander Kellner, que é Cientista do Nosso Estado, da Faperj. A sua posse foi realizada nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, em cerimônia reservada no gabinete da vice-reitora da UFRJ, Denise Fernandes Lopez Nascimento. Kellner, que estará à frente do Museu Nacional no quadriênio 2018-2021, foi o vencedor (com 63,72% dos votos) na consulta realizada em setembro passado, junto ao corpo social da instituição, com a chapa 1 – “Para além dos 200 anos: Revitalizando o Museu Nacional”. A nova direção conta ainda com os professores Cristiana Serejo (vice- diretora), Luiz Fernando Dias Duarte (diretor adjunto técnico-científico), Lygia Dolores Ribeiro de Santiago Fernandes (diretora adjunta de Ensino) e o museólogo Wagner William Martins (diretor adjunto administrativo).

A posse de Kellner ocorre no ano em que o Museu Nacional completa dois séculos de existência. A comemoração do aniversário de 200 anos da instituição e a sua revitalização estão entre as prioridades para o início do mandato. De acordo com Kellner, é necessário investir no Museu Nacional, que é a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina, criado por D. João VI, em 06 de junho de 1818. “Por que a população brasileira não pode ter um museu de história natural de grande porte, bacana como nos outros países? Por que só a elite pode viajar pra fora e ver esses museus fantásticos?”, questionou Kellner, que vem recebendo apoio da Faperj desde os anos 1990.

Há 20 anos no Museu Nacional, Kellner foi chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia (DGP/MN), coordenador do Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZoo/MN), membro da Congregação como representante eleito de professores Assistentes, Adjuntos e Associados.  Atualmente é professor titular da instituição e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Com vasta experiência na área, ele iniciou atividade científica em 1982, dedicando-se ao estudo de vertebrados fósseis. Realizou mestrado pela UFRJ, revisando os pterossauros de depósitos brasileiros e concluiu tese de doutorado pela Columbia University, em programa conjunto com o American Museum of Natural History, com um estudo inédito sobre as relações filogenéticas deste grupo. Organizou o primeiro workshop (Pittsburgh, 1995) e o primeiro simpósio sobre pterossauros (Nova Iorque, 1996). Participou da organização de vários congressos científicos, como o 31st International Geological Congress (Rio de Janeiro, 2000) e o 2º Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados (Rio de Janeiro, 2005), do qual foi presidente.

Ingressou no Museu Nacional em 1997, onde desempenha atividades de pesquisa, ensino e extensão. Desde 2007 ocupa a posição de editor-chefe dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, contemplado pelo edital Apoio à Publicação de Periódicos Científicos e Institucionais, da Faperj, nos volumes publicados de 2014 e 2015. Coordenou a exposição “No Tempo dos Dinossauros”, que foi, na época, a mostra científica temporária mais visitada no Brasil (220 mil visitantes), e organizou a montagem do primeiro dinossauro de grande porte do País (Maxakalisaurus topai), tendo recebido o Voto de Aplauso do Congresso Nacional (2006).

Desenvolve linhas de pesquisa com répteis fósseis, sobretudo pterossauros, dinossauros e crocodilomorfos. Entre suas principais descobertas está o dinossauro Santanaraptor (1999) com músculos e vasos sanguíneos fossilizados, o pterossauro Thalassodromeus (2002), base para estudos sobre a fisiologia, e uma nova teoria sobre a competição entre aves primitivas e pterossauros (1994 – 2005). Descreveu mais de 60 espécies novas, tendo estudado material da Mongólia, Irã, Marrocos, Líbano, China, Argentina, Chile, Venezuela, Estados Unidos, Austrália, Antártica e Espanha, entre outros. Organizou e participou de expedições para os mais diferentes pontos do planeta, como os desertos do Atacama (Chile) e Kerman (Irã), Liaoning (China) e a Ilha de James Ross, na Antártica. No Brasil, realizou atividade de coleta do norte ao sul do país.

Além da intensa atividade acadêmica, atua na divulgação científica através de palestras e artigos populares como a coluna mensal Caçadores de Fósseis (Instituto Ciência Hoje). Orienta alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Possui parcerias com cientistas brasileiros das principais instituições de pesquisa nacionais como também do exterior. Possui mais de 800 publicações (incluindo resumos, editorias e artigos populares), sendo mais de 200 artigos originais, publicados nas principais revistas científicas tais como Nature, Science e PNAS. É autor de diversos livros, entre eles Caçadores de Fósseis (Instituto Ciência Hoje, 2015, 216 p.), publicado com apoio do Auxílio à Editoração (APQ 3), da Faperj; Pterossauros – os senhores do céu do Brasil (Editora Vieira & Lent, 2006, 175 p.) e os romances Na terra dos titãs (Editora Rocco, 2007, 230 p.) e Mistério sob o gelo – uma aventura na Antártica (Editora Rocco, 2010, 350 p.).

Devido a sua atividade concedeu centenas de entrevistas. Também organizou documentários sobre a pesquisa paleontológica, entre os quais Caçadores de Dinossauros e Expedição Antártica – o verão de 70 milhões de anos (produtora Terra Brasilis). Por sua atividade, recebeu vários prêmios e homenagens, tendo sido eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências, membro honorário da New York Paleontological Society e da Sociedad Paleontologica de Chile, e pesquisador associado do American Museum of Natural History e do Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (IVPP, China). Também foi admitido na classe de comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (2008, outorgado em 2010) e recebeu o prêmio da The World Academy of Sciences (TWAS) na categoria de Ciências da Terra de 2010, tendo sido eleito para membro da TWAS em 2013.

O Museu Nacional reúne os maiores acervos científicos da América Latina, laboratórios de pesquisa e cursos de pós-graduação. Possui 20 milhões de itens das coleções científicas conservadas e estudadas pelos Departamentos de Antropologia, Botânica, Entomologia, Invertebrados, Vertebrados, Geologia e Paleontologia. Atualmente, cerca de três mil peças, de seu acervo, estão em exposições abertas ao público.

Fonte: Ascom Faperj, com informações da Assessoria de Imprensa do Museu Nacional.

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]