| Em 13/05/2016

MCTI lança Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016 – 2019

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta quinta-feira (12), a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti) 2016-2019. O documento coloca como condição para o Brasil dar um salto no desenvolvimento científico e tecnológico e elevar a competitividade de produtos e processos um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) robusto e articulado.

Para isso, estabelece como pilares a promoção da pesquisa científica básica e tecnológica; a modernização e ampliação da infraestrutura de CT&I, a ampliação do financiamento para o desenvolvimento da CT&I; a formação, atração e fixação de recursos humanos; e a promoção da inovação tecnológica nas empresas. Para cada um desses pilares, são indicadas ações prioritárias que vão contribuir para o fortalecimento do SNCTI, considerado o eixo estruturante.

O objetivo é posicionar o Brasil entre os países com maior desenvolvimento em CT&I; aprimorar as condições institucionais para elevar a produtividade a partir da inovação; reduzir assimetrias regionais na produção e no acesso à CT&I; desenvolver soluções inovadoras para a inclusão produtiva e social; e fortalecer as bases para a promoção do desenvolvimento sustentável.

Para alcançar esses objetivos, a Encti 2016 – 2019 aponta 11 áreas estratégicas. São elas: aeroespacial e defesa; água; alimentos; biomas e bioeconomia; ciências e tecnologias sociais; clima; economia e sociedade digital; energia; nuclear; saúde; e tecnologias convergentes e habilitadoras. A proposta é direcionar investimentos para essas áreas com consistência e coerência para potencializar os resultados.

Além disso, o documento busca posicionar o Brasil entre as nações mais desenvolvidas em CT&I. A Encti aponta que é possível chegar nesse estágio, desde que seguidas as diretrizes propostas pela iniciativa. Uma delas é a de alcançar a meta de investimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor nos próximos anos. Atualmente, este patamar é superior a 1%.

A Encti 2016-2019, que substitui a Estratégia vigente desde 2012, foi elaborada pelo MCTI em estreita parceria com a comunidade científica e setor produtivo, além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI). Uma consulta pública garantiu o engajamento da sociedade.

“A Encti é uma continuação do planejamento estruturado pelo MCTI nos últimos anos e que norteia as ações até 2019. Ela está articulada com diversas políticas setoriais, como de saúde, de defesa e industrial”, afirmou o diretor do Departamento de Políticas e Programas Técnicos do MCTI, Sávio Raeder. “Houve uma ampla consulta para definir as prioridades estabelecidas pelos atores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. A Encti tem uma forte ligação com as demandas que a sociedade coloca como importantes e que a ciência, tecnologia e inovação podem ajudar a solucionar”, completou.

Investimentos e projetos

Além de estabelecer as ações para o período 2016 – 2019, o documento apresenta dados sobre a evolução do investimento brasileiro em ciência, tecnologia e inovação nos últimos anos. Desde 2000, por exemplo, as aplicações do governo federal na área aumentaram consideravelmente. No ano de 2013, por exemplo, os investimentos em CT&I alcançaram R$ 32,9 bilhões – valor 24,6% acima do dispendido em 2012.

A Encti revela ainda que o Brasil conta com uma ampla infraestrutura de pesquisa, por meio das unidades de pesquisa vinculadas ao MCTI. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômia Aplicada, elaborado a pedido do ministério, identificou 196 laboratórios distribuídos em 25 unidades de pesquisa, que receberam R$ 107 milhões na recuperação e expansão das suas estruturas, no período entre 2004 e 2010.

Entre os projetos de pesquisa científica que prometem colocar o País na fronteira do conhecimento, a Encti cita o Sirius, novo anel de luz sincrotron do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/MCTI), ligado ao Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (Cnpem/MCTI); o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCTI); e o Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI).

Outro destaque é a aquisição do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira em parceria com a Marinha do Brasil, Vale e Petrobras, e o uso compartilhado no Navio Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul como Laboratório Nacional Embarcado. Esses laboratórios, aponta o documento, “são fundamentais para que a pesquisa nacional avance com autonomia e qualidade, condições fundamentais para o tratamento de temas estratégicos para o País, voltados para o uso sustentável do mar”.

Legislação

A atualização no marco regulatório também influi positivamente para o incentivo à inovação. Recentemente, a Emenda Constitucional nº 85/2015 e a Lei nº 13.243/2016 deram novo fôlego para estimular este setor no País. Atualmente, o MCTI tem uma consulta pública abertapara que a sociedade apresente contribuições para a regulamentação do Marco Legal em Ciência, Tecnologia e Inovação. O texto está disponível até o dia 12 de junho no site Participa.br.

INCTs

Outro avanço importante para CT&I é o fortalecimento do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). Entre 2009 e 2014, foram apoiados 125 projetos em todo o Brasil, em diversas áreas do conhecimento, com um investimento total de R$ 825 milhões. Participam da iniciativa 6.794 pesquisadores e 1.937 instituições.

O Brasil também avançou na formação de pesquisadores. Entre 2010 e 2014, de acordo com CNPq, o número saltou de 128 mil para mais de 180 mil em todo o País, um crescimento de 39,9%. A formação de pesquisadores doutores foi ainda maior: cresceu 42,5%  no período, passando de 81.726 para 116.427.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tiveram aumentos significativos no número de pesquisadores. A primeira teve um salto de 62,2%, enquanto as outras duas apresentaram 51% e 43,9% de aumento, respectivamente. Segundo o documento, isso representa uma “gradual redução das disparidades regionais sinalizadas pelo crescimento mais acelerado de pesquisadores, doutores ou não, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”.

Ciência sem Fronteiras

Parte importante da formação de recursos humanos é o Programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Por meio dele, foram concedidas, até janeiro de 2016, 92 mil bolsas de estudo de graduação ou pós-graduação em cerca de 30 países. Engenharias e demais áreas tecnológicas; ciências exatas e da Terra; ciências da saúde; e computação e tecnologia da informação são algumas das áreas consideradas prioritárias da iniciativa.

Fonte: MCTI

Leia também

Em 13/03/2026

Fapepi anuncia R$ 8,7 milhões para pesquisas no semiárido e cria prêmio em homenagem a Niède Guidon

Em visita à sede da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) na quinta-feira (5), o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), João Xavier, anunciou um salto significativo no fomento à pesquisa no Semiárido. Através de uma articulação entre Fapepi e órgãos federais, o Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e […]

Em 13/03/2026

Governo de Pernambuco lança edital Compet Mulheres para impulsionar startups lideradas por mulheres

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti-PE) e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), tornou público, na quinta-feira (5), o Edital nº 08/2026 – Compet Mulheres. A iniciativa convida empreendedoras a apresentarem propostas voltadas à execução de planos de […]

Em 12/03/2026

Projeto apoiado pela Fundect usa nanotecnologia para ampliar efeito de quimioterápicos

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), avançou no desenvolvimento de […]

Em 11/03/2026

Projeto apoiado pela Fapt é selecionado em programa nacional de empreendedorismo feminino

Um projeto desenvolvido no Tocantins foi selecionado entre as 50 iniciativas escolhidas na categoria Tração do programa Empreendedoras Tech, voltado a mulheres que lideram negócios inovadores de base tecnológica. A proposta conta com apoio do Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), dentro das ações do Programa Centelha 2 […]