| Em 10/05/2016

Luiz Davidovich é empossado presidente da ABC

O Acadêmico Luiz Davidovich, físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o novo presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). A transmissão do cargo aconteceu durante a cerimônia de posse dos novos membros titulares e correspondentes da ABC, na noite de 4 de maio de 2016, na Escola Naval, Rio de Janeiro.

Clique aqui para saber mais sobre a cerimônia de posse

Luiz Davidovich substitui o matemático do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) Jacob Palis, que presidiu a ABC por nove anos e foi responsável por importantes transformações na Academia. Ele criou, por exemplo, a categoria de membros afiliados, voltada para cientistas de até 40 anos, que tornam-se parte dos quadros da instituição por um período de cinco anos. O objetivo é reconhecer talentos jovens da ciência e, assim, incentivá-los nas carreiras científicas.

Palis também instituiu as vice-presidências regionais da ABC, de modo a descentralizar suas atividades e torná-la presente em todas as regiões do Brasil. As seis vice-presidências regionais (Norte, Nordeste & Espírito Santo, Minas Gerais & Centro-Oeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul) são responsáveis por eleger os membros afiliados em suas respectivas regiões e por organizar duas atividades científicas anuais.

“Meu principal objetivo nessa noite é agradecer a todos que me auxiliaram nesse percurso de nove anos”, afirmou Jacob Palis, emocionado. “Creio deixar, com a ajuda de muitos, uma Academia mais moderna e com presença nacional para o novo presidente.” Palis orgulhou-se do fato de que sua gestão promoveu o aumento da participação de mulheres na ABC, que hoje é de cerca de 15% entre os membros titulares e 23% entre os membros afiliados. “No inicio do meu mandato, esse numero era da ordem de 7%. Hoje, estamos melhor do que muitas das Academias famosas, como a da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos. Tenho certeza que meu sucessor vai tratar desse assunto com muito carinho.”

Jacob Palis agradeceu a todos os Acadêmicos e, em particular, a Lindolpho de Carvalho Dias que presidiu o Comitê Executivo, além dos funcionários da ABC: “Eles foram agentes ativos de todas as nossas atividades, inclusive a cerimônia de hoje. Agradeço também e reconheço a participação de muitos Acadêmicos em nossas reuniões e, em especial, em nossos grupos de estudo, que tanto serviram à ABC e ao país em todos esses anos. Por fim, gostaria de agradecer as empresas privadas e públicas que acreditaram em nós.”

Palis lembrou que sua Diretoria implementou uma categoria nova, a de membros institucionais, o que aproximou a Academia do setor privado. “Estes membros nos ajudaram a manter a ABC servindo à causa da ciência no país. Clique aqui para ler o discurso completo de Jacob Palis.

O novo presidente

Nascido no Rio de Janeiro (RJ) em 25 de junho de 1946, Luiz Davidovich formou-se em física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutorou-se em 1976 na Universidade de Rochester, no estado de Nova York, nos Estados Unidos, orientado pelo AcadêmicoMoysés Nussenzveig.

Atualmente, Davidovich é professor titular da UFRJ, membro da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS) e um dos oito membros brasileiros da National Academy of Sciences (NAS) dos Estados Unidos.

No seu discurso de posse, Davidovich reconheceu que há muito trabalho pela frente. “É uma grande honra servir a esta instituição centenária e, também, um enorme desafio – pela responsabilidade de aprofundar a grande transformação da ABC realizada sob a dinâmica liderança de Jacob Palis, aproveitando a eficiente estrutura que ele nos legou para aumentar ainda mais a capilaridade da Academia, sua visibilidade e seu protagonismo nacional e internacional.”

O novo presidente afirmou que, em sua gestão, procurará ampliar a participação dos membros da ABC na formulação de novos documentos e de novas propostas para políticas públicas. “Continuarão a ser itens fundamentais de nossa agenda o cultivo da curiosidade e do fascínio pela ciência e a promoção da educação nessa área, com estímulo aos jovens talentos, essencial para o futuro da ciência no Brasil”, destacou. “Promoveremos o protagonismo internacional da ABC, mantendo e intensificando a sua interação com organizações e associações científicas internacionais.”

Davidovich falou também da defesa do desenvolvimento científico e tecnológico em um momento de crise como o que vivemos atualmente, que ameaça a atividade científica com cortes substanciais nos orçamentos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). Essa redução dos recursos interrompe redes de pesquisa, reduz a oferta de bolsas, precariza a investigação cientifica, a inovação e a educação. “Preservar a integridade, individualidade e laicidade do MCTI é tarefa fundamental de qualquer governo que tenha compromisso com o desenvolvimento sustentável do país. Sem dúvida, será central para esta Diretoria a defesa desse Ministério e de sua missão de Estado.”

O físico afirmou tratar-se de um mito a necessidade de cortes nos investimentos em ciência e tecnologia diante de uma crise econômica. “Exemplos de outros países contrariam esse discurso. Em meio à crise global, o primeiro-ministro chinês Li Kekiang anunciou, em março deste ano, que a China vai investir pesadamente em C&T ao longo dos próximos cinco anos, com a esperança de que a inovação ajude o país a enfrentar a sua desaceleração econômica. Em 2020, o investimento em ciência e tecnologia deverá alcançar 2,5 % do produto interno bruto, comparado com 2,05% em 2014.”

Ele citou outros países que investem mais que 3% do PIB em ciência e tecnologia, como Suécia e Japão, e mais que 4%, como Israel e Coreia do Sul, e reafirmou a luta da ABC para que, até 2020, o Brasil invista 2% de seu PIB nessa área – atualmente, aplicamos em torno de 1,5%.

Davidovich lembrou que os governos passam, mas a Academia Brasileira de Ciências continua, com propostas para o país construídas sobre os sólidos alicerces da competência profissional de seus membros. “Certamente será, nos próximos cem anos, paladina da centralidade da ciência, da tecnologia e da educação no processo de desenvolvimento nacional”, ressaltou. “Visionária, independente e crítica, fará jus ao melhor título que poderia almejar, e que já conquistou, graças ao trabalho que realizou durante os seus cem anos de vida: o título de patrimônio da nação brasileira.” Confira aqui o discurso completo de Luiz Davidovich.

Fonte: ABC

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