| Em 02/05/2016

“Precisamos de mais envolvimento entre pesquisa em empresas”, diz diretor-presidente da Embrapii

Na última sexta-feira, 29 de abril, foi realizada a aula inaugural do Mestrado Profissional em Instrumentação, Controle e Automação de Processos da Mineração, coordenado pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na cidade de Ouro Preto (MG). A aula foi ministrada pelo diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Almeida Guimarães. Segundo ele, a parceria entre setor público e privado para a organização desse curso indica uma tendência que começa a crescer no País.

Guimarães comenta que esse tipo de parceria já havia sido idealizada em 2005, durante uma série de seminários realizados pela Capes sobre os caminhos da pós-graduação. “Desse evento, um artigo foi publicado prevendo que a pós-graduação começaria a incluir cursos em empresas. E isso começou a ocorrer. O ITV em Belém inaugurou o curso de mestrado profissional em 2013 e eu fiz a abertura do curso lá”, conta.

O diretor-presidente da Embrapii traçou um panorama do desenvolvimento da pesquisa e da inovação no Brasil e ressaltou a tendência da pós-graduação caminhar para dentro das empresas. “Em 2014, 44% dos investimentos em pesquisas no Brasil vieram de recursos privados”, destacou. O professor lembrou ainda da importância da formação acadêmica. “No Brasil há 17 milhões de universitários. É algo extremamente crítico. Um país com desenvolvimento na educação e tecnologia enfrenta suas crises com maior facilidade”.

Na aula, ele demonstrou os impactos dessa relação em um gráfico onde projetou o investimento dos países em pesquisa e desenvolvimento em função do PIB aplicado e o número de cientistas e engenheiros que os países têm. “Nos 40 principais países que produzem ciência, todos aplicam pelo menos 2% do PIB em P&D e têm pelo menos 3 mil cientistas/engenheiros por milhão de habitantes. Israel é o que mais produz: investe mais de 4% do PIB e possui mais de 8 mil por milhão de habitantes. O Brasil investe 1,2% do PIB (dados de 2014) e possui 640 cientistas por milhão de habitantes”, alertou.

Em entrevista ao Jornal da Ciência, ele acrescentou que, apesar de estarmos há mais de 60 anos estimulando e financiando a formação de recursos humanos e capacitando os centros de pesquisa, “ainda estamos muito distantes de termos o mínimo de mestres, doutores e pesquisadores que o País precisa”.

De acordo com ele, para nos movermos para mais próximo dos países desenvolvidos, é preciso ampliar o percentual do PIB e, também, fazer crescer em pelo menos 4 vezes a proporção de cientistas e engenheiros. “Mas isso não vai acontecer se depender apenas do dinheiro público; precisamos de mais parcerias com o setor privado. Hoje a proporção do PIB investido em pesquisa provém 56% do setor público e 44% do privado; precisamos conseguir já nos próximos anos que o setor empresarial alcance 60% dessa participação”, afirmou.

O curso será desenvolvido em Ouro Preto, cidade em que está localizada a unidade do ITV voltada à Mineração. O objetivo do curso é formar profissionais com conhecimento aplicado à mineração nas áreas de automação, instrumentação e controle, capazes de atender às novas exigências de mercado e à sociedade, cada vez mais tecnológica. A primeira turma é formada por 20 alunos, sendo 10 empregados Vale de diferentes unidades operacionais do Brasil e o restante pelo público em geral.

Os representantes das instituições coordenadoras do mestrado destacaram a importância da parceria na busca pela excelência tecnológica. 

O diretor-presidente do Instituto Tecnológico Vale, Luiz Mello, ressaltou a importância da parceria com a UFOP: “O Instituto Tecnológico Vale veio para somar os esforços em educação em conjunto com outras instituições parceiras, como o caso da Ufop. Representamos a interação da nossa empresa com a academia. Este mestrado com a Ufop é emblemático para o nosso Instituto”.

Já o diretor da Escola de Minas, Issamu Endo, argumentou que a aula inaugural representou um marco para os dois parceiros.  “Estamos buscando a excelência tecnológica. Este é um programa baseado em um case de sucesso já desenvolvido pela Escola de Minas”, concluiu.

 

Fonte: Daniela Klebis – Jornal da Ciência

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