| Em 21/04/2016

Pesquisa analisa potencial do gengibre para tratar doenças renais e cardiovasculares

Raiz de Gengibre

Estudo avalia ação do Gengibre para tratar doenças renais e cardiovasculares (Foto: PDPics/Pixabay)

Um estudo desenvolvido com apoio do governo do Amazonas via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) está avaliando a atividade farmacológica do óleo essencial e extrato hidroalcoólico dos rizomas (um tipo de caule rico em nutrientes) do gengibre amargo (Zingiber zerumbet) sobre o sistema cardiovascular e renal em ratos normotensos e hipertensos.

A pesquisa está sendo realizada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). De acordo com o pesquisador do estudo que também é coordenador do laboratório de Farmacolgia Experimental da Ufam,  Wilson do Nascimento Corrêa, o projeto de pesquisa é uma proposta inovadora que pretende buscar substâncias farmacologicamente ativas presentes no gengibre amargo que sejam capazes de reduzir a pressão arterial e diminuir o risco cardiovascular, inibindo o aparecimento de condições clínicas mais graves como o infarto, acidente vascular encefálico e a insuficiência renal, que pode levar à perda dos rins.

“Estamos investigando a atividade do óleo essencial do gengibre amargo como um recurso potencial para o tratamento de doenças cardiovasculares como a hipertensão arterial, mas resultados do laboratório de Farmacologia e Química de Produtos Naturais Inpa, coordenado pelo doutor Carlos Cleomir de Souza Pinheiro, têm colaborado muito com nosso estudo. Eles apontam para diversas aplicações além das que neste projeto estamos explorando, como o caso da atividade anticancerígena, anti-inflamatória, antimicrobiana entre outras”, disse o pesquisador.

Doutor em Farmacologia pela Universidade de São Paulo (USP), Corrêa explicou que a planta presente na Amazônia, vem sendo usada sistematicamente em diversos modelos de condições patológicas, mas sem clareza sobre o seu potencial sobre o sistema cardiovascular e renal.

“Adicionalmente, ainda não conhecemos completamente os mecanismos pelos quais as plantas desta família produzem efeitos redutores de pressão arterial, especialmente em modelos de hipertensão arterial (pressão alta) como os que pretendemos utilizar neste projeto. A manutenção da pressão arterial em níveis normais é fundamental para prevenir o surgimento de complicações”, informou o pesquisador.

Gengibre cortado

(Foto: JMExclusives/Pixabay)

Cooperação

Para isso, a equipe que faz parte do projeto de pesquisa tem percorrido algumas Unidades Básicas de Saúde de diferentes zonas de Manaus por meio de um projeto apoiado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e vinculado a um programa de extensão junto à Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT) da Ufam.

Com isso, segundo o pesquisador, já foi possível observar que parte dos pacientes em tratamento não conseguem controlar a pressão, apesar de utilizarem vários medicamentos.

“Grande parte desse problema pode ser justificado pela baixa adesão do paciente ao tratamento. Entretanto, não podemos excluir a possibilidade de casos de hipertensão arterial resistente aos tratamentos atuais empregados. Nesse sentido, nosso projeto busca investigar se o tratamento com gengibre amargo seria benéfico no controle da pressão arterial e na prevenção das complicações sobre os órgãos vitais ao funcionamento do organismo”, disse o pesquisador.

Atualmente, a pesquisa está concluindo as etapas de caracterização fitoquímica e aguardando a chegada de parte dos equipamentos que foram importados dos Estados Unidos e serão utilizados nos estudos em animais.

“Todos os protocolos a serem executados neste projeto utilizando animais de laboratório estão de acordo com as recomendações da legislação Federal pertinente e foram aprovados pelo Comitê de Ética para o Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal do Amazonas (Protocolo CEUA 001/2015). Precisaremos contar com apoio dos órgãos para o fornecimento e manutenção dos animais”, disse.

O projeto de pesquisa conta com apoio da Fapeam por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas). Para Corrêa o apoio da instituição é essencial para realização da pesquisa.

“Em meu ponto de vista, o papel da Fapeam vai muito além do favorecimento à aquisição de materiais de consumo, capital e fornecimento de bolsas. Ele é investimento fundamental para que a ciência aqui produzida aumente de forma quantitativa e qualitativa, além de apoio à consolidação dos mais variados grupos de pesquisa que tem por objetivo o desenvolvimento do Amazonas e dos recursos humanos que aqui se formam”, disse o pesquisador.

 

Fonte: FAPEAM

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

      

Leia também

Em 20/04/2026

Governador do Tocantins nomeia Gilberto Ferreira como presidente da Fapt

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, nomeou Gilberto Ferreira dos Santos como novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins (Fapt). Ele assume o cargo após atuar como vice-presidente executivo da instituição, reforçando a continuidade das ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Estado. Servidor efetivo […]

Em 20/04/2026

Valdir Cechinel Filho é o novo presidente da Fapesc

O professor Valdir Cechinel Filho, atual vice-diretor presidente da Fundação Univali e vice-reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), foi indicado pelo governador Jorginho Mello como novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Ele substitui Fábio Wagner Pinto, que assumiu a Secretaria de Ciência, Tecnologia […]

Em 20/04/2026

Governo de Minas investe em pesquisas para a prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

Gerar conhecimento e oferecer tratamentos e aconselhamento à população é o trabalho do Centro Multiusuário de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) do Centro-Oeste, no campus Divinópolis da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).  Ao todo, mais de R$ 5,4 milhões já foram destinados às atividades do Centro pelo Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à […]

Em 17/04/2026

Startup desenvolve kit teste rápido para identificar picada de cobra

No Brasil, existem quatro gêneros de serpentes peçonhentas. São elas as responsáveis pelos quase 30 mil acidentes ofídicos que ocorrem, em média, a cada ano no País, especialmente na região amazônica, ocasionados, na maioria dos casos, por jararacas. Os quatro gêneros – Bothrops (jararacas, urutus), Crotalus (cascavéis), Lachesis (surucucus) e Micrurus (corais-verdadeiras) – podem causar […]