No último contingenciamento do governo federal, o Ministério da Defesa sofreu um corte de R$ 2,83 bilhões em seu orçamento, o segundo maior na Esplanada, tendo acesso agora a R$ 13,8 bilhões para este ano. De acordo com o ministro da pasta, Aldo Rebelo, os recursos do País para o setor já estão abaixo da média dos Brics – grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e de países da América do Sul. Por isso, defendeu o aumento e a regularidade orçamentária destinada à Defesa.
“Nós precisamos sustentar projetos científicos, tecnológicos e uma indústria de defesa compatível com as nossas necessidades, na qual a compra é atribuição do Estado”, afirmou o ministro, durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, realizada nesta quinta-feira (7). “A pesquisa tem desdobramento e benefício no meio civil, gerando emprego, desenvolvimento e arrecadação de impostos”, completou.
Segundo Rebelo, não há proteção da soberania e de objetivo nacional sem a existência das Forças Armadas. “As Forças Armadas só fazem sentido se houver um projeto nacional e de desenvolvimento econômico, social, científico, tecnológico e integrado ao País”, disse. “A nossa preocupação é dar regularidade ao orçamento, valorizando a agenda de Defesa. As Forças Armadas gozam de prestígio, admiração e respeito da sociedade, mas nem sempre isso traduz a nossa missão que é a defesa do País”.
Sobre os projetos estratégicos de Defesa, o ministro citou o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), projeto piloto instalado na cidade de Dourados (MS), e que tem por objetivo a prevenção de crimes transfronteiriços. Aldo informou que o aparato de vigilância inclui quarteis, radares sofisticados de curto e longo alcance, equipamentos de visão noturna, torres de observação e transmissão de dados, câmeras e imagens por satélites, veículos aéreos não tripulados (vants), carros blindados, entre outros.
Na Força Aérea, Aldo ressaltou o caça Gripen NG, desenvolvido em parceria com a Suécia e a empresa Embraer. Ele lembrou que os caças vão oferecer ao Brasil uma receita de cerca de US$ 2 bilhões por ano, conforme a projeção da Embraer. O ministro citou ainda o cargueiro KC-390, projetado pela FAB, que também tem despertado o interesse de muitos países.
Na Marinha, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) foi destacado pelo ministro da Defesa. “Já investimos R$ 16 bilhões no projeto. Esses equipamentos darão ao Brasil soberania compatível com as nossas necessidades nos 7.500 quilômetros do nosso litoral, ressaltou.
Com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo destacou a parceria da Marinha no desenvolvimento do primeiro reator nuclear multipropósito brasileiro de grande porte, que vai garantir a independência nuclear do País no que diz respeito a insumos utilizados nos procedimentos de pesquisa com radiofármacos.
Fonte: Agência Gestão CT&I