| Em 07/04/2016

Fitoterápico para diabetes é desenvolvido por pesquisadores da UFJF

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, existem 371 milhões de diabéticos entre os adultos de todo o mundo, desses, 13,4 milhões estão no Brasil. A doença tem alto custo para o Sistema Único de saúde (SUS), sendo gasto em média R$5.900 por pessoa, anualmente, de acordo com dados do estudo da Sociedade Brasileira de Diabetes. Uma alternativa para reduzir custos e ter mais eficácia pode ser o uso de medicamentos fitoterápicos – que são preparações farmacêuticas nas quais são utilizados extratos de plantas.

Essa foi uma das conclusões da pesquisadora Elita Scio Fontes, a partir do projeto Cecropia pachystachya – estudos químicos e farmacológicos, desenvolvido na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas gerais (FAPEMIG).  Há 10 anos, os pesquisadores estão estudando a Cecropia pachystachya, mais conhecida como Embaúba. “Estudos pré-clínicos realizados em ratos diabéticos tratados com extrato da planta mostraram uma redução significativa da glicemia, o que motivou a continuação do trabalho”, explica a pesquisadora. A partir da planta, foi desenvolvido o GLICO-CP, um fitoterápico hipoglicemiante, que pode ser utilizado por pacientes diabéticos.

Os estudos mostraram que o GLICO-CP foi capaz de diminuir em 70% a glicemia dos animais com apenas uma dose diária, ao contrário dos medicamentos antidiabéticos que reduziram a glicemia em 50%. Além de reduzir a glicemia em animais diabéticos, o fitoterápico potencializa o sistema antioxidante, sem causar nenhum dano ao fígado ou aos rins. Percebeu-se também o aumento do HDL, conhecido como “bom colesterol”. “Esta formulação apresentou uma atividade antioxidante importante e nós observamos que, mesmo após interromper o tratamento por seis meses, a glicemia ainda permaneceu em níveis normais”, acrescenta Elita.

Entre as vantagens, a pesquisadora destaca: “Ele é barato de ser desenvolvido, é uma planta fácil de ser cultivada, a administração via oral não é invasiva, por isso merece que o estudo seja aprofundado”. As próximas etapas incluem o processo de reunir parcerias para que essa tecnologia alcance as indústrias de fitoterápicos e de desenvolvimento de novos medicamentos. “Como se trata de uma tecnologia de alto potencial de demanda, a formulação fitoterápica deve ser licenciada para empresa farmacêutica e laboratório. Em breve, estarei me dedicando para promover essas parcerias”, declara a pesquisadora.

Fonte: Assessoria de Comunicação da FAPEMIG

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