| Em 09/03/2016

Fapeal viabiliza construção do Banco de Dados da Fala Alagoana

Frequentemente, as pessoas encontram-se desatentas as suas próprias formações linguísticas e não as percebem. O apagamento de algumas sílabas, a nasalização da voz e outros fenômenos são bastante comuns, mas passam despercebidos para quem fala.

A maioria da população não se configura dentro de um mesmo grupo de características, por isso não percebem as próprias expressões e entonações e necessitam ouvir-se para entenderem que fazem parte de um processo e pertencem a um tipo de falante específico.

Partindo deste princípio, o professor doutor em linguística da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), propôs a criação de um projeto que analisasse a linguagem alagoana, focando-se principalmente em sua construção fonológica.

A pesquisa intitulada “Português alagoano” tinha por objetivo construir um banco de dados de falares a partir de várias regiões do Estado, trabalhando os grupos e esta miscigenação distinta que influencia na criação da língua local.

[cml_media_alt id='7785']2[/cml_media_alt]

Pesquisa intitulada “Português alagoano” visa construir um banco de dados de falares a partir de várias regiões do Estado

“Analisamos os processos fonológicos que apresentam maior ocorrência em grandes grupos e, a partir daí, formam as características das falas ouvidas em Alagoas. A aluna Caroline, integrante do grupo de estudos, está realizando um TCC específico sobre a sílaba ‘Te’ no Estado. A sílaba pode ser pronunciada como ‘Ti’ ou ‘Tchi’, e ocorre com frequência nas palavras terminadas em T devido ao processo de assimilação linguística que inclui o som “Tch”, como em bicoit(ch)o, oit(ch)o, gost(ch)o. Sendo que este processo não é exclusividade só do alagoano, ele se repete em outras localidades do país”, alega o professor.

Os estudos começaram em 2013, e sua base inicial de dados será concluída e disponibilizada para o público em 2016. Depois de pronto, o banco nunca terá um término, ou estará completo, pois será constituído anualmente por novas pesquisas a partir de outros grupos, visto que a linguagem não é estática, passando por mudanças ou perdas e isso é significativo para a manutenção dos estudos.

As coletas de dados propunham entrevistar pessoas da forma mais natural possível. Elas não percebiam que estavam sendo analisadas, sabiam do estudo, mas o objetivo era tirar o foco das perguntas e quebrar a seriedade. As gravações aconteciam de maneira despretensiosa.

Elas sabiam do nome geral do projeto, mas as perguntas abordavam a infância, o período escolar, situações que faziam com que elas fossem levadas ao lado mais emocional e ocorria tudo espontaneamente. Ao todo, 15 cidades foram registradas nas pesquisas e contribuíram com os resultados.

A pesquisa final possuirá várias horas de gravações de diversos moradores de todas as partes de Alagoas. O trabalho inclui 20 subprojetos temáticos da variação linguística do Estado, pois o assunto abrange diversas análises acerca dos tópicos de variação no falar alagoano.

Fonte: Tárcila Cabral – Ascom FAPEAL

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]

Em 30/09/2026

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias

Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige […]