| Em 06/02/2016

Pesquisadores constroem sítio sentinela para monitorar malária e dengue

Pesquisadores do Amazonas, Amapá e da Guiana Francesa estão desenvolvendo com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) um sítio sentinela de observação de clima e saúde na região fronteiriça da Amazônia para estudos sobre malária e outras doenças de transmissão vetorial como dengue, chikungunya e zika.

O estudo é coordenado pelo chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), Ricardo Augusto Passos, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional Guy Amazon da Fapeam.

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Segundo ele, o sítio será implantado entre a Guiana e o Amapá. No Amazonas, o estudo será realizado no município de Tabatinga (localizado a 1.108 quilômetros de Manaus), onde fica a tríplice fronteira Colômbia/Peru/Amazonas. Ricardo Passos informou que a vocação do sítio sentinela é de recolher, representar, analisar dados e difundir informações e conhecimentos bilaterais espacializados, pluridisciplinares, em longo prazo.

O principal desafio do projeto de pesquisa será a transmissão de dados, em tempo real, via internet, considerando as dificuldades de sinal de internet na região de fronteira.

“Sabemos que grande parte dos municípios do Amazonas  ainda enfrentam problemas na rede de telefonia e internet e isso, pode dificultar o envio de dados para alimentação dos sistemas a partir das bases  locais”, disse Ricardo Passos.

Segundo o pesquisador, estas características estruturam o projeto em três eixos principais: a construção de referenciais cartográficos e a produção de camadas de informações chave para a cartografia e a construção de indicadores de risco; a representação, o compartilhamento, e a integração de dados e de informações heterogêneas e multidisciplinares; a contribuição à definição de formas operacionais de recolhimento e de espacialização de dados, para a constituição de conjuntos de dados novos e a alimentação rotineira do sítio sentinela, permitindo a possibilidade de gerar conhecimentos novos.

“O projeto de pesquisa dará início à construção de um sítio sentinela na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, entretanto, ele não tem capacidade para estruturar a parceria com Colômbia e o Peru, o que seria essencial para a sua implementação efetiva. Outras fontes de financiamento serão encontradas para identificar e construir uma parceria relevante envolvendo parceiros colombianos e peruanos”, disse Ricardo.

De acordo com o coordenador, o projeto faz parte de uma abordagem de longo prazo que visa buscar soluções metodológicas e meios materiais e humanos necessários para a manutenção de um dispositivo de observação e de difusão de dados. Segundo ele, isso permitirá ao sítio sentinela o rótulo de Observatório pelas organizações francesas, como o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), e brasileiras, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e atrairá mais investimentos para a pesquisa na região amazônica.

 

Sobre o  GuyAmazon

O Programa é fruto de uma cooperação científica entre o Brasil, por meio das Fapeam e das Fundações de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap) e do Maranhão (Fapema), e a França, por meio da Embaixada da França no Brasil, com participação da região da Guyana, o IRD e do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) para realização de pesquisas sobre a Amazônia.

O GuyAmazon é um programa transfronteiriço que visa fortalecer as capacidades universitárias e científicas por meio da execução de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no âmbito da colaboração científica e tecnológica entre os pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa do Amazonas e pesquisadores franceses.

Os estudos são realizados nas áreas de biodiversidade, agricultura familiar, saúde e meio ambiente, energias renováveis e ciências humanas e sociais ligadas aos desafios regionais e visa a formação de mestres e doutores no âmbito de projetos bilaterais.

Fonte: Francisco Santos – Agência Fapeam

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