O Amazonas é o primeiro Estado brasileiro a produzir uma farinha de tubérculos para a produção de alimentos e como alternativa de renda para produtores da região. Trata-se da farinha sem glúten feita de cará-de-espinho, ariá e cará-roxo, que está sendo desenvolvida com recursos do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), pela nutricionista clínica e doutora em Biotecnologia, Lorisa Simas.
A nutricionista informou que a farinha já está em condições de uso e que, atualmente, o desafio é testar o produto na preparação de alimentos que são consumidos diariamente pela população local.
“Pretendemos desenvolver preparações típicas da mesa dos manauaras e disponibilizar um novo produto com valor nutricional interessante para diversificar a dieta regional. Socialmente, a pesquisa irá auxiliar na construção da cadeia produtiva desses tubérculos, favorecendo famílias que, atualmente, vivem financeiramente da venda desses alimentos in natura. Por serem produzidos de forma fácil e em baixa escala, os tubérculos são livres de agrotóxicos. Dessa forma, mais famílias, principalmente no interior do Estado, que estão sem uma fonte de renda, poderão ser favorecidas”, disse Simas.
Alimentação barata e saudável
Segundo a pesquisadora, a farinha dos tubérculos é produzida sem produtos químicos e não contém glúten, se tornando uma alternativa para a produção de alimentos saudáveis e mais baratos para o consumidor.
“Em minha experiência com Nutrição Clínica e atendimento ambulatorial, tive contato com várias pessoas que vivem com doenças crônicas que poderiam ser evitadas se os alimentos regionais amazônicos fossem mais acessíveis e com cadeia produtiva voltada para o desenvolvimento regional”, afirmou Simas.
De acordo com ela, a produção das opções de farinha sem glúten fomentará a cadeia produtiva dos tubérculos incentivando a produção regional e a agricultura familiar.
Os estudos para a produção da farinha de cará-de-espinho, ariá e cará-roxo fazem parte do projeto de pesquisa ‘Farinha de tubérculos Amazônicos: alternativa para a elaboração de alimentos sem glúten’ com recursos do governo do Estado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas) da Fapeam. O programa tem por objetivo apoiar o desenvolvimento de atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.
Coordenada: Alimentos com Glúten: pode ou não pode?
De acordo com Lorisa Simas, o glúten é um complexo proteico presente em muitos produtos alimentícios, utilizado como aditivo.
De acordo com ela, apesar de evidências vinculando o consumo de glúten ao desenvolvimento e agravamento de sintomas de doenças inflamatórias em indivíduos com predisposição genética, deixar de comer glúten não é um hábito saudável.
“O hábito de ‘não comer glúten’, na verdade, não é totalmente comprovado como um hábito saudável, isoladamente. Claro que as evidências científicas atuais sugerem conduta profissional diferenciada no tratamento nutricional e, por isso, esse tema é tão polêmico. Na minha experiência clínica, a exclusão do glúten ou redução do consumo dietético influencia de forma benéfica no tratamento nutricional de algumas doenças crônicas, no caso de pessoas geneticamente predispostas. A exclusão do glúten deve ser orientada por um profissional nutricionista habilitado”, alertou a pesquisadora.
Fonte: Agência FAPEAM
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