Em tempo de restrições orçamentárias e alta do dólar, a pesquisa brasileira, bastante dependente de verbas governamentais, é um dos setores que mais sente o efeito da crise. Dependendo em grande parte de insumos importados, o pesquisador encontra grande dificuldade em mensurar seus gastos. Em busca de uma alternativa para minimizar o problema, o empreendedor e capitão de fragata reformado Alfredo de Souza Coutinho Filho desenvolveu, com apoio do programa Auxílio à Projetos de Inovação Tecnológica (ADT1), um aplicativo para gerenciar projetos de pesquisa científica: o Click Fácil Standart.
Essa ferramenta promete auxiliar tanto pesquisador quanto agências de fomento – e todo aquele que deseja aplicar a gestão administrativa em projetos – a elaborar uma lista de necessidades, com a classificação de itens determinada pela legislação e o resumo financeiro requerido. Com todos os relatórios necessários gerados automaticamente – incluindo-se os de prestação de contas –, fica bem mais fácil administrar. “A dinâmica de prestação de contas de um projeto que recebe recursos das agências de fomento muitas vezes é bastante rigorosa e o pesquisador não sabe exatamente como atender a todas as exigências”, afirma Coutinho.
Já na fase de submissão, a elaboração da lista de insumos necessários ao desenvolvimento do projeto pretendido demanda tempo, uma vez que é preciso que todos os itens estejam com preço e devidamente certificados. O Click Fácil Standart resolve esse problema a partir do Banco de Dados CTSaci. Criado com o auxílio da FAPERJ e disponibilizado na web, nele o pesquisador pode escolher os insumos que deseja adquirir – em muitos casos, já com os preços tirados de licitações públicas realizadas no Brasil.
Para Coutinho, o desafio em adquirir esses insumos são suas especificidades, saber onde se pode encontrá-los e a que preço. Ao contrário do que acontece com o consumidor que vai ao supermercado, não existem amostras desses produtos no mercado e nem é fácil saber seus preços. Na maioria dos casos, eles sequer estão produzidos para pronta entrega. “As dificuldades na logística de importação contribuem para o chamado ‘custo Brasil’ e atingem milhares de pesquisadores, empreendedores e agentes da inovação”, destaca.
Quando o projeto já está aprovado, o pesquisador usa a lista elaborada no momento da submissão, faz as adaptações necessárias em decorrência do tempo e dos recursos disponibilizados e inclui os dados de cada compra no sistema. Com exceção dos documentos de comprovação de despesas, todas as informações podem ser atualizadas, permitindo que os relatórios e a prestação de contas sejam incluídos automaticamente no sistema a qualquer tempo. “De qualquer lugar do mundo, o pesquisador poderá acessar informações sobre seu projeto pelo celular”, entusiasma-se Coutinho.
O aplicativo está disponível no portal do CTSaci, onde um vídeo explicativo mostra o passo-a-passo de seu uso. Além de servir ao pesquisador, ele também se propõe a facilitar o trabalho das agências de fomento. Dispensando-se o uso de papel, toda a prestação de contas pode ser feita on-line, permitindo a imediata análise dos dados pela agência. “Colocamos no aplicativo os formulários utilizados por cinco das principais Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) do País. A ideia é de que ele reúna todos os formulários exigidos pelas FAPs e órgãos de fomento. Para isso, basta que as agências interessadas em nosso serviço solicitem a disponibilidade de uso em seus sistemas on-line de submissão e acompanhamento de propostas”, diz. Assim, além de reduzir o tempo para o planejamento de gastos, também facilitamos o acompanhamento de projetos por parte dos órgãos de fomento”, conclui.
Empreendedorismo na terceira idade
Hoje, uma expressiva parcela da população chega aos 60 anos com saúde e em condições de trabalhar e produzir. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ativa acima dos 50 anos aumentou 52% nas regiões metropolitanas entre 2003 e 2012. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que o Brasil possui mais de 18 mil microempreendedores individuais acima de 70 anos, categoria na qual Alfredo Coutinho se encaixa. No caso do empreendedor, além de passar as manhãs no escritório, onde, com ajuda da sua equipe, ele desenvolve e atualiza o portal, parte de seu tempo é dedicada ao Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, instituição reconhecida pelo governo federal como responsável por esclarecer dúvidas sobre a história militar brasileira. “Temos reuniões semanais e nosso trabalho nos faz ler e estudar sempre. Além de militares, contamos também com historiadores entre nossos membros. Universitários de todo o País sempre nos procuram em busca de auxílio para suas pesquisas”, explica.
Com doutorado obtido há mais de 30 anos, Coutinho publicou, em 2004, o livro A pé para Brasília (Editora Relume Dumará, 260 p.). Com apoio do programa de Auxílio à Editoração (APQ 3), da FAPERJ, a obra narra, sob a forma de crônicas, a marcha em homenagem à inauguração de Brasília, realizada por fuzileiros navais do Rio de Janeiro até o Planalto Central. Agora, ele se dedica à redação de novos volumes, um deles dando continuidade à narrativa sobre a célebre marcha; e outro sobre crônicas de seus tempos como militar.
Para conhecer o Click Fácil Standart acesse: http://www.ctsaci.com.br/cfs/
Fonte: Vinicius Zepeda – Assessoria da FAPERJ
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