| Em 03/06/2026

Poluentes invisíveis na água ameaçam pesca, biodiversidade e saúde no Rio

Integrantes da equipe que participam da pesquisa realizam trabalho experimental em bancada de laboratório na UniRio (Foto: GPEC/UNIRIO)

Poluentes invisíveis presentes na água de rios, lagoas e áreas costeiras do estado do Rio de Janeiro estão no centro de uma pesquisa inédita que pode ajudar a proteger a biodiversidade aquática, a produção pesqueira e até a saúde humana. A iniciativa, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), investiga os chamados “contaminantes emergentes”, substâncias químicas como resíduos de medicamentos, produtos de higiene pessoal, pesticidas e outros compostos que chegam aos ecossistemas aquáticos principalmente por meio do esgoto e do descarte inadequado. A pesquisa conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), por meio do Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher com Vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro.

Embora esses contaminantes já tenham sido identificados em diferentes partes do mundo, ainda existem poucas informações sobre seus impactos nos ambientes aquáticos brasileiros. A pesquisa fluminense nasceu justamente da observação feita pelos cientistas da UniRio sobre a presença crescente dessas substâncias em ecossistemas do estado.

O estudo mapeou os níveis de poluentes em rios, lagoas e áreas costeiras e analisou como eles afetam espécies aquáticas, incluindo organismos que vivem na natureza e também aqueles criados em sistemas de aquicultura. Além disso, os pesquisadores investigam possíveis impactos na cadeia produtiva da pesca e na segurança alimentar da população.

Segundo a bióloga Raquel de Almeida, coordenadora da pesquisa, o trabalho busca entender como esses contaminantes se acumulam no ambiente e quais consequências podem trazer para os ecossistemas e para a sociedade. “Esses poluentes muitas vezes passam despercebidos, mas podem provocar alterações importantes na biodiversidade aquática e até chegar ao consumo humano por meio da cadeia alimentar. Nosso objetivo é gerar dados científicos que contribuam para estratégias de monitoramento, controle e preservação ambiental”, explica a pesquisadora.

A primeira etapa da pesquisa está em fase final e já apresenta resultados considerados promissores. Além do diagnóstico ambiental, o projeto aposta no desenvolvimento de soluções sustentáveis, incluindo o uso de tecnologias inovadoras, produtos naturais e microrganismos da biodiversidade brasileira para reduzir os impactos desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos. “A ideia é não apenas identificar o problema, mas também buscar alternativas viáveis e sustentáveis para minimizar os danos ambientais e proteger a produção pesqueira e a qualidade da água”, destaca Raquel.

Raquel Almeida: coordenadora da pesquisa realiza trabalho de dissecção em peixe para separação de tecidos utilizados em análise de contaminantes (Foto: Divulgação)

O estudo segue o conceito de “Saúde Única” (One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental, além de dialogar com metas globais de desenvolvimento sustentável relacionadas à preservação da vida marinha, acesso à água de qualidade e segurança alimentar.

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, ressaltou a importância de investir em pesquisas voltadas à preservação ambiental e à segurança alimentar. “Investir em ciência é fundamental para anteciparmos problemas que impactam diretamente a saúde da população, o meio ambiente e a economia. Essa pesquisa representa um avanço importante para o estado do Rio de Janeiro, ao produzir conhecimento estratégico capaz de contribuir para políticas públicas, sustentabilidade e qualidade de vida”, afirmou Caroline Alves.

Com resultados inéditos para o estado do Rio de Janeiro, a expectativa é que os dados produzidos sirvam de base para políticas públicas, ações de conservação ambiental e fortalecimento da chamada Economia Azul, modelo voltado ao uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Por que isso importa?

Os chamados contaminantes emergentes podem afetar diretamente a qualidade da água e comprometer espécies aquáticas consumidas pela população, como peixes e frutos do mar. Além dos riscos ambientais, os impactos atingem pescadores, produtores da cadeia pesqueira e comunidades que dependem economicamente desses recursos.

A pesquisa também contribui para a preservação da biodiversidade aquática e para a criação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, ao monitoramento ambiental e ao uso sustentável dos recursos hídricos. Outro ponto importante é o desenvolvimento de estratégias inovadoras e sustentáveis capazes de minimizar os danos causados por esses poluentes invisíveis nos ecossistemas do estado do Rio de Janeiro.

Fonte: FAPERJ (Por: Cristina Cruz/Ascom Faperj)

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