| Em 19/06/2026

Com apoio da Fapes, pesquisa da Ufes vai treinar cães farejadores para auxiliar na detecção precoce de câncer e outras doenças

Projeto inovador tem investimento de R$ 559 mil e pode revolucionar o rastreamento (Foto Divulgação: Envato)

Imagine identificar doenças como câncer, tuberculose e esquistossomose ainda nos estágios iniciais por meio do olfato altamente sensível de cães treinados. Essa é a proposta de uma pesquisa inovadora desenvolvida no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que busca criar novos métodos de rastreamento populacional baseados na detecção de padrões moleculares. O projeto, coordenado pelo professor Carlos Graeff, foi aprovado no Edital Fapes nº 22/2025 – Apoio a Núcleos Capixabas de Excelência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e recebe investimento de cerca de R$ 559 mil.

A iniciativa, intitulada “Desenvolvimento e avaliação de métodos de rastreamento de esquistossomose, tuberculose e do câncer, empregando detecção de padrões moleculares”, reúne pesquisadores da Ufes, instituições brasileiras como as universidades federais de Sergipe (UFS) e Minas Gerais (UFMG), além de colaboradores internacionais da Austrália, Nova Zelândia e outras universidades parceiras.

A pesquisa combina duas abordagens inovadoras: o treinamento de cães farejadores para reconhecer padrões químicos associados a doenças e o uso da espectrometria de infravermelho próximo (NIRS), tecnologia capaz de identificar alterações moleculares em materiais biológicos. Segundo Carlos Graeff, a ideia representa uma mudança importante na forma como os diagnósticos são tradicionalmente realizados.

“Historicamente, os métodos diagnósticos procuram um alvo específico, como uma célula cancerosa ou determinada molécula. O diagnóstico por detecção de padrões segue outra lógica: ele observa conjuntos de sinais e comportamentos químicos. Consideramos que esse pode ser um caminho muito promissor para o futuro da medicina”, explica.

Os cães possuem uma capacidade olfativa extremamente sensível e conseguem detectar quantidades mínimas de substâncias químicas. O princípio do estudo parte da ideia de que determinadas doenças deixam rastros moleculares no organismo – inclusive em amostras simples de coletar, como a urina –  que podem ser reconhecidos pelos animais. A proposta inicial prevê o treinamento de entre cinco e dez cães, além da coleta de centenas de amostras biológicas relacionadas aos diferentes tipos de doenças investigadas.

Aplicação pode fortalecer ações de saúde pública

Caso os resultados sejam positivos, a principal aplicação futura da tecnologia será no rastreamento populacional em larga escala. A expectativa é que o método possa funcionar como uma ferramenta de triagem capaz de identificar precocemente possíveis casos e direcionar pacientes para exames confirmatórios.

“A primeira grande aplicação é na saúde pública. A ideia é realizar uma espécie de varredura populacional para identificar, o mais cedo possível, pessoas com câncer ou outras doenças. É uma estratégia com grande potencial para prevenção e diagnóstico precoce”, destaca o pesquisador.

Além da alta sensibilidade, outro diferencial é o custo reduzido em comparação com métodos convencionais. “Como exame de rastreamento, a expectativa é muito grande. Estamos falando de uma metodologia altamente sensível e potencialmente de baixo custo. Se conseguirmos chegar à aplicação prática, poderá ser uma transformação importante”, afirma.

Cooperação internacional e formação de pesquisadores

O projeto também conta com colaboração da University of Waikato, da Nova Zelândia, instituição reconhecida internacionalmente por pesquisas envolvendo cães farejadores no diagnóstico de doenças, especialmente câncer de pulmão. A parceria foi construída a partir do acompanhamento científico realizado pelo grupo capixaba e já vinha sendo planejada há mais de dois anos. Com o financiamento obtido, o projeto entra em uma nova fase.

“Agora é o início das coletas de amostras biológicas para o câncer e o início da instalação dos equipamentos e organização da área de trabalho com os cães. Anteriormente estávamos ainda na fase de planejamento e de alguns testes iniciais quanto ao manejo das amostras, como conservar as amostras. Agora vamos dar início de verdade porque temos os recursos de financiamento oriundos do edital da Fapes”, explica Graeff.

A pesquisa também terá forte participação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado, além de pesquisadores de diferentes áreas, fortalecendo a formação de recursos humanos qualificados e ampliando a capacidade científica local.

Fomento da Fapes foi decisivo para viabilizar a pesquisa

Para o coordenador, o apoio da Fapes foi determinante para transformar o projeto em realidade. Os recursos permitirão a aquisição e desenvolvimento de equipamentos especializados, incluindo estruturas inéditas no Brasil para o treinamento dos cães.

“Foi absolutamente essencial para tirar essa pesquisa do papel. O financiamento permite adquirir equipamentos, estruturar ambientes específicos para o treinamento dos cães e transformar uma ideia inovadora em uma iniciativa com potencial real de impacto para a saúde pública”, detalha Graeff.

Além dos resultados científicos, a expectativa é que o projeto fortaleça o protagonismo capixaba em pesquisas de fronteira e contribua para o desenvolvimento de soluções inovadoras em saúde. “Queremos que o Espírito Santo seja pioneiro não apenas na pesquisa, mas também na aplicação dessas tecnologias em benefício da população”, conclui o professor.

Saiba como participar

Para pessoas interessadas em participar da iniciativa ou obter mais informações sobre o projeto, a equipe de pesquisa está recebendo manifestações de interesse. A proposta busca selecionar cães e tutores para integrar as próximas etapas do estudo e ampliar a rede de colaboradores da pesquisa. Confira abaixo os contatos:

Telefone: (51) 99981-8599
E-mail: caes.cancer@gmail.com  

Fonte: FAPES (Por: Ascom Fapes)

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