
O Paraná deu mais um passo estratégico no fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação com o lançamento oficial do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Proteômica – Sinergia Científica a Serviço da Saúde Pública no Paraná e a inauguração do Centro Analítico Araucária, espaço que abriga o primeiro espectrômetro de massas Orbitrap Excedion Pro da América Latina. A solenidade foi realizada na quinta-feira (21), na Fiocruz Paraná.
Serão investidos pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária, cerca de R$ 8 milhões no projeto que tem entre as linhas de pesquisa estudos sobre bactérias multirresistentes, biomarcadores de câncer, interação proteína-proteína, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico médico, doenças neurodegenerativas e envelhecimento da pele.
Um dos projetos utiliza espectrometria de massas e inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico de doenças cerebrais sem necessidade de biópsia invasiva. Outro estudo, desenvolvido em parceria com pesquisadores do Laboratório Central do Estado (Lacen) e da PUC-PR , busca identificar bactérias resistentes a antibióticos com maior precisão, tema considerado um dos principais desafios globais de saúde pública.
“A previsão é que até 2050 as infecções causadas por bactérias resistentes superem câncer e infarto como principal causa de mortes no mundo. Estamos criando metodologias capazes de identificar essas resistências com níveis de precisão que métodos tradicionais não conseguem alcançar”, ressaltou o pesquisador da Fiocruz Paraná e articulador do NAPI, Paulo Costa Carvalho.
De acordo com o neurocirurgião do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Denildo Veríssimo, são muitos os avanços que o programa poderá trazer para o diagnóstico precoce e a medicina de precisão no Paraná, especialmente no enfrentamento às infecções causadas por bactérias multirresistentes e nas pesquisas relacionadas a doenças neurológicas.
“O NAPI Proteômica traz um impacto direto para a prática em saúde, principalmente no enfrentamento das bactérias multirresistentes, permitindo diagnósticos muito mais rápidos e precisos, o que é decisivo para o sucesso do tratamento dos pacientes. Além disso, o uso do espectrômetro de massas vai impulsionar pesquisas de ponta relacionadas à detecção precoce de doenças do sistema nervoso, muitas vezes de forma menos invasiva e até evitando procedimentos cirúrgicos”, explica o colaborador do NAPI e médico, Denildo Veríssimo.
Iniciativa da Fundação Araucária, os NAPIs são redes colaborativas de pesquisa em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Estado. O NAPI Proteômica reúne pesquisadores, universidades, hospitais, laboratórios, setor produtivo e parceiros internacionais em torno do desenvolvimento de soluções inovadoras para a saúde pública.
Primeiro espectrômetro de massas Orbitrap Excedion Pro da América Latina – Metade dos recursos do projeto foi destinada à aquisição do primeiro espectrômetro de massas Orbitrap Excedion Pro da América Latina, equipamento de última geração considerado o mais avançado de sua categoria e essencial para pesquisas em proteômica, interação proteína-proteína, biomarcadores, inteligência artificial aplicada à saúde e medicina de precisão.
O articulador do NAPI Proteômica, Paulo Costa Carvalho, destacou que o equipamento representa um salto científico para o Paraná e permitirá o desenvolvimento de pesquisas inéditas no Brasil.
“Esse equipamento é o coração do NAPI. Sem ele, o projeto simplesmente não aconteceria. Ele permitirá ao Paraná conquistar autonomia em pesquisas avançadas em proteômica e desenvolver metodologias inéditas capazes de responder perguntas científicas que antes não podiam ser respondidas”, afirmou.
O NAPI Proteômica já desenvolve projetos em colaboração com instituições internacionais como a Universidade da Califórnia e o Instituto Pasteur de Montevidéu, além de pesquisas realizadas em parceria com universidades e instituições paranaenses. Em particular, a parceria com a Universidade da Califórnia em San Diego, também envolve colaborações com a NASA e a SpaceX. Nesses estudos, os pesquisadores utilizam organoides corticais humanos, conhecidos popularmente como mini-cérebros, para investigar doenças neurológicas como Alzheimer, Parkinson e outros processos associados ao envelhecimento cerebral.
“Esses organoides são enviados a bordo da Estação Espacial Internacional, onde o ambiente espacial parece acelerar alterações biológicas semelhantes às observadas no envelhecimento. Com isso, processos que poderiam levar anos para serem observados na Terra podem ser estudados em escalas de tempo muito mais curtas. Após o retorno, os organoides são analisados por proteômica, permitindo investigar, em nível molecular, alterações associadas à neurodegeneração e identificar possíveis caminhos para novos tratamentos”, explica o articulador do NAPINo Paraná, o projeto também inclui parceria com o Instituto para Pesquisa do Câncer de Guarapuava (IPEC), ampliando a integração entre genômica, proteômica, inteligência artificial e medicina de precisão. Outra frente envolve a Universidade Estadual de Londrina (UEL), no desenvolvimento de estratégias diagnósticas point-of-care, voltadas a testes mais rápidos, acessíveis e aplicáveis em diferentes contextos de saúde.
A vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Cruz, ressaltou a importância do novo laboratório para o fortalecimento da pesquisa e da capacidade diagnóstica no país.
“Esse equipamento amplia nossa capacidade de geração de diagnósticos e fortalece a infraestrutura científica do Paraná e do Brasil. Além de ser único na América Latina, ele permitirá que a Fiocruz contribua para expandir essa tecnologia para outras regiões do país, mantendo nossas pesquisas alinhadas ao que há de mais avançado na ciência mundial.”
De acordo com o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o NAPI Proteômica integra um conjunto estratégico de novos arranjos de pesquisa e inovação que o Paraná vem estruturando na área das ciências da vida e da saúde, como os programas de saúde pública de precisão e os NAPIs de genômica. Ele ressaltou que o Paraná já é referência nacional nesse setor e nosso objetivo é fortalecer ainda mais esse protagonismo.
“Este NAPI representa um avanço fundamental porque reúne diferentes instituições em torno de uma estrutura colaborativa inédita no país, ampliando a capacidade de pesquisa, inovação e desenvolvimento de soluções que serão decisivas para a ciência e a saúde nos próximos anos”, comenta o presidente.
“As redes colaborativas de pesquisa já mostraram resultados importantes na qualificação da ciência produzida no Paraná. Agora, o desafio é ampliar essa conexão com as empresas e com as demandas da sociedade, transformando conhecimento em inovação, desenvolvimento e geração de riqueza. A proteômica tem um papel estratégico nesse processo, tanto na saúde quanto no agronegócio e em outras áreas fundamentais para o futuro do Estado”, disse o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Marcos Pelegrina.
Além da infraestrutura laboratorial, o projeto também prevê investimentos em bolsas de pesquisa, especialmente de pós-doutorado, contribuindo para a formação e retenção de talentos científicos no Paraná.
O NAPI Proteômica também conta com participação de instituições como Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), além de parcerias com o Grupo Boticário e instituições internacionais de pesquisa.
A proteômica é a área da ciência que estuda as proteínas do organismo a partir de tecnologias avançadas de análise molecular, permitindo identificar alterações relacionadas a doenças e contribuir para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais precisos e avanços na medicina de precisão.
Reconhecimento internacional — Mesmo sendo uma iniciativa recente, o NAPI Proteômica já apresenta resultados de destaque no cenário científico internacional, com 12 artigos publicados. Entre eles, estão estudos nas revistas Nature Methods, Trends in Biochemical Sciences e Nature Communications, voltados ao uso de técnicas avançadas de proteômica em pesquisas sobre interação proteína-proteína e organoides corticais. O programa também resultou no depósito de uma patente para um equipamento desenvolvido para coleta de pele destinada à análise proteômica.
Fonte: Fundação Aracuária (Por: Ascom F.A.)
