| Em 06/05/2026

Projeto apoiado pela Fapes utiliza microalgas como alternativa sustentável e ganha destaque em cenário de crise global de fertilizantes

A GreenWay Trees recebeu investimento de R$ 200 mil do Governo do Estado, por meio da Fapes. (Foto Divulgação: Envato)

Um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) vem ganhando destaque como solução inovadora diante de um dos principais desafios do agronegócio mundial: a dependência de fertilizantes importados. O GreenWay Trees, desenvolvido pela empresa capixaba GreenWay Environmental & Climate, foi contemplado no edital Fapes/Seama nº 02/2025 – Apoio a Negócios de Impacto Socioambiental (NISA) – Cobertura Florestal e se consolida como um case de sucesso ao aliar tecnologia, sustentabilidade e impacto econômico.

A iniciativa surge em um contexto global de instabilidade no fornecimento de insumos agrícolas, agravado por tensões geopolíticas que afetam rotas estratégicas de comércio internacional, como o Estreito de Ormuz. Atualmente, o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome, o que expõe o setor produtivo a riscos logísticos e variações de preço. Nesse cenário, soluções nacionais tornam-se cada vez mais estratégicas.

“Quando um estreito de 54 quilômetros pode interromper 85% do abastecimento de insumos de um país com a dimensão agrícola do Brasil, a pergunta não é se devemos diversificar — é por que ainda não o fizemos. A microalga não é uma promessa futura: é uma tecnologia disponível e aplicável”, crava Giulianna Coutinho, diretora institucional da GreenWay Environment & Climate.

GreenWay Trees propõe uma abordagem inovadora ao utilizar microalgas como base para o desenvolvimento de bioinsumos. Essas estruturas biológicas, altamente eficientes na absorção de carbono, acumulam nutrientes essenciais como nitrogênio e fósforo, podendo ser aplicadas como biofertilizantes e bioestimulantes na agricultura. Além disso, a tecnologia também se conecta a soluções urbanas, funcionando como uma infraestrutura viva capaz de sequestrar CO₂, monitorar a qualidade do ar por meio de sensores e gerar dados ambientais.

A proposta integra ciência aplicada e inovação tecnológica, com potencial de reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos importados, ao mesmo tempo em que contribui para a descarbonização da economia. A biomassa gerada pelas microalgas pode ser utilizada em diferentes frentes, incluindo a agricultura e até a alimentação animal, ampliando o alcance da solução.

(Foto: Divulgação)

“A GreenTree é a prova de que microalgas funcionam em escala real, fora do laboratório. Cada unidade instalada sequestra CO₂, e gera biomassa — a mesma biomassa que, aplicada ao solo, substitui parte do fertilizante nitrogenado que o Brasil hoje importa em quantidade crítica. Quando a FAPES reconheceu esse projeto em primeiro lugar, estava validando não só uma tecnologia, mas uma cadeia inteira: da fotossíntese urbana ao insumo agrícola. A crise de Ormuz tornou urgente o que já era estratégico”, afirma Israel Pestana, PD&I da GreenWay Environment & Climate.

Apoio que impulsiona

Além do recurso de R$ 200 mil recebido por meio do edital de Apoio a Negócios de Impacto Socioambiental (NISA) – Cobertura Florestal para desenvolver o GreenWay Trees, a empresa também vem ampliando sua inserção em ambientes de inovação, participando de missões nacionais e internacionais apoiadas pela Fapes, como o Brazilian Impact Techs in Spain (BitS), o que reforça o potencial de escalabilidade da tecnologia.

“Através da Fapes, a gente conheceu vários outros programas. A partir do momento que a gente foi aprovado nesse primeiro edital, a gente ficou sabendo de vários outros e começou a entrar também. A gente esteve presente no Bits para a Espanha, agora a gente está indo para a Argentina, no BretA. Isso traz para a gente um ecossistema de inovação não somente nacional, mas internacional, que está sendo o nosso foco agora”, explica Israel Pestana.

O CEO da GreenWay ainda fez questão de elogiar a Fapes pela qualidade do trabalho técnico realizado em cada chamada.

“A Fapes tem coisas muito interessantes: a primeira é o crivo técnico. Você passa por uma avaliação, uma banca que vai validar até o projeto e, esse edital em específico, a gente passou em primeiro lugar, então acho que mostra para a gente também que a nossa tese tem fundamentação técnica, tem uma robustez conceitual, realmente é uma inovação de bioeconomia”, frisa Pestana. 

Fonte: FAPES (Por: Ascom Fapes)

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