| Em 29/04/2026

Máscara Vesta: tecnologia capaz de inativar vírus respiratórios

Desenvolvida na UnB com apoio da FAPDF, a máscara Vesta incorpora nanotecnologia de quitosana, capaz de neutralizar vírus, bactérias e fungos ao entrar em contato com o material. (Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB)

Diante de novas variantes e do aumento de casos de doenças respiratórias, um estudo desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), ganha ainda mais relevância ao propor uma máscara capaz de inativar não apenas o coronavírus, mas também outros vírus respiratórios.

A máscara Vesta representa um avanço ao ir além da proteção física tradicional. Diferente dos modelos convencionais, que atuam apenas como barreira mecânica, a tecnologia incorpora uma aplicação de nanotecnologia de quitosana — substância extraída da carapaça de crustáceos, como caranguejo, camarão e lagosta.

Inserida entre as quatro camadas de tecido TNT, essa barreira atua diretamente sobre o vírus, envolvendo e degradando sua membrana, o que leva à sua inativação. Além disso, a estrutura do material contribui para impedir a passagem de micro-organismos.

No modelo PFF2, a máscara recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e apresenta propriedades virucidasbactericidas e fungicidas, sendo capaz de atuar contra vírus, bactérias e fungos.

Pesquisa iniciada na pandemia com impacto duradouro

O projeto teve início em 2021, no contexto da pandemia de covid-19, período em que a comunidade científica foi mobilizada globalmente em busca de soluções para conter a disseminação do vírus. No entanto, os resultados da pesquisa ultrapassam esse momento.

A tecnologia foi desenvolvida com potencial de atuação contra diferentes vírus respiratórios, o que amplia sua relevância em cenários atuais e futuros, como surtos sazonais de gripe e outras síndromes respiratórias.

Com coordenação da professora Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa, da Universidade de Brasília (UnB), o projeto também contou com a atuação de pesquisadoras como Graziella Anselmo Joanitti e Kelly Grace Magalhães.

Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa, coordenadora do projeto. (Foto: divulgação/Cornell)

Da pesquisa à validação clínica

A máscara Vesta percorreu diferentes etapas de desenvolvimento, desde testes laboratoriais até a validação em condições reais de uso. Em 2023, o projeto alcançou a fase final dos ensaios clínicos, etapa essencial para comprovar a eficácia e a segurança da tecnologia.

Essa fase contou com a atuação do professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do ensaio clínico, Rodrigo Luiz Carregaro, contribuindo para o avanço da solução rumo à aplicação prática.

Com isso, a tecnologia se encontra em um estágio avançado de maturidade, compatível com fases de validação em ambiente real (TRL 7 a 8), aproximando-se da aplicação prática e da produção em escala.

Ciência aplicada com apoio do DF

O projeto contou com investimento de R$ 76.825,00, viabilizado por meio do convênio Transparência Covid (2020), em parceria entre a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), além de R$ 1 milhão provenientes do edital Demanda Induzida (2021), com fomento exclusivo da Fundação. 

O fomento foi fundamental para garantir o desenvolvimento da tecnologia, desde a estruturação inicial até as etapas mais avançadas de validação. 

Como destaca o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Leonardo Reisman:

“A trajetória da máscara Vesta demonstra a capacidade do ecossistema de ciência e inovação do Distrito Federal de desenvolver soluções com alto nível de maturidade tecnológica. Trata-se de uma iniciativa que percorre todas as etapas da pesquisa aplicada, desde a concepção até a validação em ambiente real, o que reforça a importância de instrumentos de fomento contínuos e estruturados. A FAPDF tem atuado justamente nesse sentido, apoiando projetos que não apenas geram conhecimento, mas que se traduzem em inovação com potencial de transformação social.”

Além de impulsionar a inovação, o investimento contribui para o fortalecimento da infraestrutura científica e para a geração de soluções com potencial de impacto direto na sociedade.

Fonte: FAPDF (Por: Gabriela Pereira/Ascom Fapdf)

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