| Em 07/04/2026

Startup acelerada pela FAPDF desenvolve ativos para cosméticos a partir do veneno de vespas do Cerrado

Pesquisas conduzidas no laboratório da Universidade de Brasília deram origem à Biointech. (Foto: Divulgação/Biointech)

O que o veneno de uma vespa do Cerrado pode ter a ver com cuidados com a pele? Para pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), a resposta está na biotecnologia

A partir de estudos sobre moléculas presentes nesses insetos, nasceu a Biointech, uma startup que transforma descobertas científicas em ativos para cosméticos. Criada a partir de pesquisas realizadas na Universidade de Brasília e fomentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) por meio do programa Start BSB, a empresa desenvolve peptídeos bioinspirados capazes de dar origem a novos ingredientes para a indústria de cosméticos.

Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, iniciativas como a Biointech demonstram o potencial da ciência para gerar inovação e desenvolvimento econômico.“Quando apoiamos a pesquisa científica, também abrimos caminho para o surgimento de novas tecnologias e empresas capazes de transformar conhecimento em soluções para a sociedade”, destaca.

Da pesquisa científica ao nascimento da startup

A história da Biointech começa no laboratório de Neurofarmacologia da UnB, onde a professora Márcia Mortari pesquisava venenos de marimbondos em busca de novas moléculas capazes de tratar epilepsia refratária, um tipo da doença que não responde aos medicamentos disponíveis.

Durante essas pesquisas surgiu uma molécula promissora chamada Neurovespina, que despertou o interesse em levar aquela descoberta científica para além do ambiente acadêmico. Foi nesse momento que surgiu a parceria que daria origem à Biointech.

João Davison Silva Ramalho e Márcia Mortari, cofundadores da Biointech. (Foto: Divulgação/Biointech)

“Um dia o João entrou na minha sala e perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu respondi que precisava de um sócio”, lembra Márcia Mortari, pesquisadora da UnB e cofundadora da startup.

A partir desse encontro, Márcia uniu-se ao empreendedor João Davison Silva Ramalho, com quem fundou a Biointech em 2016, empresa criada para transformar descobertas científicas em soluções tecnológicas com potencial de aplicação no mercado.

“A Biointech nasceu com o propósito de transformar ciência de laboratório em soluções reais para pacientes e para a sociedade”, afirma João Davison Silva Ramalho, cofundador da empresa.

O início dessa trajetória contou com o suporte financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital de Seleção Pública de Propostas para Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico ou de Inovação em Empresas Emergentes de Base Tecnológica – Startups Brasília, que contribuiu para impulsionar o desenvolvimento da empresa e a transformação da pesquisa acadêmica em soluções tecnológicas com potencial de aplicação no mercado.

Hoje, a Neurovespina já apresenta resultados promissores. Em parceria com o Hospital Veterinário da UnB, seis cães com epilepsia refratária estão sendo tratados com a molécula e apresentam controle total das crises.

Biotecnologia inspirada na biodiversidade

Com o avanço das pesquisas, a Biointech ampliou sua atuação e passou a explorar também aplicações na área cosmética. A empresa desenvolve peptídeos bioinspirados no veneno de vespas do Cerrado, capazes de atuar como ingredientes ativos em formulações para cuidados com a pele.

Essas moléculas não são extraídas diretamente dos animais. A partir do estudo das substâncias presentes na natureza, os pesquisadores desenham versões seguras e eficientes em laboratório, produzidas por síntese química a partir de aminoácidos de origem vegetal. O processo garante maior controle, segurança e escalabilidade na produção.

Dessa pesquisa surgiu a Linha Tekohá, composta por cinco ativos biotecnológicos voltados para aplicações como tratamento de acne, redução de linhas de expressão, melasma, olheiras e inchaço na região dos olhos.

Para João Davison Silva Ramalho, o diferencial da empresa está justamente na conexão entre ciência e inovação.

“Nosso trabalho é pegar uma descoberta científica e transformá-la em tecnologia aplicada, criando ingredientes inovadores a partir de moléculas inspiradas na biodiversidade brasileira”, explica.

O desenvolvimento dessas soluções também é impulsionado pela participação da Biointech no programa Start BSB, iniciativa da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal voltado ao fortalecimento de startups inovadoras. No programa, a empresa é acelerada pela Cotidiano Aceleradora (Cooti), o que contribui para o amadurecimento do modelo de negócio e para a aproximação da startup com o mercado.

Equipe da Biointech em atividade no laboratório da UnB. (Foto: Divulgação/Biointech)

Ciência, inovação e mercado

Atualmente, o modelo de negócio da Biointech é predominantemente B2B (empresa para empresa), com foco no desenvolvimento e fornecimento de soluções biotecnológicas para empresas do setor cosmético, farmácias de manipulação e laboratórios de pesquisa.

Além de comercializar seus próprios ativos, a startup também desenvolve peptídeos personalizados sob demanda, permitindo que empresas criem ingredientes exclusivos para novos produtos. A empresa também atua no desenvolvimento de soluções biotecnológicas e na distribuição de insumos utilizados por centros de pesquisa e laboratórios.

Nos últimos anos, a Biointech tem ampliado sua presença no ecossistema de inovação, participando de eventos e feiras nacionais e internacionais do setor, como In-Cosmetics, In Beauty Portugal, Inova Sebrae e Campus Party, espaços voltados à conexão com parceiros, empresas e investidores. A empresa também vem expandindo suas frentes de pesquisa. Um dos projetos mais recentes envolve o desenvolvimento de um peptídeo com aplicação no setor agro, financiado pela Finep em parceria com o Ideelab.

Para os próximos anos, a Biointech pretende ampliar sua capacidade de síntese de peptídeos em escala industrial e fortalecer seu papel como ponte entre universidade e indústria, contribuindo para transformar conhecimento científico em inovação tecnológica e novos produtos para o mercado.

Fonte: FAPDF (Por: Gabriela Pereira/Ascom Fapdf)

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