| Em 25/03/2026

Dispositivo aumenta segurança das mulheres e do feto durante a gravidez

A recomendação é de que a gestante só retire a cinta, fabricada em material anatômico, antialérgico, respirável e lavável, para tomar banho (Foto: Divulgação Baby Move)

O Brasil registrou, entre 2020 e 2023, mais de 172 mil óbitos fetais, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Já o Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal indica que, em 2023, o Brasil registrou a menor taxa de mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis dos últimos 28 anos. Foram registradas 20,2 mil mortes, o menor número de uma série histórica desde 1996, ano em que o total de óbitos foi de 53,1 mil, portanto 62% a mais do que no ano atual.  Em 2024, esse número voltou a crescer, atingindo 22.919 mortes fetais e quase 20 mil óbitos neonatais. 

Os óbitos fetais são, em grande parte, considerados potencialmente evitáveis por ações de imunoprevenção, adequada atenção à mulher na gestação e parto e ao recém-nascido, ou diagnósticos corretos. Mortes evitáveis são aquelas classificadas como as que poderiam ser impedidas. Ocorrem, na maioria das vezes, ao final de gestações de baixo risco, em recém-nascidos normais e sem malformações congênitas. A legislação brasileira determina a obrigatoriedade do fornecimento de uma Declaração de Óbito Fetal, no livro de Nascidos Mortos.

Tomado pela ansiedade e insegurança quanto ao bem-estar do bebê durante as gestações de sua esposa, marcadas por complicações inesperadas, nas quais ela entrou em trabalho de parto com 26 semanas e deu à luz com 31 semanas, sem causa aparente, o ginecologista e obstetra Cristiano Salles Rodrigues dedicou seu doutorado a buscar uma solução que desse mais segurança às gestantes, aos fetos e aos médicos que acompanham a gravidez. Contribuiu ainda para essa motivação o fato de ele ter vivenciado o óbito de um feto de 37 semanas, filho de uma de suas pacientes, portadora de diabetes. Rodrigues explica que, na maioria das vezes, o óbito fetal tem causas indeterminadas, e o inexplicável intensifica o luto dos pais.

“Mortalidade Fetal: uma proposta de tecnologia digital para melhoria dos cuidados de saúde fetal no período perinatal” foi o título da sua tese de Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade, pela Universidade Cândido Mendes. O projeto chegou a ficar em segundo lugar na categoria Saúde da Maratona Rocket, desafio que aposta na criatividade, no trabalho em equipe e na resiliência para desenvolver soluções. E foi vencedor da Maratona de Impacto Positivo do Festival Cria Brasil 2025, realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, que reconheceu projetos de alto impacto social e inovação na área da saúde.

Jessica e Cristiano Rodrigues: as complicações inesperadas na gravidez da esposa levaram o médico a idealizar o dispositivo (Fotos: Arquivo pessoal)

O produto final é simples. Uma cinta desenvolvida por empresa especializada, fabricada em tecido elástico, anatômico, antialérgico, respirável e lavável é ajustada ao corpo da gestante ao longo da gravidez por um fecho de velcro especial que vai se ajustando na medida em que a barriga cresce. Dentro da cinta, os dispositivos eletrônicos monitoram a frequência cardíaca da mãe e do feto, a pressão arterial e o índice glicêmico da grávida e os movimentos do feto. Esse monitoramento do bem-estar do bebê e da mãe durante a gestação é possível com a ajuda da Inteligência Artificial, que consegue, por exemplo, diferenciar os batimentos cardíacos da gestante e do feto. O médico afirma que o objetivo não é, de forma alguma, substituir o pré-natal ou a consulta médica, mas acompanhar em tempo real a gestante e o bebê.

O dispositivo eletrônico, desenvolvido por engenheiros da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), pode ser retirado com facilidade para que a gestante lave a cinta. Um aplicativo, baixado no celular da gestante e até mesmo do médico que a acompanha, avisa sobre qualquer ocorrência anormal, possibilitando a detecção precoce de problemas. Finalizado em meados de 2025, o protótipo foi testado por uma estagiária grávida da Embrapii e ao longo da gestação foram feitos os ajustes no sistema, que já foi registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

“O ideal é que a gestante use a cinta 24 horas e só a retire para tomar banho. Sabemos que os maiores fatores de risco durante a gravidez são a hipertensão e o diabetes. Então, qualquer alteração no quadro de saúde da mãe ou do feto pode ser verificada e tratada no consultório”, explica o obstetra.

O médico contou com recursos do Programa Doutor Empreendedor, da FAPERJ, para desenvolver o projeto e, na fase atual, conta com o apoio da Embrapii para a validação clínica, que será realizada em um hospital de gestação de alto risco em Campos dos Goytacazes. À frente da gestão administrativa, Jéssica Rodrigues, cofundadora da Baby Move, atua na condução estratégica do projeto, reunindo sua experiência de mais de 15 anos em liderança, inovação em saúde e desenvolvimento de modelos de atendimento voltados à eficiência, segurança e humanização do cuidado.

Após a validação clínica, o modelo de negócio prevê que o dispositivo possa ser disponibilizado por meio de aluguel ou comodato, tanto para gestantes quanto para profissionais de saúde, clínicas, operadoras de planos de saúde e órgãos públicos. Ele acredita ainda que, com a produção em escala e a redução de custos, o Baby Move possa ser adotado em Centrais de Monitoramento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: FAPERJ (Por: Paula Guatimosim/Ascom Faperj)

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]

Em 30/09/2026

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias

Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige […]