| Em 14/01/2026

Piauí desenvolve pesquisa inovadora usando hidrogel para recuperar solos e combater desertificação no estado

Foto: Ascom Fapepi.

Em um esforço interinstitucional, o Governo do Piauí eleva o patamar da pesquisa e da ação prática no combate à desertificação, um fenômeno ambiental que ameaça a produtividade e a biodiversidade do estado. Liderada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí (Fapepi), a articulação – que reúne a academia, o governo e a iniciativa privada – lançou uma ofensiva de pesquisa e ação em campo que promete reverter o quadro em áreas críticas do semiárido piauiense.

O esforço teve início em 2023, quando a Fapepi, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e a empresa Afert Biofertilizantes uniram-se para discutir soluções. O foco recaiu sobre Gilbués, município conhecido por ter vastas áreas de solo expostas à degradação. O mapeamento minucioso realizado pela empresa, em junho daquele ano, marcou o pontapé inicial das ações concretas.

A Fapepi também apoiou um importante projeto de pesquisa, intitulado “Revegetação como Estratégia de Recuperação da Biodiversidade em Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas e Redução da Vulnerabilidade Climática (Urad) no Semiárido Piauiense”. A iniciativa foi executada por uma equipe multidisciplinar que inclui professores e alunos de agronomia da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), além de colaboradores de instituições de ensino superior, como a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), Universidade de São Paulo (USP) e a holandesa University of Groningen, o estudo analisa a biodiversidade do solo em áreas degradadas e testa a eficácia de estratégias como cordões de pedra e revegetação.

Os resultados preliminares, colhidos em Gilbués e Santo Antônio Lisboa, já pintam um quadro preocupante: a redução da atividade biológica e da diversidade microbiana no solo. Contudo, a aplicação de técnicas de revegetação e cordões de pedra tem demonstrado potencial para restaurar as propriedades biológicas do solo. Em Santo Antônio Lisboa, a área foi contemplada com a implantação da Urad, servindo como laboratório a céu aberto.

Hidrogel: solução científica sustentável para recuperar solos

Em 2025, o projeto de combate à desertificação entrou em uma nova fase com um plano piloto de recuperação de 10 hectares no Núcleo de Pesquisa e Recuperação de Áreas Degradadas (Nuperade), em Gilbués.

O presidente da Fapepi, professor João Xavier, ressalta que a iniciativa visa transformar o Nuperade em um centro de excelência em estudos ambientais, aliando saberes tradicionais a uma inovação tecnológica de ponta, como, por exemplo, o uso de um hidrogel à base de polissacarídeos vegetais extraídos de plantas abundantes no próprio Piauí.

Foto: Ascom Fapepi.

“Essa tecnologia é diferente de tudo que já foi usado no Brasil. Ela é natural, biodegradável e feita com matérias-primas do próprio Piauí. É uma solução científica sustentável para recuperar solos que pareciam perdidos”, explica o presidente da Fapepi.

De acordo com Adriano Akira, diretor da Afert, o gel tem a capacidade de prolongar a umidade do solo, reduzindo a necessidade de irrigação e favorecendo o crescimento das plantas mesmo durante a estiagem.

A estratégia da Fapepi vai além da recuperação física do solo. Em julho, durante a visita do presidente João Xavier ao Nuperade para acompanhar o início das ações de campo, a equipe promoveu um momento simbólico de educação ambiental. Estudantes do 5º ano da Unidade Escolar Denilde Alencar, em Gilbués, participaram ativamente do plantio de mudas de cajueiro, um ato que busca semear a consciência ecológica nas futuras gerações.

A expectativa é que a área recuperada no município sirva como um modelo replicável para outras regiões do Piauí e do Nordeste afetadas pela desertificação e pela perda de cobertura vegetal, marcando o Piauí como um polo de pesquisa em soluções ambientais sustentáveis para o semiárido.

Fonte: FAPEPI (Por: Cristiane Araújo/ Ascom Fapepi)

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