| Em 12/01/2026

Com apoio da Fapemat, pesquisa da UFMT desenvolve embalagem biodegradável a partir de óleo de pequi

Os bioplásticos com óleo de pequi tiveram excelentes avaliações quanto a permeabilidade, opacidade e resistência mecânica – Foto por: Arquivo/Pesquisador

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estudam o desenvolvimento de uma embalagem biodegradável usando óleo extraído do fruto de pequi (Caryocar brasiliense). O projeto recebe apoio financeiro e técnico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), que tem a missão de incentivar e financiar pesquisas científicas com potencial de aplicação prática.

O pequi é um fruto típico do Cerrado com grande produção na região. A pesquisa explora as características do óleo de pequi para incorporar material ativo à embalagem. O estudo busca não apenas a biodegradabilidade do material, mas também propriedades funcionais que possam contribuir para aplicações em armazenamento ou proteção de alimentos, com foco em inovação de materiais de origem natural.

O projeto é coordenado pela professora Paula Becker Pertuzatti Konda, do Instituto de Ciências Exatas e da Terra (ICET), campus Araguaia da UFMT.

De acordo com o pesquisador Gabriel Bezerra Cardoso, mestre em Ciências de Materiais, o primeiro desafio foi descobrir a quantidade correta do óleo extraído do pequi a ser incorporada ao acetato de celulose, utilizando polissorbatos, que são emulsificantes responsáveis por homogeneizar as misturas com o óleo.

“Os resultados dos testes mostraram que a concentração ideal foi de 10% de óleo em solução padrão. Para os testes de biodegradabilidade, fizemos embalagens com diferentes composições de polissorbatos, que, em seguida, foram enterradas em solo e monitoradas a cada 30 dias. Os resultados foram positivos, comprovando que o material estava se degradando rapidamente e se decompondo em até 120 dias”, destacou.

Os bioplásticos com óleo de pequi tiveram excelentes avaliações quanto à permeabilidade, opacidade e resistência mecânica. Os resultados indicaram que o material tem alto potencial para funcionar como embalagem ativa na proteção de frutas sensíveis à luz, controlando o fluxo da umidade e do oxigênio.

O uso de insumos derivados de recursos naturais, como o óleo de pequi, faz parte de uma tendência de pesquisa que integra sustentabilidade ambiental à ciência de materiais. Essa linha de investigação tem sido incentivada pela Fapemat ao longo dos anos, com o objetivo de apoiar grupos de pesquisadores na geração de conhecimento aplicável e na formação de recursos humanos qualificados.

O presidente da Fapemat, Marcos de Sá Fernandes da Silva, afirmou que os apoios financeiros da fundação são destinados a projetos em diversas áreas do conhecimento, com o objetivo de promover o fomento à pesquisa científica e tecnológica no estado, estimulando parcerias entre universidades, centros de pesquisa e outros atores do ecossistema científico.

“Projetos apoiados pela Fapemat, como este da UFMT, refletem a atuação institucional no fomento à pesquisa com resultados potencialmente relevantes para setores sociais e produtivos, incluindo alternativas a materiais plásticos convencionais”, pontuou.

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Ovando | Ascom Fapemat)

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