| Em 02/10/2025

Fórum Nacional do Confap, em BH, discute papel das FAPs em ecossistemas de inovação

Fundações de Amparo à Pesquisa discutem caminhos e desafios para o fomento da inovação durante segundo dia de evento. Foto: Kennedy Barros/ Dilvulgação Confap

Belo Horizonte é palco do 69º Fórum Nacional Confap. Nesta edição, o evento é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) em conjunto com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).  

O segundo dia iniciou-se com reunião interna dos presidentes e equipes técnicas da Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs). Na parte da tarde, as discussões dividiram-se em dois painéis que trataram da importância FAPs no fomento à inovação e caminhos para impulsionar iniciativas emergentes. Durante o painel “Fomento à Inovação: A Contribuição Essencial das Fundações de Amparo à Pesquisa” o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG, Luiz Gustavo Cançado, orientou a discussão acerca dos desafios e possibilidades no caminho para a inovação no país. 

A mesa foi composta por Lucas Mendes, subsecretário de CT&I na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede/MG), a coordenadora de Inovação Tecnológica da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Sara Gonçalves de Souza, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Rodrigo Varejão e o sócio-fundador da startup mineira, Ultrapão Alimentos, Rafael Mendes. 

Cançado destacou que a inovação é tema estratégico para o Governo de Minas Gerais e para a FAPEMIG sendo foco de chamadas exclusivas como a Cientista Empreendedor, Compete Minas, Laboratórios Certificadores, Apoio às Unidades Embrapii, Bolsas STEM e Startups Deep Tech. Sara Souza (Unimontes), sugeriu ampliar as formas de diálogo com os agentes de inovação locais a partir da formação de grupos focais dentro do sistema de inovação em busca de compreender as necessidades e desafios enfrentados.

Rodrigo Varejão (Fapes) complementou a discussão citando o portfólio de chamadas criado pela Diretoria de Inovação da instituição a partir de um mapeamento das lacunas de fomento no estado. Já o subsecretário de CT&I, Lucas Mendes, destacou os desafios que ainda persistem para o avanço da inovação. Ele destacou a falta de investimentos nos NITs e as diferentes exigências do sistema de avaliação acadêmicos, o que pode ser superado a partir da colaboração entre diferentes atores desse ecossistema.  

O engenheiro de produção pela UFMG e co-fundador da Ultrapão Alimentos, Rafael Mendes de Almeida Carvalho, apresentou-se em seguida. Ele conta que a empresa, fundada há nove anos, busca caminhos dentro do gigantesco mercado da panificação. A Ultrapão Alimentos inovou ao desenvolver, com o apoio da FAPEMIG, um pão que dura cerca de 120 dias sem a necessidade de refrigeração. 

A iniciativa recebeu apoio por meio da Chamada Compete Minas, “um divisor de águas na história da companhia”, como enfatiza Rafael. A startup vencedora do FI Inovations Awards, alimentos e bebidas na América do Sul estuda a possibilidade de explorar novos produtos a partir de leveduras do Cerrado Mineiro. Em sua fala, Rafael Mendes, defendeu a exigência de estudos de viabilidade e de marcado para o pleito de aportes financeiros públicos. 

Rafael Mendes de Almeida Carvalho representou a Ultrapão Alimentos no Fórum Nacional Confap, nesta quarta-feira (1/10). Foto: Kennedy Barros/ Dilvulgação Confap

Inovação em movimento 

Além da Ultrapão Alimentos, os participantes puderam conhecer statups mineiras apoiadas pela FAPEMIG durante a Mostra Interativa – Inovação em Movimento: Conectando Pessoas, Ideias e Soluções. A Nano Food, startup do ramo agroalimentar, apresentou a película protetora desenvolvida que aumenta a vida útil de frutas e legumes por mais tempo.  

A Harmony, por sua vez, criou uma fórmula infantil com composição biologicamente idêntica ao leite materno. A InnoVec apresentou o tecido com um repelente especial que repele mosquitos por até quatro meses, combatendo doenças como dengue, zika e chikungunya. Completando a mostra, a FabNS apresentou seu trabalho, que originou um nanoscópio capaz de revelar imagens na escala de um nanômetro (1 bilhão de vezes menor que o metro) fundamental nos avanços em nanotecnologia. 

Aprendizado contínuo 

Márcio de Araújo Pereira, presidente do Confap, e Camila Farani, empresária e investidora-anjo. Foto: Kennedy Barros/ Dilvulgação Confap

A CEO da Farani Escola de Negócios, sócia-fundadora da G2 Capital e investidora-anjo, Camila Farani, também participou do debate. Em sua palestra, destacou características positivas de negócios de sucesso, sendo uma delas o perfil vendedor do seu idealizador. Contudo, defendeu o investimento em Lifelong Learning, a busca contínua e adaptativa de conhecimento. “Nenhuma linha de fomento será suficiente se não houver educação. No final do caminho vêm as desistências”. 

Na sequência, o painel “Potencial Empreendedor – Como as FAPs impulsionam statups em diferentes estágios e perfis”, orientado pela gerente de Inovação da FAPEMIG, Marina Brandão, discutiu os desafios enfrentados pelas startups deep techs. A mesa foi composta pelo pesquisador, Álvaro Eiras, CEO da  InnoVec; Adriana de Faria, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e Fábio Wagner Pinto, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). 

Álvaro Eiras (InnoVec) motivou parcerias entre FAPs e investidores privados, especialmente, para iniciativas que buscam superar a fase de escalonamento. Já Fábio Wagner Pinto, (Fapesc) apresentou as chamadas de fomento à inovação promovidos pela Fapesc que acompanham a trajetória da inovação indo desde a Ideação, Validação, Crescimento e Escala. 

De acordo com Adriana de Faria (Anprotec), para fortalecer empresas emergentes com base tecnológica, as deep techs, especialmente, spin-offs é preciso reforçar o apoio às incubadoras. Para ela, o número incipiente de incubadoras no país demonstra forte dependência de iniciativas estrangeiras sendo a “maior ameaça à soberania do país”. 

Faria defendeu ainda a equidade na distribuição de recursos entre os projetos de inovação. Para ela, iniciativas em áreas como controle biológico e desenvolvimento de vacinas exigem um aporte maior de recursos. A pesquisadora citou, ainda, a importância de promover programas de incentivo à inovação que superem os períodos governamentais e apontou parcerias entre empresas e universidades como maiores fontes de inovação.“Prestação de serviço técnico especializado une a universidade e a empresa. É daí que nascem as ideias e projetos e statups”, apontou Faria.

Carlos Arruda, presidente da FAPEMIG e Adriana de Faria (Anprotec). Foto: Kennedy Barros/ Dilvulgação Confap

Programação 

A programação de painéis e palestras do 69° Fórum Nacional Confap encerra-se hoje (2/10) com o encontro jurídico entre as FAPs. Na sexta-feira (3/10) os visitantes conhecerão o Instituto Inhotim, museu de arte contemporânea e Jardim Botânico, localizado em Brumadinho, e seus projetos que unem ciência, arte e extensão. 

Confira a cobertura completa do 69º Fórum Nacional Confap aqui

Fonte: FAPEMIG (Por: Júlia Rodrigues/ Ascom Fapemig)

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